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Minerais críticos e estratégicos, o Brasil sem domínio nem estratégia para exploração industrial no curto prazo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Minerais críticos e estratégicos, o Brasil sem domínio nem estratégia para exploração industrial no curto prazo

Terras raras são minerais que compõem um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza. Foto: Amarildo Gomes

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Segundo o IPEA, minerais críticos e estratégicos são aqueles essenciais para a soberania, a economia, a segurança alimentar e a transição energética, cuja oferta pode estar sujeita a riscos de abastecimento, seja por concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica ou limitações tecnológicas. É importante destacar que o conceito de minerais críticos e estratégicos varia de acordo com cada país. Particularmente, os elementos Terras Raras são o conjunto de 17 elementos químicos presentes na tabela periódica, sendo 15 deles da família dos lantanídeos mais escândio e ítrio. Ocorrem em minerais como monazita, xenotima, bastnasita, argilas iônicas, dentre outros.

Quanto aos minerais estratégicos, o IPEA define como “aqueles essenciais para o desenvolvimento econômico dos países e que tenham importância pela sua aplicação em produtos e processos de alta tecnologia, defesa e transição energética”. O suprimento de minerais críticos pode envolver riscos por diferentes questões, como limitações de reservas e produção que afetem a economia do país. A relação de minerais críticos ou estratégicos varia para cada país.

Para o Brasil, por exemplo, pode-se considerar críticos insumos minerais na produção de fertilizantes amplamente utilizados na agricultura, que é um setor chave na nossa economia. Devido às suas propriedades magnéticas, ópticas e elétricas terras raras são essenciais na fabricação de produtos de tecnologias avançadas tais como ímãs de alta performance, baterias, catalisadores, notebooks e smartphones. São fundamentais em diversos sistemas e equipamentos militares como mísseis, drones, submarinos nucleares, caças supersônicos, radares e sistemas de orientação de armas guiadas, blindagens avançadas.

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Terras raras são minerais que compõem um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

Minerais críticos e estratégicos apresentam alto risco de escassez e/ou dependência externa devido às cadeias de suprimentos serem vulneráveis a interrupções devido a fatores como restrições associadas a risco político estrangeiro, crescimento abrupto da demanda, conflito militar, comportamento anticompetitivo ou protecionista e outros riscos ao longo da cadeia de suprimentos.

Além de seus usos tradicionais relacionados à mineração, suas aplicações estão diretamente ligadas à transição energética, à digitalização, à defesa e à indústria de alta tecnologia (lítio, cobalto, grafita, terras raras, níquel, nióbio); baterias de íon-lítio (lítio, níquel, cobalto, grafita, manganês), veículos elétricos (lítio, terras raras, cobre, níquel, alumínio), turbinas eólicas (terras raras como neodímio e disprósio para ímãs permanentes), painéis solares fotovoltaicos (silício, prata, índio, telúrio); smartphones, computadores e tablets (terras raras, tântalo, lítio, estanho), semicondutores e chips (gálio, germânio, silício), data centers e infraestrutura de internet (cobre, níquel, grafita, satélites e equipamentos espaciais (terras raras, lítio, berílio), blindagens e ligas especiais (níquel, manganês), redes elétricas e transmissão (cobre, alumínio), robótica e automação industrial (titânio, alumínio), equipamentos médicos de alta precisão, fertilizantes (potássio, fósforo), micronutrientes agrícolas (zinco, manganês).

De acordo com estudo do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), as terras raras não são apenas um recurso mineral; mas um dos fundamentos materiais da economia do século XXI. O Brasil possui a segunda maior dotação geológica do mineral, atrás da China, incluindo depósitos estratégicos de terras raras pesadas associados a argilas de adsorção iônica, e está entre os poucos países com potencial para contribuir de forma relevante para a diversificação das cadeias globais de suprimento de minerais críticos.

Leia também: Terras Raras, o novo petróleo, elemento fundamental à inserção do Brasil no mundo da alta tecnologia do século XXI

Brasil tem grande potencial de minerais, inclusive do grupo de Terras Raras.
Brasil tem grande potencial de terras raras. Foto: Reprodução/Minera Jr.

Entretanto, participa com parcela reduzida da produção global e praticamente não possui presença nos segmentos de maior valor agregado da cadeia, como separação química, refino, metalurgia, ligas especiais e ímãs permanentes. O contexto internacional, saliente-se, a propósito, é marcado pela crescente competição por minerais críticos essenciais para a transição energética, defesa, tecnologias digitais, inteligência artificial e segurança econômica.

Não obstante suas privilegiados reservas, incluindo depósitos estratégicos de terras raras associados a argilas de adsorção iônica, o Brasil participa com parcela reduzida da produção global e praticamente não possui presença nos segmentos de maior valor agregado da cadeia, como separação química, refino, metalurgia, ligas especiais e ímãs permanentes. O contexto internacional é marcado pela crescente competição por minerais críticos essenciais para a transição energética, defesa, tecnologias digitais, inteligência artificial e segurança econômica.

Nesse cenário, a consolidação de capacidades nacionais ao longo da cadeia produtiva de terras raras passa a representar não apenas uma oportunidade econômica, mas também um tema de relevância estratégica para o desenvolvimento nacional. A maioria dos estudos técnicos são conclusivos: a questão central para o Brasil não é a disponibilidade de recursos, mas a definição dos elos da cadeia nos quais o país pretende construir vantagens competitivas e as capacidades tecnológicas, industriais e institucionais necessárias para capturar valor econômico e estratégico.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista.

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