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Além de Anitta: toadas que citam povos indígenas da Amazônia reforçam presença e resistência

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Além de Anitta: toadas que citam povos indígenas da Amazônia reforçam presença e resistência

Foto: Reprodução/ONU Direitos Humanos

A música ‘OKE’, da cantora Anitta, chamou a atenção para a presença dos povos indígenas na música brasileira. A letra reúne referências de diferentes etnias e utiliza elementos ligados à ancestralidade e à resistência dos povos originários. 

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Na Amazônia, essa presença na música não é recente. Há anos, as toadas dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido transformam histórias, territórios, costumes e referências indígenas em parte fundamental do espetáculo que é apresentado anualmente em Parintins, no Amazonas.

Os dois bois já homenagearam povos indígenas de diferentes regiões da Amazônia e do Brasil. Em suas letras, os compositores citam comunidades, guerreiros, mulheres indígenas, artesãos, rios, territórios e saberes tradicionais. 

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toadas que citam os povos indígenas da Amazônia
Indígenas Apurinã. Foto: Reprodução/Facebook-@Indigenasdobrasil

Conheça seis toadas que citam povos indígenas da Amazônia

Pachamama’, do Boi Caprichoso

A toada ‘Pachamama’, do Boi Caprichoso, composta por Geovane Bastos e Adriano Aguiar, faz uma homenagem aos povos indígenas e à relação entre os habitantes da floresta e a natureza. Nos versos, a composição apresenta os povos como “bravos canoeiros” e “grandes caçadores”, fazendo referência aos rios, vales e montanhas da Amazônia.

“Das águas, bravos canoeiros
Dos vales e montanhas, grandes caçadores
Virão dançar
Aclamando a Mãe Terra
Kanamari – Kachinauá – Yanomami – Zuruahá
Bará – Macu – Mura – Matis – Juma – Corubo – Erickbátsa
Onaiê… Onaiê…Onaiê…Onaiê”.

A letra cita os seguintes povos:

  • Kanamari (região do Vale do Javari e os rios Itaquaí e Juruá, no Amazonas),
  • Kachinauá ( Acre e Peru),
  • Yanomami (Roraima, Amazonas e sul da Venezuela),
  • Zuruahá (rio Purus, no Amazonas),
  • Bará (rio Uaupés, Amazônia),
  • Maku (Brasil e Colômbia no noroeste da Amazônia),
  • Mura (rios Madeira, Amazonas e Purus, no estado do Amazonas),
  • Matis (Vale do Javari, no sudoeste do estado do Amazonas),
  • Juma (Canutama, no Amazonas),
  • Korubo (Vale do Javari, na fronteira do Amazonas)
  • e Erickbátsa (Mato Grosso).

‘Vidas Indígenas Importam’, do Boi Caprichoso

A luta e a resistência estão presentes na toada Vidas Indígenas Importam’, do Boi Caprichoso, composta por Thais Kokama.

“Maracá! Witoto, Kokama,
Ticuna, Baré, Sateré Mawé
Povos vão dançar!
Eu levanto o meu maracá
Derequine, Mapa, Awiá,
Yawaratsuni, Yrá
Por vidas vamos lutar”.

A letra cita os seguintes povos:

  • Witoto ou Uitoto (Colômbia, no Peru e no Brasil),
  • Kokama (Alto e Médio rio Solimões, no estado do Amazonas, além de áreas na Colômbia e no Peru),
  • Tikuna (Alto Solimões, Amazonas),
  • Baré (Noroeste Amazônico, nas margens do Rio Negro, do Rio Xié e do Rio Içana, no Amazonas, além de áreas na Venezuela)
  • e Sateré-Mawé (região do Rio Negro, Amazonas).

‘Vale do Javari’, do Boi Caprichoso

A região do Vale do Javari é o centro da toada ‘Vale do Javari’, composta por Ronaldo Barbosa e João Melo Faria para o Boi Caprichoso.

“Javari Ituí
Javari Curuçá
Javari Itaquaí
Bacia dos belos Matsuí
Berço bravo dos Mayoruna-Curuçá
Sina feliz dos Kulina Itaquaí
Braço forte dos Marubo Javari
Cacete de morte dos Kixitos Kaniuá, ah, ah, ah
Pelo riso dos Matis
Pelo viço dos Kulinas
Pela arte dos Marubos
Pelo cacete dos Korubos
Pelo grito de guerra, ah, ah
Pelo grito de guerra, ah, ah
Dos Kanamarís”.

