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O esplendor do petróleo na Amazônia pode estar próximo

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Foz do Amazonas, no Amapá. Foto: Enrico Marone/Greenpeace

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

A Amazônia concentra grande parte das descobertas recentes de petróleo e gás no mundo, consolidando-se como uma nova fronteira global para a indústria fóssil. Quase um quinto das reservas mundiais encontradas entre 2022 e 2024 está na região, principalmente na costa do extremo norte da América do Sul, entre Guiana e Suriname. Essa riqueza tem atraído crescente interesse internacional, tanto de empresas da cadeia petrolífera quanto de países vizinhos como o Brasil, que busca explorar sua própria margem.

No total, a região amazônica acumula em torno de 5,3 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) dos cerca de 25 bilhões descobertos globalmente no período, segundo informações do Global Energy Monitor (GEM), que coleta dados sobre infraestrutura energética ao redor do mundo. O “boe” é uma unidade de medida que padroniza diferentes tipos de energia derivados de petróleo e gás natural, equivalente, em média, à energia contida em um barril de petróleo bruto, padrão que permite comparar a produção e as reservas de óleo e gás de forma unificada.

“A Amazônia e os blocos offshore adjacentes representam uma grande parcela das recentes descobertas de petróleo e gás no mundo” de acordo com dados do Portal Energético para a América Latina, plataforma ligada ao Monitor de Energia Global. O avanço, porém, “é incompatível com as metas internacionais de redução de emissões e traz consequências ambientais e sociais significativas, tanto em escala global quanto local”. Além das reservas já identificadas, a Amazônia concentra uma grande proporção de áreas sub-exploradas na América do Sul.

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A região abriga 794 blocos de petróleo e gás — áreas oficialmente delimitadas para a exploração, sem a garantia da existência de recursos. Quase 70% desses blocos na Amazônia estão em fase de estudo. Dados da Petrobras estimam que só a Margem Equatorial brasileira abriga um volume superior a 30 bilhões de barris de petróleo, representando a principal nova fronteira exploratória de óleo e gás do país. A região abrange cinco bacias sedimentares (Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar) e é apontada como o “novo pré-sal”.

Ressalte-se, a propósito, que 60% dos cerca de 3.800 blocos sul-americanos fora do bioma já estão concedidos. Blocos concedidos são áreas adquiridas por empresas ou consórcios, que recebem o direito de exploração (busca de reservas com perfurações e outros procedimentos, dependendo de licenciamento ambiental) e produção (extração de petróleo e/ou gás natural para comercialização) – liberados para a busca de reservas e a extração de recursos -, consolidando a Amazônia como um caminho promissor de expansão da indústria.

Conclusões determinadas sobre dados compilados até julho de 2024 pelo Instituto Internacional Arayara, que monitora atividades petrolíferas na região. De todo o território amazônico, apenas não existem blocos petrolíferos na Guiana Francesa, onde os contratos são proibidos por lei desde 2017.

Segundo o Arayara, enquanto metade do óleo sul-americano é destinado a economias estrangeiras e seus royalties geram mais desigualdades que progresso local. Permanecem na região o desmatamento e as águas contaminadas por suas operações. O estudo levanta uma questão transcendental: abundante em recursos naturais, a Amazônia raramente colhe os frutos da exploração. Os royalties hoje recebidos pelo Amazonas – algo em torno de R$238 milhões em 2025 – ainda são insignificantes diante do potencial exploratório do combustível no estado.

A produção de petróleo e de gás na Amazônia brasileira teve início a partir do primeiro poço que jorrou petróleo em 13 de março de 1955, no município de Nova Olinda do Norte. Entretanto, somente em 1978 as pesquisas exploratórias e os levantamentos realizados pela Petrobras apontaram para a existência de reservas com potencialidade de exploração comercial na bacia do Solimões, na província petrolífera e gasífera do Urucu, iniciando as explorações comerciais em 1988.

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Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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