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Justiça Federal determina envio da Força Nacional para conter invasão em terra indígena no Pará

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Justiça Federal determina envio da Força Nacional para conter invasão em terra indígena no Pará

Servidores da Funai tentam conciliar retirada de invasores do interior da Terra Indígena Ituna-Itatá, no Pará. Foto: Reprodução/O Globo

A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal determinou que a União e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) enviem equipes da Força Nacional de Segurança Pública para conter uma invasão em massa na Terra Indígena Ituna-Itatá, no Pará. A área, localizada entre os municípios de Altamira e Senador José Porfírio, é reservada para a proteção de povos indígenas isolados e está sob regime rígido de restrição de entrada.

A decisão também estabeleceu multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento e determinou a intimação pessoal e imediata do ministro da Justiça e Segurança Pública e da presidência da Funai. O pedido de urgência feito pelo MPF teve como base relatórios de fiscalização da própria Funai produzidos este mês.

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Os documentos apontaram uma escalada rápida de invasões ilegais: porteiras foram arrombadas, placas oficiais de demarcação foram arrancadas e acessos clandestinos foram abertos com uso de motosserras, foices e tratores para a divisão de lotes ilegais.

Em uma das vistorias, os fiscais localizaram um acampamento com cerca de 100 pessoas, dezenas de veículos e fogos de artifício usados para comemorar a invasão da terra. Havia ainda relatos de que outros 100 invasores avançavam para o interior da floresta.

Barraca de um dos invasores da Terra Indígena Ituna-Itatá. Foto: Reprodução/O Globo

Sem o apoio policial da Força Nacional — cujo termo de atuação havia vencido em julho sem renovação —, a equipe de servidores da Funai ficou vulnerável e sem condições de impedir a ocupação. Segundo o MPF, a falta de segurança colocava em risco a vida dos servidores e a própria sobrevivência dos povos indígenas em isolamento voluntário.

“A ausência de resposta rápida aniquilaria os direitos desses grupos, que dependem do isolamento total para não serem exterminados por conflitos ou doenças”, registrou a ação.

O avanço dos invasores se intensificou após a publicação de uma lei estadual (Lei nº 11.665/2026) que criou a Área de Proteção Ambiental (APA) Bacajaí. O mapa da APA coincidia exatamente (100% de sobreposição) com os 142 mil hectares da Terra Indígena Ituna-Itatá.

Ao analisar o caso, a Justiça Federal acolheu a tese do MPF e declarou que a lei estadual não pode ser aplicada à área. A Justiça destacou que a criação de uma APA estadual — modelo que admite a presença e ocupação de particulares — é incompatível com a proteção de terras públicas federais destinadas a povos isolados, cuja competência de proteção e demarcação é exclusiva da União (conforme os artigos 20 e 231 da Constituição).

Leia também: Aumento de conflitos territoriais refletiu cenário de ataques aos direitos indígenas em 2025

O que pede a decisão

Pela decisão urgente (liminar), União e Funai devem adotar conjuntamente:

  • Em até 48 horas: mobilizar efetivo suficiente da Força Nacional para bloquear acessos clandestinos, garantir a segurança dos servidores da Funai e iniciar a retirada de todos os ocupantes ilegais.
  • Em até cinco dias: apresentar em juízo o plano detalhado da operação, incluindo efetivo enviado, pontos bloqueados e o cronograma de expulsão dos invasores.
  • Proteção absoluta aos isolados: adotar protocolos rigorosos para evitar qualquer aproximação ou contato indevido com os indígenas isolados durante as ações de fiscalização.
Terra indígena Ituna-Itatá
Terra Indígena Ituna-Itatá. Foto: Reprodução/Greenpeace

Terra indígena Ituna-Itatá

A TI Ituna-Itatá abriga registros de indígenas isolados do grupo Igarapé Ipiaçava que vivem sem contato com a sociedade. Por lei, essas áreas recebem portarias de restrição de uso, que proíbem o ingresso, a exploração econômica e a permanência de pessoas não autorizadas.

O pedido do MPF foi apresentado pelo procurador regional da República Felício Pontes Jr, que alertou para o perigo iminente de genocídio dos indígenas isolados e de destruição de mais de 142 mil hectares de floresta amazônica.

O MPF demonstrou que condicionar a proteção do território a um prazo de 180 dias premiava invasores armados, que vinham pressionando os limites da reserva e dificultando o trabalho de campo dos servidores da Funai.

O órgão destacou ainda a atuação de organizações como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi) e a Defensoria Pública da União (DPU), que denunciaram tentativas recentes de reocupação irregular da área.

*Com informações do MPF

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