Últimas

Amazonas é o segundo estado do país com maior risco ambiental e climático para crianças, diz Unicef

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Amazonas é o segundo estado do país com maior risco ambiental e climático para crianças, diz Unicef

Seca em Rondônia, 2023. Foto: Tiago Frota/Rede Amazônica RO

O Amazonas é o segundo estado do Brasil mais vulnerável a riscos ambientais e climáticos para a infância e a adolescência, aponta o estudo “Painel Painel Crianças e Meio Ambiente” publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em parceria com a organização Vital Strategies. O levantamento avalia a exposição de crianças a cenários de secas severas, ondas de calor, fumaça de queimadas e falta de saneamento básico.

No ranking nacional de vulnerabilidade, o Amazonas fica atrás apenas do Pará, compondo o bloco de emergência máxima no país. Segundo os dados, 42,4% dos municípios amazonenses apresentam 10 ou mais indicadores no nível crítico de alerta, o patamar mais alto de gravidade do indicador.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Entre as principais ameaças identificadas no interior do estado estão a oscilação extrema dos rios, que isola comunidades, paralisa o transporte escolar e dificulta o acesso à água potável, além da poluição do ar gerada pelas queimadas sazonais e o histórico déficit de esgotamento sanitário.

Segundo a Unicef, vulnerabilidade do estado decorre da sobreposição de crises ambientais e estruturais que afetam diretamente a saúde e o desenvolvimento de meninos e meninas. No interior, a rápida e violenta oscilação nos níveis dos rios atinge em cheio as calhas do Rio Negro, Solimões e Juruá, onde o isolamento provocado pelas secas históricas paralisa o transporte escolar, interrompe o abastecimento de água potável e impede o acesso a serviços básicos de saúde.

Esse cenário é agravado pela degradação da qualidade do ar provocada pelas queimadas sazonais, que atingem com severidade os municípios do sul e do oeste amazonense e disparam os índices de internações pediátricas por problemas respiratórios.

Ainda de acordo com o estudo, o cenário soma-se a crise climática um histórico déficit sanitário: a falta de saneamento básico e o esgotamento sanitário inadequado nas comunidades do interior mantêm a população infantil em constante exposição a Doenças de Veiculação Hídrica (DVH).

Leia também: Amazonas concentra 18% das áreas sob risco de desmatamento na Amazônia previsto para 2026, aponta PrevisIA

Situação em Manaus

Apesar de o interior registrar proporções mais severas de falta de infraestrutura básica, Manaus concentra o maior volume absoluto de crianças e adolescentes em situação de risco no estado. Cerca de 31,8% da população da capital tem entre 0 e 17 anos e vive sob alerta alto em metade dos indicadores ambientais analisados.

seca gera risco em manaus
Rio Negro em Manaus, 2023. Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM

De acordo com o mapeamento, o cenário na capital é agravado por fatores urbanos:

  • Ilhas de calor e escolas desprotegidas: metade das unidades de ensino e creches na capital está localizada em áreas com alto estresse térmico e pouca ou nenhuma arborização.
  • Poluição e queimadas: no período de estiagem, a fumaça de queimadas na Região Metropolitana se acumula sobre a cidade, elevando os casos de problemas respiratórios infantis.
  • Eventos extremos: a ocorrência de alagamentos por chuvas intensas e o adensamento populacional em áreas de risco, como encostas e margens de igarapés, aumentam a exposição das crianças a acidentes e doenças de veiculação hídrica.

Como funcionam os indicadores de risco do estudo

O mapeamento combina dados oficiais de órgãos de saúde, meio ambiente e saneamento para avaliar a exposição dos municípios a riscos socioambientais em três patamares de gravidade. Quanto maior o acúmulo de indicadores classificados no nível 3 de forma simultânea, mais crítica é a posição do município no ranking de urgência para a infância.

Escala de gravidade em três patamares:

  • Nível 3: Significa que a cidade demanda atenção imediata e priorizada;
  • Nível 2: Para o qual se recomenda planejamento e adoção progressiva de medidas no curto a médio prazo;
  • Nível 1: Baixa prioridade, que demanda monitoramento contínuo, sem necessidade de intervenção emergencial.

Emergência na Região Norte

A Região Norte lidera os índices de vulnerabilidade no país. Além de Pará e Amazonas, o estado do Acre aparece na 3ª colocação nacional. Juntos, os três estados concentram as maiores taxas de municípios em que a sobreposição de crises ambientais e falta de serviços essenciais ameaça diretamente a saúde e o desenvolvimento de meninos e meninas.

Em nota, o Unicef ressalta a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à adaptação climática com foco na infância, priorizando investimentos em saneamento resiliente, arborização de espaços escolares e proteção social para famílias afetadas por eventos climáticos extremos.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

O post Amazonas é o segundo estado do país com maior risco ambiental e climático para crianças, diz Unicef apareceu primeiro em Portal Amazônia.

Amazonas é o segundo estado do país com maior risco ambiental e climático para crianças, diz Unicef — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado