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A história conta que Milomaqui, um jovem indígena da aldeia dos Kamayurás, tinha um canto tão bonito e poderoso que, quando cantava, os indígenas paravam o que estavam fazendo e adormeciam. Diz a lenda que sua música também era capaz de transformar os sentimentos de quem a ouvia, fazendo desaparecer a raiva e o ódio.
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O cacique, preocupado porque ninguém mais trabalhava quando o jovem cantava, proibiu Milomaqui de soltar a voz e ameaçou tirar sua sombra caso ele desobedecesse. Mesmo tentando se controlar, Milomaqui encontrou uma jovem indígena e cantou para ela, fazendo com que a moça adormecesse e nunca mais acordasse.
Assustado, Milomaqui se escondeu na floresta, mas os indígenas o encontraram. A lenda conta que sua sombra foi retirada e ele acabou sendo enterrado próximo à aldeia.
Depois das chuvas, uma planta diferente nasceu naquele lugar: uma palmeira de caule fino, folhas compridas e verdes, e os indígenas deram a ela o nome de Paxiúba. A história ainda conta que o pajé orientou que a madeira da palmeira fosse usada para fazer flautas, pois Jurupari, o feiticeiro da mata, teria revelado que as melodias de Milomaqui estavam dentro daqueles instrumentos.
Por isso, segundo a lenda, as flautas feitas de Paxiúba reproduzem os cantos do jovem. E existe ainda um alerta: somente os homens poderiam ouvi-las, porque, se uma mulher escutasse a música, cairia em um sono profundo para sempre.
*Com informações do Livro ‘A Lenda da Paxiúba’, de Terezinha Éboli.
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