Samuel Benchimol em sua posse na Academia Amazonense de Letras. Foto: Reprodução/Pioneiros USP
Samuel Isaac Benchimol foi um dos intelectuais e empresários de maiores destaques da história do Amazonas. Professor, pesquisador, escritor e fundador do grupo Bemol/Fogás, dedicou sua vida a pensar o desenvolvimento da Amazônia, defendendo um modelo que conciliasse crescimento econômico, preservação ambiental e inclusão social.
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Nascido em Manaus (AM), no dia 13 de julho de 1923, Samuel era filho de Isaac Israel Benchimol e Nina Siqueira Benchimol. De acordo com informações da Universidade de São Paulo (USP), descendia de uma família de judeus marroquinos que se estabeleceu na Amazônia ainda no século XIX, graças a seu avô que atuava como comerciante ambulante pelo rio Tapajós.
A infância de Samuel foi marcada pelas dificuldades econômicas enfrentadas pela família durante a crise da borracha. Em 1926, seu pai, Isaac Benchimol, mudou-se com a esposa e os filhos para os seringais do rio Abunã, em uma tentativa de salvar os negócios ligados à extração de látex.
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A carreira de Samuel Benchimol

Após perderem o patrimônio, a família retornou a Manaus no início da década de 1930, período em que Samuel passou a conciliar estudo e trabalho, desenvolvendo desde cedo a disciplina e a dedicação que marcariam sua trajetória. Segundo a USP, em 1942, ao lado do irmão Israel, fundou a Benchimol & Irmão, empresa de representações comerciais que daria origem à Bemol.
Nas décadas seguintes, expandiu os negócios, criou as lojas Bemol e consolidou a Fogás como uma das principais distribuidoras de gás da região Norte.
Além disso, Samuel também participou da estruturação da Zona Franca de Manaus (ZFM), defendendo o modelo como instrumento de desenvolvimento econômico para a Amazônia.
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Na área acadêmica, segundo registros da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Samuel Benchimol foi professor emérito da instituição, onde lecionou por mais de 50 anos e criou a disciplina ‘Iniciação à Amazônia’, voltada ao estudo da história, economia, geografia e cultura amazônicas.
Ele também disponibilizou para a universidade documentos históricos da Torre do Tombo e do Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa (Portugal), reunindo registros sobre a ocupação e colonização da Amazônia ao longo de quase cinco séculos. Como pesquisador e escritor, produziu livros, ensaios, artigos e teses sobre a Amazônia.
Defesa ao desenvolvimento da Amazônia
De acordo com o professor Jacques Marcovitch, da USP, com essa vasta atuação, Samuel Benchimol foi um dos mais ativos pioneiros empresariais do Brasil e deixou uma obra intelectual que antecipou debates sobre desenvolvimento sustentável. Entre seus principais livros está ‘Amazônia: Um Pouco-Antes e Além-Depois‘, lançado em 1997.
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Ainda segundo Jacques Marcovitch, Benchimol defendia que o desenvolvimento da Amazônia deveria estar fundamentado em quatro pilares:
- viabilidade econômica,
- adequação ecológica,
- equilíbrio político
- e justiça social.
Para ele, era fundamental promover a integração da região ao restante do país sem abrir mão da preservação ambiental e da valorização da população amazônica.
Conforme destacou a professora Therezinha Fraxe, também da UFAM, Samuel Benchimol “foi um educador comprometido com a formação crítica de seus alunos, um pesquisador rigoroso e um amazonólogo que dedicou sua trajetória à defesa da biodiversidade, da cultura, da economia e da história da Amazônia”. Em suas reflexões, reforçava constantemente que o desenvolvimento da região deveria colocar o homem amazônico no centro das políticas públicas e das estratégias econômicas.
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Contribuição atemporal
Com sua trajetória marcada pela valorização da Amazônia, Samuel Benchimol também deixa marcado em seu legado o título de um prêmio que reconhece pessoas, instituições e projetos dedicados ao desenvolvimento sustentável da região: os Prêmios Professor Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente.
Em 2026, o Prêmio Professor Samuel Benchimol selecionará três propostas vencedoras que receberão R$ 20 mil cada para aplicação no desenvolvimento dos projetos. Já a categoria honorífica reconhecerá personalidade que se destacou pela contribuição efetiva ao desenvolvimento da região amazônica, reforçando a importância da inovação, do empreendedorismo e da produção de conhecimento voltados aos desafios e oportunidades da Amazônia. Conheça o prêmio AQUI.
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