Metodologia pode apoiar o planejamento de pesquisas, a ampliação de acervos científicos e a produção de estatísticas e indicadores relacionados à biodiversidade. Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o texto ‘Elaboração e aplicação de metodologia de priorização de áreas para levantamentos florísticos no Brasil’, que propõe uma metodologia para orientar levantamentos de informações em campo sobre a flora brasileira.
A publicação, divulgada na última quinta-feira (15), integra a linha Textos para Discussão (TPD), destinada à divulgação de trabalhos técnicos e metodológicos voltados para debate com a sociedade, cujos resultados e interpretações não se configuram como estatísticas oficiais do órgão.
A partir de dados sobre a ocorrência das espécies, clima, altitude e presença de vegetação nativa, a metodologia busca indicar áreas prioritárias para novas coletas de informações sobre a distribuição das plantas no território brasileiro. O propósito, portanto, é indicar em quais locais o potencial de ampliação do conhecimento sobre a distribuição da flora nacional é maior.
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A publicação traz o histórico de desenvolvimento da metodologia e disponibiliza os resultados de sua aplicação em células de 25 km x 25 km da Grade Estatística do IBGE, que cobrem todo o território brasileiro, oferecendo uma primeira visão das áreas identificadas como prioritárias para futuros levantamentos florísticos.
O conhecimento sobre a distribuição das espécies no Brasil não é construído de forma coordenada, mas sim a partir da consolidação de dados produzidos por iniciativas de diversas universidades e grupos de pesquisa. Nesse contexto, a metodologia proposta apresenta uma forma de compilar as informações já existentes e orientar de maneira mais estratégica os esforços de pesquisa e coleta.
Dessa forma, a metodologia pode apoiar o planejamento de pesquisas, a ampliação de acervos científicos e a produção de estatísticas e indicadores relacionados à biodiversidade e ao meio ambiente.
O trabalho é derivado de outra iniciativa que o IBGE já realiza a respeito da avaliação de dados sobre a biodiversidade.
Ampliação do conhecimento sobre a biodiversidade da flora nacional
A metodologia utiliza registros de ocorrência de espécies disponíveis no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), plataforma do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e que funciona como um agregador de vários bancos de dados sobre as espécies. As medidas de representatividade desses dados são combinadas com informações ambientais e com base nesse conjunto de informações, são identificadas e ranqueadas áreas com diferentes potenciais para ampliar o conhecimento florístico com possibilidades de aplicação em diferentes recortes territoriais.
Os mapas abaixo mostram os resultados da aplicação da metodologia para o Brasil e para cada bioma. As áreas destacadas em tons mais escuros correspondem a regiões com vegetação nativa e escassez de registros florísticos, além de características ambientais diferentes das áreas mais bem amostradas. Segundo a metodologia proposta, esses locais têm maior potencial para revelar espécies de plantas ainda pouco documentadas, motivo pelo qual recebem prioridade para futuras pesquisas de campo.
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A elaboração de mapas específicos para cada bioma complementa a análise nacional ao evidenciar lacunas de conhecimento que podem passar despercebidas em uma avaliação do país como um todo. Dessa forma, mesmo em biomas com grande volume de informações, como a Mata Atlântica, é possível identificar áreas relativamente pouco amostradas e, portanto, prioritárias para a realização de novos levantamentos florísticos.
A metodologia foi desenvolvida para subsidiar as atividades dos herbários do IBGE sendo utilizada como referência para o planejamento dos seus trabalhos de campo. Embora concebida especificamente para o conhecimento florístico, sua estrutura é suficientemente flexível para permitir a adaptação a outros grupos taxonômicos.

Informações para avaliar pressões ambientais
Informações espacialmente explícitas sobre a ocorrência de espécies são fundamentais para acompanhar mudanças na composição e na distribuição da flora ao longo do tempo. Isso permite subsidiar a avaliação de pressões ambientais, a identificação de áreas prioritárias para conservação, e a mensuração do avanço em relação a compromissos nacionais e internacionais de sustentabilidade.
Os valores de priorização, computados para cada um dos seis biomas e para o Brasil, estão disponíveis para download. É importante ressaltar que a prioridade atribuída a uma área não representa uma medida de suficiência ou insuficiência de amostragem. Trata-se de uma ordenação relativa, que indica locais com maior potencial para a obtenção de informações ainda não disponíveis nas bases utilizadas. Como o conhecimento sobre a biodiversidade aumenta continuamente com a incorporação de novos registros, a priorização precisa ser atualizada periodicamente.
Como publicação da série Textos para Discussão, o trabalho busca compartilhar os métodos, critérios e resultados empregados na elaboração da proposta, contribuindo para sua avaliação e aperfeiçoamento. O objetivo do estudo, portanto, é de trazer transparência sobre os procedimentos que têm sido utilizados e incentivar o debate entre o público interessado sobre o tema.
*Com informações da Agência IBGE
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