Terras raras são minerais que compõem um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza. Foto: Amarildo Gomes
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Segundo o IPEA, minerais críticos e estratégicos são aqueles essenciais para a soberania, a economia, a segurança alimentar e a transição energética, cuja oferta pode estar sujeita a riscos de abastecimento, seja por concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica ou limitações tecnológicas. É importante destacar que o conceito de minerais críticos e estratégicos varia de acordo com cada país. Particularmente, os elementos Terras Raras são o conjunto de 17 elementos químicos presentes na tabela periódica, sendo 15 deles da família dos lantanídeos mais escândio e ítrio. Ocorrem em minerais como monazita, xenotima, bastnasita, argilas iônicas, dentre outros.
Quanto aos minerais estratégicos, o IPEA define como “aqueles essenciais para o desenvolvimento econômico dos países e que tenham importância pela sua aplicação em produtos e processos de alta tecnologia, defesa e transição energética”. O suprimento de minerais críticos pode envolver riscos por diferentes questões, como limitações de reservas e produção que afetem a economia do país. A relação de minerais críticos ou estratégicos varia para cada país.
Para o Brasil, por exemplo, pode-se considerar críticos insumos minerais na produção de fertilizantes amplamente utilizados na agricultura, que é um setor chave na nossa economia. Devido às suas propriedades magnéticas, ópticas e elétricas terras raras são essenciais na fabricação de produtos de tecnologias avançadas tais como ímãs de alta performance, baterias, catalisadores, notebooks e smartphones. São fundamentais em diversos sistemas e equipamentos militares como mísseis, drones, submarinos nucleares, caças supersônicos, radares e sistemas de orientação de armas guiadas, blindagens avançadas.
📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Minerais críticos e estratégicos apresentam alto risco de escassez e/ou dependência externa devido às cadeias de suprimentos serem vulneráveis a interrupções devido a fatores como restrições associadas a risco político estrangeiro, crescimento abrupto da demanda, conflito militar, comportamento anticompetitivo ou protecionista e outros riscos ao longo da cadeia de suprimentos.
Além de seus usos tradicionais relacionados à mineração, suas aplicações estão diretamente ligadas à transição energética, à digitalização, à defesa e à indústria de alta tecnologia (lítio, cobalto, grafita, terras raras, níquel, nióbio); baterias de íon-lítio (lítio, níquel, cobalto, grafita, manganês), veículos elétricos (lítio, terras raras, cobre, níquel, alumínio), turbinas eólicas (terras raras como neodímio e disprósio para ímãs permanentes), painéis solares fotovoltaicos (silício, prata, índio, telúrio); smartphones, computadores e tablets (terras raras, tântalo, lítio, estanho), semicondutores e chips (gálio, germânio, silício), data centers e infraestrutura de internet (cobre, níquel, grafita, satélites e equipamentos espaciais (terras raras, lítio, berílio), blindagens e ligas especiais (níquel, manganês), redes elétricas e transmissão (cobre, alumínio), robótica e automação industrial (titânio, alumínio), equipamentos médicos de alta precisão, fertilizantes (potássio, fósforo), micronutrientes agrícolas (zinco, manganês).
De acordo com estudo do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), as terras raras não são apenas um recurso mineral; mas um dos fundamentos materiais da economia do século XXI. O Brasil possui a segunda maior dotação geológica do mineral, atrás da China, incluindo depósitos estratégicos de terras raras pesadas associados a argilas de adsorção iônica, e está entre os poucos países com potencial para contribuir de forma relevante para a diversificação das cadeias globais de suprimento de minerais críticos.
Leia também: Terras Raras, o novo petróleo, elemento fundamental à inserção do Brasil no mundo da alta tecnologia do século XXI

Entretanto, participa com parcela reduzida da produção global e praticamente não possui presença nos segmentos de maior valor agregado da cadeia, como separação química, refino, metalurgia, ligas especiais e ímãs permanentes. O contexto internacional, saliente-se, a propósito, é marcado pela crescente competição por minerais críticos essenciais para a transição energética, defesa, tecnologias digitais, inteligência artificial e segurança econômica.
Não obstante suas privilegiados reservas, incluindo depósitos estratégicos de terras raras associados a argilas de adsorção iônica, o Brasil participa com parcela reduzida da produção global e praticamente não possui presença nos segmentos de maior valor agregado da cadeia, como separação química, refino, metalurgia, ligas especiais e ímãs permanentes. O contexto internacional é marcado pela crescente competição por minerais críticos essenciais para a transição energética, defesa, tecnologias digitais, inteligência artificial e segurança econômica.
Nesse cenário, a consolidação de capacidades nacionais ao longo da cadeia produtiva de terras raras passa a representar não apenas uma oportunidade econômica, mas também um tema de relevância estratégica para o desenvolvimento nacional. A maioria dos estudos técnicos são conclusivos: a questão central para o Brasil não é a disponibilidade de recursos, mas a definição dos elos da cadeia nos quais o país pretende construir vantagens competitivas e as capacidades tecnológicas, industriais e institucionais necessárias para capturar valor econômico e estratégico.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista.
O post Minerais críticos e estratégicos, o Brasil sem domínio nem estratégia para exploração industrial no curto prazo apareceu primeiro em Portal Amazônia.

