Pesquisadores fazem medidas em rio madeiro, no município de Porto Velho (Rondônia). Foto: Reprodução/Arquivo SGB
A antecipação de cenários hidroclimatológicos severos desempenha uma função estratégica na mitigação de impactos socioeconômicos e na manutenção da segurança logística e ambiental na Região Amazônica. Com o objetivo de aprimorar o planejamento e a preparação para o período de estiagem, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) consolidou o diagnóstico técnico do comportamento das águas em 2026 e traçou as projeções para a vazante deste ano.
Dados do acompanhamento contínuo da Bacia do Amazonas mostram que as cheias operam na normalidade na maior parte da região. No entanto, o comportamento recente de sub-bacias específicas e as semelhanças estatísticas com períodos históricos críticos acendem o sinal de alerta para as autoridades e a sociedade civil.
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As análises do SGB são operacionalizadas por meio do Sistema de Alerta Hidrológico (SAH) e disponibilizadas em tempo real na plataforma SACE. O sistema categoriza as condições dos rios em níveis que variam desde a normalidade até a seca extrema e a inundação severa, servindo como base científica para tomada de decisões governamentais em estados como Amazonas, Rondônia e Acre.
Para o ciclo operacional de 2026, novas tecnologias foram incorporadas. A partir de julho, passam a ser realizados os testes operacionais dos boletins semanais SARDIM (em parceria com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – IPH/UFRGS), além da implementação de modelos preditivos baseados em Inteligência Artificial, desenvolvidos em cooperação com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A unificação dessas ferramentas provê maior celeridade ao fluxo de informações e otimiza o planejamento.
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Os registros da SGB apontam que a Bacia do Amazonas encontra-se em um período de transição, com o encerramento do pico da cheia nas calhas centrais e o início do processo de recessão nas cabeceiras:
- Rio Solimões/Amazonas: A estação de Tabatinga já deu início ao processo de descida de suas cotas. No entanto, o reflexo do pico ainda mantém duas estações acima do nível de inundação e quatro em cota de alerta ao longo do curso d’água.
- Rios Negro e Branco: Em Manaus, o Rio Negro atingiu a estabilização em torno de 28,50 m, alcançando a cota de inundação. Paralelamente, a bacia do Rio Branco registrou acumulados significativos de chuva (88 mm entre segunda e terça-feira da última semana), o que amenizou o ritmo de queda em Caracaraí.
- Rios Madeira e Acre: Permanecem como os cenários de maior vulnerabilidade. O volume elevado do primeiro trimestre resultou em decretos de situação de emergência em municípios como Porto Velho em abril de 2026.
Prognósticos e Cenários Comparativos de Vazante
A partir do histórico de dados coletados pelo SGB entre os anos de 1903 e 2025, foram elaboradas projeções estatísticas para estimar os níveis mínimos que o Rio Negro poderá atingir em Manaus a partir da cota máxima atual de 28,50 m, considerando a descida mediana histórica de 11,08 m:
| Cenário de Recessão Projetado | Amplitude da Descida (m) | Cota Mínima Estimada (m) |
| Descida Mediana Histórica | 11,08 | 17,42 |
| Tendência Linear de Vazante | 12,01 | 16,49 |
| Análogo Crítico de Recessão (Ano 2015) | 13,74 | 14,76 |
| Percentil de 85% (Estiagem Severa) | 14,54 | 13,96 |
| Descida Máxima Histórica Registrada | 15,60 | 12,90 |
O ponto de maior atenção técnica reside no fato de que o comportamento inicial da curva de recessão de 2026 apresenta forte paralelismo com a do ano de 2023, período em que ocorreu a segunda pior seca registrada na história de Manaus (atingindo a cota mínima de 12,70 m). Embora os modelos climáticos sazonais para os trimestres JJA (Junho-Julho-Agosto) e JAS (Julho-Agosto-Setembro) ainda não apontem para a severidade extrema de 2023, o SGB mantém o estado de monitoramento contínuo.

Diretrizes e impactos esperados pela SGB
A consolidação dos dados reforça a necessidade de preparação ativa das defesas civis e setores regulados. Caso o início da próxima estação chuvosa atrase no Hemisfério Sul, o período de vazante poderá ser prolongado, agravando as seguintes vulnerabilidades operacionais:
- Navegação Comercial: Restrições severas de calado para o escoamento logístico e transporte de insumos, com atenção especial à calha do Rio Madeira.
- Abastecimento Público: Risco potencial de isolamento de comunidades ribeirinhas e escassez de captação de água potável.
- Gestão Ambiental: Aumento substancial do risco de incêndios florestais em áreas severamente desidratadas ao longo da bacia.
Com a estruturação dessas notas informativas e boletins, o Serviço Geológico do Brasil reafirma seu compromisso em subsidiar órgãos gestores e instituições de pesquisa com informações científicas robustas, fortalecendo a autoridade técnica da rede de monitoramento nacional.
*Com informações do SGB
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