Foto: Divulgação/Roberto Jayme-TSE
A população brasileira vai às urnas no dia 4 de outubro para eleger seis representantes dos Poderes Executivo e Legislativo no primeiro turno das Eleições 2026. Mais de 158 milhões de eleitores e eleitoras, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estarão aptos a participarem do processo eleitoral para escolher os novos deputados federais e estaduais, senadores, governadores e o presidência do País.
Na Amazônia Legal, quase 21 milhões de brasileiros que moram nos estados que abrangem a região – Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins -, irão exercer o direito do voto em meio a diversas particularidades regionais que vão desde questões logísticas até locais com horários diferentes de votação.
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O Portal Amazônia procurou curiosidades sobre o processo eleitoral na região amazônica. Os dados foram extraídos dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de cada estado.
A viagem das urnas eletrônicas pelos rios amazônicos
“Na Amazônia, os rios são as nossas estradas”. No embalo da famosa frase regional, o direito ao voto navega pelos longos trajetos dos rios amazônicos para levar cidadania às comunidades remotas da região Norte. Em anos de eleição, a logística fluvial é a principal via de locomoção das urnas eletrônicas para locais de votação onde o acesso terrestre é bastante limitado ou até mesmo inexistente.
No Amazonas, por exemplo, aproximadamente 4 mil seções eleitorais dependem exclusivamente da navegação para receber os materiais necessários para a realização das eleições. A distância é outro desafio: para chegar em Tabatinga, no extremo oeste do estado, é necessário enfrentar 1,5 quilômetro de rios em viagens que podem durar até uma semana.
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Outro exemplo é no Pará, que conta com 22.072 seções eleitorais, sendo 1.691 consideradas ribeirinhas e, dessas, 622 só podem ser acessadas por via fluvial.
Além das urnas, cabines de votação, baterias, cabos, sacolas, cadernos e demais itens são transportados em embarcações, em operações logísticas que demandam planejamento, equipe de profissionais técnicos e de todo um aparato de segurança para garantir a proteção dos equipamento.
Horários diferenciados de votação
O horário de votação eleitoral é unificado em todo o país e tem como referência a hora oficial do Brasília, no entanto, alguns municípios do Amazonas e o estado do Acre possuem horários de abertura e encerramento das urnas diferentes conforme o fuso horário de cada município.
Portanto, o eleitorado dessas regiões precisam se atentar aos horários locais e se planejar para o dia da eleições, tanto no primeiro quanto no segundo turno das eleições gerais.
6h às 15h
Diferentemente do restante do país, o estado do Acre possui um horário diferenciado por ter duas horas a menos do que a de Brasília. No estado, a votação começa mais cedo, das 6h às 15h, horário local.
Já no Amazonas, onze municípios localizados no sul do estado, seguem o mesmo fuso horário do território acreano: Amaturá, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Eirunepé, Envira, Guajará, Ipixuna, Itamarati, Jutaí, São Paulo de Olivença e Tabatinga.

7h às 16h
Com uma hora a menos em relação ao horário oficial de Brasília, os estados do Amazonas (com exceção das cidades citadas acima), Mato Grosso, Rondônia e Roraima seguem esta faixa de horário eleitoral.
8h às 17h
Seguindo a hora oficial de Brasília estão os estados do Maranhão, Amapá, Pará e Tocantins.
Norte lidera número de eleitores indígenas
Entre os estados da Amazônia Legal, o Amazonas é o principal colégio eleitoral indígena do Brasil. O estado possui 73.580 eleitores indígenas aptos a votar, segundo o TSE, aumento de 36 mil em relação à última eleição de 2024. O número representa 25,6% de todo o eleitorado indígena brasileiro e 53,7% dos eleitores na região Norte.
Além do Amazonas, Pará e Roraima também registraram crescimento no número de eleitores indígenas aptos a participaram das eleições deste ano.
Para garantir o direito de voto aos eleitores indígenas, ações como a disponibilização de veículos, embarcações e apoio com combustível são algumas das medidas oferecidas pelos estados para facilitar o deslocamento para o exercício do processo democrático.

Tecnologia a favor das eleições

Para driblar as dificuldades de conectividade em locais remotos e agilizar o processo de totalização dos votos, alguns estados da Amazônia Legal contarão com o apoio de antenas Starlink para transmissão dos resultados.
No Acre, 91 antenas terão a capacidade de ampliar a transmissão de arquivos em locais de difícil acesso, enquanto no Maranhão 66 pontos de votação localizados em 22 cidades terão os boletins de urna transmitidos via satélite.
A transmissão dos resultados será feita diretamente dos Postos Avançados de Transmissão (PATs), estruturas que servirão para que os equipamentos enviem os dados com segurança e agilidade, contribuindo assim, para o processo de totalização dos votos nas eleições deste ano.
Durante a operação, pessoas técnicas responsáveis terão uma antena Starlink Mini e um notebook para possibilitar o estabelecimento da conexão necessária para a transmissão dos resultados.
Após o encerramento da votação e a emissão dos resultados pela urna eletrônica, as informações serão encaminhadas por meio dessa estrutura diretamente para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pela totalização dos votos.
Crescimento de eleitores x Menores colégios eleitorais
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados em julho deste ano apontaram que a região Norte foi a que mais cresceu proporcionalmente em número de eleitores aptos, em relação as outras partes do país. O eleitorado passou de 12.560.410 pessoas, em 2022, para 13.109.354 eleitores e eleitoras, um aumento de 4,37%.
No entanto, apesar do crescimento, três estados da Amazônia Legal apresentam os menores colégios eleitorais do Brasil: Acre (614 mil), Amapá (577 mil) e Roraima (401 mil). Somados, as unidades federativas representam cerca de 1% do eleitorado brasileiro.

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