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Esporte bretão? Documentário reacende debate sobre origem do futebol e envolvimento do Amazonas

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Esporte bretão? Documentário reacende debate sobre origem do futebol e envolvimento do Amazonas

Capa do documentário ‘Amazonas: O jogo da bola’ que fala sobre uma possível origem do futebol no Amazonas. Foto: Reprodução/Amazonas: O jogo da bola

Em toda Copa do Mundo de Futebol o esporte passa a ser o centro das atenções. Conhecido como o “esporte bretão” por ter suas regras modernas oficializadas na Inglaterra, em 1863, o futebol também inspira uma reflexão apresentada no documentário amazonense ‘Amazonas: O Jogo da Bola’: será que a história desse esporte começou apenas na Grã-Bretanha?

Dirigido pelo cineasta amazonense Chicão Fill, nome artístico de Francisco Filho, o longa-metragem reúne cerca de dez anos de pesquisas e apresenta documentos, relatos históricos e entrevistas que buscam mostrar a relação da Amazônia com uma das práticas esportivas mais populares do planeta.

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A produção parte de um registro feito em 1744, na então Vila de Ega — atual município de Tefé, no Amazonas —, onde o cientista e explorador francês Charles-Marie de La Condamine descreveu indígenas do povo Kambeba praticando um jogo com uma bola produzida a partir do látex extraído da seringueira.

O documentário explica que esse é um dos registros mais antigos conhecidos de um jogo semelhante ao futebol em território brasileiro. Segundo a narrativa da obra, a bola confeccionada com borracha natural chamava a atenção dos europeus pela capacidade de quicar, característica incomum para a época. O relato passou a integrar estudos sobre a história dos jogos com bola e serve como ponto de partida para discutir a participação da Amazônia na trajetória desse esporte.

Embora a história oficial reconheça a Inglaterra como berço do futebol moderno, devido à criação das regras pela Football Association em 1863, o filme não pretende contestar esse marco histórico. A proposta é ampliar o debate sobre práticas semelhantes ao futebol existentes muito antes da codificação do esporte e mostrar que registros históricos encontrados na Amazônia fazem parte dessa discussão.

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Da floresta à Revolução Industrial

Além dos aspectos históricos, ‘Amazonas: O Jogo da Bola’ estabelece uma conexão entre a floresta amazônica, a borracha e o desenvolvimento do futebol moderno. O filme destaca que o látex extraído da seringueira, utilizado pelos povos indígenas para fabricar bolas elásticas, tornou-se um dos produtos mais importantes do mundo durante a Revolução Industrial.

Com o desenvolvimento do processo de vulcanização, patenteado por Charles Goodyear em 1844, a borracha ganhou resistência e elasticidade, permitindo sua utilização em larga escala pela indústria. Entre os diversos produtos fabricados com esse material estavam as bolas utilizadas em modalidades esportivas, incluindo o futebol.

Dessa forma, o documentário demonstra como a matéria-prima produzida na Amazônia contribuiu para a evolução dos equipamentos esportivos e para a consolidação da modalidade praticada atualmente.

A produção também apresenta a importância histórica de Tefé, município localizado na região do Médio Solimões. Conhecida no período colonial como Vila de Ega, a cidade foi ponto de passagem de naturalistas, exploradores e cientistas europeus interessados em estudar a biodiversidade amazônica e os conhecimentos dos povos indígenas.

Foi nesse cenário que La Condamine registrou, em 1744, o jogo praticado pelos Kambeba com uma bola feita de látex, episódio que se tornou o eixo central do documentário.

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Imagem em Preto e Branco mostra Vila de Eva onde jogo parecido com futebol foi registrado
Foto: Reprodução/Amazonas – O Jogo da Bola

O futebol no Amazonas

Para reconstruir essa trajetória, Chicão Fill reuniu especialistas de diferentes áreas. Entre os entrevistados estão o escritor, jornalista e dramaturgo Márcio Souza; o historiador Gaspar Vieira Neto, autor do livro “Memórias do Esporte Bretão Caboclo”; o jornalista e pesquisador Mário Adolfo; o escritor Tenório Telles; o cronista esportivo Carlos Zamith; além de pesquisadores, professores, ex-jogadores e dirigentes esportivos que contextualizam a formação do futebol no Amazonas e sua relação com a história da região.

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Com aproximadamente 80 minutos de duração, o documentário percorre desde os relatos de La Condamine até a consolidação do futebol amazonense, abordando o surgimento dos clubes locais, a evolução da modalidade no estado e a construção da Arena da Amazônia para a Copa do Mundo de 2014. A obra também foi reconhecida internacionalmente ao conquistar o prêmio de Melhor Documentário no Festival Internacional Art & Tur, em Portugal.

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