A canção conta com referências aos rios Javari, Ituí, Curuçá e Itaquaí e a letra cita os seguintes povos:

  • Mayoruna ou Matsés (fronteira entre o Brasil e o Peru, na bacia do rio Javari),
  • Kulina (sudoeste do estado do Amazonas e partes do Acre e do Peru),
  • Marubo (Vale do Javari, no oeste do estado do Amazonas),
  • Kaxixó (isolados na Terra Indígena do Vale do Javari), Matis, Korubo e Kanamari.

Leia também: Toada do Boi Caprichoso, ‘Guerreira das lutas’ reforça resistência feminina e celebra etnias indígenas

Artesãs Indígenas’, do Boi Garantido

A arte produzida por mulheres indígenas é o tema da toada ‘Artesãs Indígenas’, do Boi Garantido. A composição, que destaca conhecimentos tradicionais como a tecelagem, a cerâmica e a arte plumária, é assinada por José Carlos, Geandro Matos, Wanderson Rodrigues e Ulisses Rodrigues.

“Oniwasab’I
Numiã kura, Aminsa, Assai
Yanomami, Wat’Amã
Tecelã Sateré-Mawé
Em suas mãos o tucum e o Arumã
Jamais vão se calar
Ceramistas baniwa
Moldam no barro
A força do povo indígena
Na plumária Hiskariana
Os cocares ganham vida na arte milenar”.

A letra cita os seguintes povos:

  • Yanomami (Roraima, Amazonas e sul da Venezuela),
  • Sateré-Mawé (Terra Indígena Andirá-Marau, na divisa entre o Amazonas e o Pará),
  • Baniwa (Rio Içana e de seus afluentes como Cuiari, Aiairi e Cubate, além da região do Alto Rio Negro no estado do Amazonas)
  • e Hixkaryana (margens dos rios Nhamundá e Jatapu, entre os estados do Amazonas e do Pará).

‘Canto Indígena pela Paz’, do Boi Garantido

A diversidade indígena também está presente em ‘Canto Indígena pela Paz’, composta por Rozinaldo Carneiro, Marlon Brandão e Thaline Karajá para o Boi Garantido.

“Pra que o branco e o indígena
Se tornem irmãos
E que vivam em comunhão
Pelos filhos dos filhos que virão
Urubu-kaapor, sateré-mawé, munduruku
Parintintin, karajá, guarani, arikén, kamaiurá
Uainana, baniwa, tikuna, suyá”.

A letra cita os seguintes povos:

  • Urubu-Kaapor (Terra Indígena Alto Turiaçu, no Maranhão),
  • Sateré-Mawé, Munduruku (bacia do rio Tapajós, nos estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso),
  • Parintintin ou Kagwahiva (Terras Indígenas Ipixuna e Nove de Janeiro, no Amazonas),
  • Karajá (margens e bacias do rio Araguaia, em Mato Grosso, Tocantins e Pará),
  • Guarani (Brasil),
  • Arikén (antigo povo indígena que habitava a região do Vale do Jamari, em Rondônia),
  • Kamaiurá (Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso),
  • Wayana (fronteira entre norte do Pará, o Suriname e a Guiana Francesa),
  • Baniwa, Tikuna e Suyá (Mato Grosso).

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Celebração Tribal’, do Boi Garantido 

A diversidade dos povos indígenas também é retratada na toada ‘Celebração Tribal’, do Boi Garantido, composta por Paulinho Du Sagrado. A composição destaca ritual e ancestralidade ao relacionar diferentes povos originários da Amazônia e do Brasil.

“O sol quando brilha na mata
Clareia o sentido da vida tribal
O clã reverente se curva à casa dos ventos
Pra contemplar Ye’pá’Õakhë
Kamaiurá Andirá Mura Xavante Saterémawé
Kanamary Hixkariana korubo Dessana
Adoração do ritual
A grande Anaconda era canoa dos Waupés
Na longa viagem tocavam tores
Karajá Caiapó Mundurucu Yanomamy
Na celebração na noite de luar
As tribos guerreiras começaram a dançar”.

A letra cita os seguintes povos:

  • Kamaurá, Andirá (Terra Indígena Andirá-Marau, localizada entre os estados do Amazonas e do Pará),
  • Mura, Xavante (Mato Grosso),
  • Sateré-Mawé, Kanamari, Hixkaryana, Korubo, Dessana (região do Alto Rio Negro, no Amazonas e na fronteira com a Colômbia),
  • Karajá, Kayapó (norte de Mato Grosso e o sul do Pará),
  • Munduruku (Amazonas e Pará)
  • e Yanomami (Roraima, Amazonas e sul da Venezuela).

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