Feijó liderou as ocorrências no estado com 11 focos registrados. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC
O Acre registrou 41 focos de queimadas entre 1º de janeiro e 30 de junho deste ano, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número representa uma redução de 43% em relação ao mesmo período em 2025, quando foram contabilizados 72 focos.
Contudo, com a chegada do verão amazônico, a tendência é de aumento: Apenas nos 10 primeiros dias de julho, mais 23 focos foram registrados, chegando a 64 no total, até a tarde do dia 10 de junho.
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O monitoramento do Inpe é feito por sensores a bordo de satélites meteorológicos e de recursos terrestres. Os satélites captam a temperatura da superfície e, ao identificarem um forte pico de calor, um algoritmo registra o local como um foco de queimada.
De acordo com o painel do Inpe neste ano, Feijó foi o município acreano com o maior número de registros no primeiro semestre, com 11 focos, o equivalente a 26,8% do total no estado.
Na sequência aparecem Cruzeiro do Sul e Tarauacá, com cinco focos cada, correspondendo a 12,2% do total.
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Além disso, Rodrigues Alves registrou quatro focos de queimadas (9,8%). Já a capital, Rio Branco e Santa Rosa do Purus no Vale do Juruá, tiveram três ocorrências cada, representando 7,3% do total. Contudo, a tendência é de aumento com o início do período de estiagem na região.
Os menores números foram em Epitaciolândia, Mâncio Lima e Porto Walter que contabilizaram dois focos cada, o equivalente a 4,9% dos registros. Acrelândia, Assis Brasil, Jordão e Sena Madureira fecharam a lista com um foco de queimadas cada, correspondendo a 2,4% do total estadual.
Focos de queimada na capital
Apesar do resultado final baixo, os dados da Defesa Civil de Rio Branco mostram que o número de queimadas na capital acreana foi maior do que os registros no balanço do Inpe. Em entrevista, o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, informou que até esta sexta, a capital teve 80 focos de queimadas, que corresponde a 7% do estado.
Ainda assim, o numero está 45,5% menor que o registrado no mesmo período do ano passado, quando 147 focos foram catalogados, o equivalente, conforme a Defesa Civil, a 10,2% do total estadual. Historicamente, o período com mais queimadas ocorre a partir do segundo semestre, durante o verão amazônico, quando há redução das chuvas e aumento de limpeza de áreas com uso do fogo.

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Segundo Falção, o plano de contingência para o período de queimadas já está em execução. Ele explicou que as ações envolvem medidas preventivas, combate aos incêndios e atuação integrada.
“Cada órgão já executa suas ações. A Defesa Civil tem o plano de queimadas, a Secretaria de Meio Ambiente e o Corpo de Bombeiros que já atua no controle do fogo. As ações estão sendo colocadas em prática tanto individualmente por cada órgão quanto de forma integrada”, afirmou.

Conforme a professora da Ufac e especialista em queimadas, incêndios florestais e qualidade do ar na Amazônia, Sonaira Silva, a influência do fenômeno El Ninõ pode aumentar queimadas e incêndios.
“O El Niños acarretam em dias muito quentes, acima de 35 graus, e também nos efeitos de seca. “Temos bastante evidência de que esse ano não será um El Niño comum, mas eles serão mais forte do que nos outros anos”, cita.
Considerando todo o bioma amazônico, que abrange Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Amapá e partes do Mato Grosso e Maranhão, foram registrados 6.955 km² focos até esta sexta-feira.
*Por Walace Gomes, da Rede Amazônica AC
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