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Estudos mostram que chuvas em Roraima podem ficar abaixo da média e incêndios florestais devem intensificar em 2027

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Estudos mostram que chuvas em Roraima podem ficar abaixo da média e incêndios florestais devem intensificar em 2027

Incêndio ocorrido em 2016 na Terra Indígena Yanomami. Foto: Estêvão Benfica Senra/ISA

Dados consolidados de monitoramento do Instituto Socioambiental (ISA), com base na plataforma European Centre for Medium-Tange Weather Forecasts, mostram que Roraima deve sofrer, no último trimestre de 2026, com chuvas abaixo da média histórica do estado. A situação pode se estender até janeiro de 2027, conforme as previsões atuais.

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O cenário mostra ainda, de acordo com boletim do Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa), que incêndios florestais em Roraima devem se intensificar até o fim do primeiro semestre de 2027 em razão do El Niño.

Para Arthur Citó, pesquisador do Inpa, os efeitos mais intensos do El Niño serão observados entre janeiro e março de 2027, com impactos para a saúde da população do estado. 

“Se o fogo não estiver sob controle nesse período, podemos nos deparar com um cenário de intensa poluição atmosférica causada pela fumaça dos incêndios. Isso pode ser grave tanto para a população mais vulnerável, como crianças, idosos e pessoas com comorbidades, como para a população geral, dependendo dos níveis de poluição”, afirma Citó.

Conforme a análise do Inpa, em anos normais o fogo de incêndios se distribui pelo lavrado no nordeste de Roraima e avança em direção ao sul pelas BRs 432, 174 e 210. Enquanto em anos com influência do El Niño, os incêndios se concentram na fronteira leste da Terra Indígena Yanomami, entre a Perimetral Norte, Vila Apiaú, Vila Nova e Rio Mucajaí.

“A floresta, que costuma conter as queimadas graças à sua umidade, tem essa característica enfraquecida em fortes estiagens. Isso ajuda a deixar a fronteira leste da Terra Indígena Yanomami mais vulnerável, passando a concentrar boa parte dos incêndios em Roraima”, explica trecho do documento. 

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O impacto não é somente sobre o meio ambiente, envolve perdas na produção agropecuária e consequências na qualidade do ar sobre comunidades tradicionais, já que a densa fumaça é deslocada pelo vento para dentro do território Yanomami.

“Pela localização do território Yanomami, em relação à direção predominante do vento e de eventos de queimadas, é o território Yanomami que sofre os impactos do que acontece, majoritariamente, fora dele. Em geral, o contrário não tem sido observado pelos dados analisados”, detalha Arthur Citó.

Roraima pode ter até 500 mortes em razão do calor provocado pelo El Niño, é o que aponta uma estimativa do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago. A projeção, divulgada na quarta-feira (23), também estima 13,3 mil mortes no Brasil e 451 mil em todo o mundo. O período considerado para as estimativas é de setembro de 2026 até fevereiro de 2027.

Roças afetadas na Terra indígena Yanomami em Roraima

A região de Surucucu, uma das mais afetadas pelo garimpo ilegal, começou a se recuperar após a ação emergencial do governo federal. As lideranças começaram a abrir roças que já forneciam alimentos, mas os incêndios têm preocupado os indígenas quanto a viabilidade de manutenção das atividades.

Indígena com alimentos plantados nas roças de Surucucus. Foto: Erik Veisch/Cama Leão/ISA 

“Estamos preocupados com a seca na Terra Indígena Yanomami. As lideranças relatam que já está fazendo muito calor na terra e que não conseguem plantar porque com a terra quente como está, a roça vai queimar”, explica Waihiri Hekurari, presidente da Urihi Associação Yanomami.

Hekurari aponta ainda que há uma preocupação geral com os rios que devem começar a secar porque os pajés já preveem um verão forte pela frente.

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“Precisamos manter o diálogo com o governo sobre como lidar com essa situação. Neste ano, plantamos muito e agora estamos recuando porque estamos preocupados “, detalha.

O governo de Roraima decretou situação emergencial no início de setembro em razão da forte estiagem. Um gabinete de crise foi montado para ações coordenadas de combate e prevenção ao El Niño.

Anomalia nas chuvas

“Roraima está todo abaixo da média (de chuvas) em outubro e tende a piorar em novembro e dezembro. Em janeiro vai chover abaixo da média, talvez no norte do estado vai se manter a média de chuvas normais”, explica Ricardo Abad, analista do ISA.

Rio Branco, em Roraima, durante estiagem de 2024. Foto: Lucas Silva/Platô/ISA 

Em fevereiro, as previsões consolidadas pelo ISA indicam uma anomalia positiva com chuvas acima da média histórica que deve seguir até março. A partir de abril, deve haver chuvas acima da média em todo o estado.

“Para maio há uma anomalia polarizada. Enquanto no norte do estado há uma previsão de chuvas acima da média, o sul apresenta um cenário de chuvas abaixo da média. Mas é preciso lembrar que maio do ano que vem é muito distante e as previsões podem mudar. Por isso, seguimos acompanhando todas as semanas”, afirma Abad.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Socioambiental, escrito por Fabrício Araújo

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