Vassoura-de-bruxa reduz cultivo, mas cupuaçu ainda garante sustento de famílias em Presidente Figueiredo. Foto: Reprodução/Rede Amazônica
Presidente Figueiredo, no Amazonas, já foi referência na produção de cupuaçu. Hoje, a área cultivada caiu para pouco mais de 55 hectares por causa da doença conhecida como vassoura-de-bruxa. Durante a safra, agricultores despolpam o fruto e congelam a polpa para garantir renda ao longo do ano. Balas somem rápido das prateleiras. O mesmo acontece com o licor e o tradicional salame da fruta.
Para atender à demanda, as doceiras Carmem Ribeiro e Maria Aparecida intensificam a produção e aproveitam cada quilo de polpa armazenado. A atividade garante renda durante o ano inteiro, mas cresce ainda mais no período da Festa do Cupuaçu, quando a fabricação praticamente triplica.
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Maria Aparecida conta que já produziu bastante e corre para concluir encomendas antes da festa. Carmem Ribeiro confirma o aumento da procura.
“Muito trabalho, mas a gente produz e vende bastante. Todas as pessoas querem as balas nesse período”, reforça.
Por trás das iguarias está uma história de resistência. O cupuaçu, fruto tradicional da Amazônia, já teve grandes plantações em municípios como Presidente Figueiredo, Itacoatiara, Manacapuru e Autazes. Mas a vassoura-de-bruxa, doença causada por fungo, destruiu boa parte dos pomares.
O agricultor Withan Silva Laborda lembra que o cupuaçu já foi o carro-chefe da produção. Com a doença, houve queda e muitos deixaram de replantar, passando apenas a comercializar o que restava nas propriedades.
Hoje, agricultores apostam em espécies mais resistentes. Na propriedade de Alex Xavier, os cupuaçuzeiros já passam de três metros de altura. A expectativa é colher cerca de 650 quilos de polpa nesta safra.
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Agricultores de cupuaçu no município

Segundo a Secretaria Municipal de Agricultura, Presidente Figueiredo tem hoje 98 agricultores cultivando a fruta em 55 hectares. Nas safras de 2025 e 2026, foram colhidas cerca de 165 toneladas, o equivalente a 63 toneladas de polpa. Os números mostram que a produção segue importante para o município, mas ainda está longe do potencial registrado décadas atrás.
O secretário de Produção Rural, Jean Barros, explica que já existem variedades resistentes e que há parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para fornecimento de material genético e mudas. Neste ano, a Secretaria de Produção Rural comprou mil quilos de polpa de cupuaçu e distribuiu para seis doceiras cadastradas. A medida garante matéria-prima e ajuda a preservar um dos sabores mais tradicionais da Amazônia.
*Por Francisco Carioca, da Rede Amazônica AM
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