Com 47 espécies de primatas, o Peru concentra populações do animal nas regiões amazônica, andina e costeira. Foto: Divulgação/Agência Andina
Todo dia 1º de setembro é comemorado o Dia Internacional dos Primatas, o que lembra da importância de conservar um dos grupos de mamíferos mais inteligentes do planeta, mas cuja existência é ameaçada pelo desmatamento, tráfico ilegal, caça e mudanças climáticas.
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O Peru é um dos países mais importantes do mundo por sua biodiversidade e faz parte do Grupo das Nações Unidas dos Países Megadiversos com Ideias Semelhantes, composto por 19 países que concentram 70% da biodiversidade total do planeta. Parte dessa grande biodiversidade é composta por primatas, um grupo distribuído principalmente nas regiões tropicais da Ásia, África e América, que inclui algumas espécies-chave e emblemáticas para a conservação de seus ecossistemas.
Os primatas são um grupo diverso e altamente ameaçado globalmente. Das 504 espécies estimadas no planeta, aproximadamente 60% estão ameaçadas e 75% têm populações em declínio. Saiba quantas espécies de primatas existem no Peru e quais são consideradas emblemáticas:
Primatas no Peru
De acordo com o Plano Nacional para a Conservação de Primatas Ameaçados no Peru, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente (Minam), o país possui 47 espécies de primatas, incluídas em 15 gêneros e cinco famílias, distribuídas nas regiões amazônica, andina e costeira. Entre eles estão 11 táxons endêmicos que se desenvolveram em nosso território como resultado das condições de heterogeneidade ambiental geradas pela cordilheira dos Andes.
Considerando várias perspectivas, a importância dos primatas é bem vasta, pois eles:

- Cumprem funções básicas nos ecossistemas, como polinização e dispersão de sementes, contribuindo para a estrutura e regeneração natural da floresta, promovendo o sequestro de carbono.
- Desempenham um papel fundamental na composição de comunidades em diferentes níveis tróficos.
- São consideradas espécies indicadoras, já que populações saudáveis desse grupo de espécies são um bom sinal do status de conservação dos ecossistemas selvagens.
- São uma importante fonte de proteína para certas comunidades rurais na Amazônia.
- Por serem espécies geneticamente próximas ao ser humano, são importantes para a pesquisa biomédica no desenvolvimento de vacinas, no estudo de várias doenças, entre outras. Para esse fim, são usados espécimes de centros de reprodução ou áreas de manejo.
- Fazem parte da cultura das comunidades rurais e têm sido refletidos em lendas, arquitetura, cerâmicas, entre outras manifestações culturais.
- Geram benefícios para as populações que realizam o ecoturismo como atividade econômica.
- São usadas como espécies emblemáticas porque são impressionantes e carismáticas, o que lhes permite captar a atenção da população, recursos e apoio para sua conservação. Algumas espécies de primatas podem ser consideradas espécies guarda-chuva, pois quando são protegidas, um grande número de espécies com as quais coexistem em ecossistemas também é conservado.
- São um grupo de interesse para modelos de pesquisa devido à sua mobilidade e capacidade de adaptação a diversas condições ecológicas.
Ameaças à existência dos primatas
As maiores ameaças às espécies de primatas são a perda, deterioração e fragmentação de seus habitats, principalmente devido à mudança no uso do solo para agricultura extensiva e pecuária, exploração madeireira, desenvolvimento de infraestrutura, bem como fatores econômicos como a demanda por florestas e produtos agrícolas, e fatores institucionais como políticas associadas.

Outra grande ameaça é a caça com o propósito de consumir sua carne, bem como para o comércio ilegal de seus espécimes ou partes deles. Doenças, mudanças climáticas e o estabelecimento de estradas e rodovias que fragmentam seus habitats são outros fatores que pressionam negativamente esse grupo de mamíferos. Frequentemente, essas pressões atuam de forma sinérgica, aumentando o declínio das populações.
Embora os efeitos das ameaças sejam medidos por variações em características específicas da espécie (raridade, níveis tróficos, modo de dispersão, biologia reprodutiva, ciclo de vida, dieta e comportamento), a resposta comum em primatas é o declínio populacional.
Desde a década de 1970, o Estado tem elaborado e implementado políticas para contribuir para a melhoria do status das populações das espécies primatas com o maior grau de ameaça. Atualmente, no âmbito da Lei nº 29763, Lei de Florestas e Vida Selvagem, são preparados, aprovados e implementados Planos Nacionais de Conservação, que são instrumentos de gestão para a conservação e gestão sustentável das espécies ameaçadas.
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Espécies emblemáticas no Peru
As espécies de primatas consideradas emblemáticas no Peru são:
- Macaco-de-toco de São Martinho (Plecturocebus oenanthe/Callicebus oenanthe).
- Macaco-lanoso-de-cauda-amarela (Lagothrix flavicauda/Oreonax flavicauda).
- Macaco preto, Macaco de Tumbes (Alouatta palliata aequatorialis)
- Macaco-aranha-de-barriga-amarela (Ateles belzebuth).
- Macaco-aranha-preto, maquisapa (Ateles chamek).
- Macaco lanoso-cinzento (Lagothrix lagothricha tschudii/Lagothrix cana).
- Macaco-lanoso-comum (Lagothrix lagothricha lagotricha).
- Pichico de barriga laranja (Saguinus labiatus labiatus).
- Macaco berrador vermelho (Alouatta seniculus).
- Macaco noturno andino ou musmuqui (Aotus miconax).
- Macaco Huapo vermelho (Cacajao calvu).
- Macaco do Toco do Colar (Callicebus torquatus/Callicebus lucifer).
- Macaco Pichico Falso de Goeldi (Callimico goeldii).
- Macaco lanoso de Poeppigi (Lagothrix lagothricha poeppigii/Lagothrix poeppigii).
- Macaco-Pichico de manto dourado (Leontocebus tripartitus/Saguinus tripartitus).
*Com informações da Agência Andina/Editora Perú
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