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Paxiúba: conheça a lenda da palmeira que ‘anda’ pela floresta amazônica

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Paxiúba: conheça a lenda da palmeira que ‘anda’ pela floresta amazônica

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Entre as histórias que atravessam gerações na Amazônia, algumas se misturam às características da própria floresta. É o caso da lenda da Paxiúba, que conta a história de Milomaqui, um jovem indígena que teria dado origem a uma das palmeiras mais curiosas da região.

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A história é apresentada no livro ‘A Lenda de Paxiúba’, da escritora Terezinha Éboli, com ilustrações da artista Graça Lima e lançado pela editora Universo dos Livros.

Capa do livro a lenda paxiúba
Capa do livro ‘A Lenda da Paxiúba’. Foto: Reprodução/Amazon Sat

A lenda 

Segundo a narrativa, Milomaqui era um jovem indígena, da aldeia dos Kamayurás, que cantava tão bonito que a tribo parava de trabalhar para ouvir o seu canto, capaz de provocar um sono profundo em quem estivesse por perto.

Além disso, o canto tornava puro os corações de quem o ouvisse, fazendo com que esquecessem os ódios e as iras que muitas vezes invadem os corações dos homens.

O poder do canto, no entanto, passou a ser visto como um problema pelo cacique, que mandou prender o menino e proibiu-o de cantar, já que seu canto adormecia os indígenas e ninguém mais trabalhava. 

conheça a lenda da palmeira que ‘anda’ pela floresta amazônica
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Leia também: Paxiúba, a palmeira que parece caminhar pela floresta

O cacique disse ao menino que se ele cantasse outra vez, mandaria tirar a sua sombra. Depois disso, ele soltou Milomaqui e o menino fugiu para a floresta, caminhando entre muitas árvores grandes da mata.

Milomaqui se pendurou nos cipós, comeu frutinhas silvestres, dormiu sobre folhas fresquinhas e banhou-se no rio. Mas se perguntava por que os pássaros podem cantar e ele não? Ele ouvia o canto do Uirapuru e tinha vontade de cantar igual a ele.

Apesar disso, Milomaqui se lembrava da ameaça do cacique, e fechava a boca bem fechada para o seu canto não sair e enfeitiçar os demais. Mas o indígena não conseguiu conter a própria voz, e em determinado momento, cantou para uma jovem indígena que encontrou, e que adormeceu e nunca mais acordou.

Triste e assustado, Milomaqui se escondeu na mata, em uma árvore bem alta onde ficou bem quietinho. Lá ele ficou até chegar o mês de agosto, quando desceu sobre a floresta uma bruma seca que escondia as coisas.

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Aproveitando a ocasião, o menino desceu da árvore e tentou se esconder na fumaça que envolvia tudo até o chão e quase não deixava ver nada. Mais tarde, foi encontrado pelos indígenas e, de acordo com a lenda, teve sua sombra retirada e foi enterrado numa terra bem escura e fofinha que havia perto da maloca, onde antes vivia aquela indígena que nunca mais tinha acordado.

Depois de um período de chuvas, uma planta diferente surgiu naquele local. Era uma palmeira alta, de caule fino e folhas compridas e verdes, e os indígenas, sem conhecer aquela espécie, deram a ela o nome de Paxiúba.

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Os indígenas que haviam enterrado Milomaqui naquele lugar ficaram desconfiados e foram contar ao cacique. A história chegou até o pajé que disse para cortarem a madeira da Paxiúba e fazerem flautas. 

A narrativa conta ainda que Jurupari, o feiticeiro da mata, disse em sonho que as músicas que Milomaqui cantava estão dentro das flautas. Os mais velhos daquela aldeia contam que as flautas feitas de Paxiúba tocam as mesmas melodias que Milomaqui cantava e que só os homens podem ouvir, porque se as mulheres ouvirem, elas caem em sono profundo para sempre. 

A palmeira que ‘anda‘

A Paxiúba pode ser encontrada na Amazônia e também chama atenção por uma característica que deu origem ao apelido de “palmeira andante”.

A espécie desenvolve raízes que ficam expostas acima do solo, e com o crescimento de novas raízes em diferentes pontos, a planta pode alterar gradualmente sua posição e por isso, popularmente, é conhecida como uma árvore que ‘anda’.

Esse deslocamento não significa que a palmeira caminhe de maneira literal. O que acontece é um processo de crescimento das raízes, que pode fazer com que o tronco se estabeleça progressivamente em outra direção, podendo chegar a alguns metros de distância do ponto inicial.

Paxiúba. Foto: Ty Sharrow/iNaturalist

Outra característica é a capacidade de se desenvolver em diferentes habitats, incluindo ambientes mais úmidos e outros com menor disponibilidade de água.

A Paxiúba permanece como uma das plantas que despertam curiosidade na floresta. Enquanto suas raízes ajudam a explicar o fenômeno da chamada ‘palmeira que anda’, a lenda de Milomaqui acrescenta à espécie uma narrativa que atravessa gerações e faz parte do imaginário amazônico.

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