Nove mil quilômetros. Essa é a distância aproximada em linha reta entre o Brasil e a Escócia, país constituinte do Reino Unido localizado no Norte da Grã-Bretanha. Os dois países, que já tiveram uma relação mais estreita no final do século XIX, durante o ciclo da borracha, também compartilham da mesma paixão nacional: o futebol.
Nesta sexta-feira, 24 de junho, as duas nações protagonizam um novo capítulo de suas histórias, agora tendo o esporte mais popular do mundo como fundo. Brasil e Escócia se enfrentam na Copa do Mundo 2026 e o confronto tem sido visto como algo histórico entre brasileiros e escoceses que vivem nos dois países.
📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp
É o caso da amazonense Ester Moraes, brasileira de 26 anos que mora na cidade escocesa de Glasgow. Natural de Novo Aripuanã, município do Amazonas, a jornalista é a terceira personagem da série especial Amazônia na Copa, que traz a rotina de brasileiros nascidos na Amazônia Legal e que moram nos países que a Seleção Brasileira irá enfrentar no Mundial de 2026.
Há um ano e seis meses na Escócia, ela relata como o futebol faz parte do estilo de vida no país escocês, afirma que sente saudade da gastronomia amazonense e admite que terá o coração dividido durante a partida que vale uma vaga na próxima fase do Mundial.
Do interior do Amazonas para o Reino Unido
Uma história de amor com requintes aventurescos que motivou Ester Moraes a trocar o local de origem pela terra dos castelos. Nascida em Novo Aripuanã, munícipio distante 227 quilômetros de Manaus, capital do Amazonas, ela conta que trocou de continente após conhecer o atual namorado, o escocês Robin McGonigle.
“Conheci meu atual esposo em 2021, numa viagem à Albânia durante um ano sabático pelo mundo. Namoramos à distância por três anos e decidimos que seria a melhor opção residirmos na Escócia, já que ele não seria qualificado para um trabalho na área da ciência no Brasil, por não ser fluente no português. Ele fala o idioma no cotidiano e fluentemente, mas não o acadêmico”, explica Ester McGonigle, como carrega o nome após se casar com Robin.
Leia também: Conexão Amazonas-Marrocos: manauara conta como é torcer no país rival do Brasil na Copa do Mundo 2026

Relação com o futebol
Já na Terra dos castelos, Ester relata que a relação entre o futebol e o povo escocês é mais intensa até os brasileiros. Torcedora do Flamengo, ela relata que os escocês tratam o esporte como um estilo de vida.
“O futebol na Escócia é mais amado que no Brasil, é como se fosse um estilo de vida. Algo que fazem toda semana, ir nos estáadios, ter coleções de tudo que é possível: broches, camisas. Os torcedores costumam viajar dias, das formas mais comuns às mais desconfortáveis, tudo para apoiarem seu time. E quando o assunto é torcer pela seleção, o orgulho é ainda maior. Eles são muito apaixonados”, salienta Ester.

Grande parte dessa paixão pelo futebol, segundo Ester, veio do marido que é fã de carteirinha do esporte jogado com os pés. E quando se trata de Copa do Mundo, a empolgação transcende as quatro linhas: isso porque a Escócia, depois de 28 anos, conquistou a classificação para o Mundial, o que para Ester é algo histórico e inédito na vida do marido.
“Sou casada com um escocês amante de futebol, vai em todos os jogos, sabe tudo do esporte, tem uma coleção com todas as camisas da Escócia, todos os álbuns de figurinhas, mascotes de todas as copas. Aqui, vamos torcer pelas duas seleções, o Brasil já é esperado que se saia bem, então oramos para que a Escócia também consiga ir adiante da fase de grupos. Seria algo histórico, já que são 28 anos desde a última classificação. Meu esposo tem 26 anos, então ele nunca viu a Escócia jogar uma Copa do Mundo, por isso, entendo que é bem mais especial para ele do que para mim”.
Saudades da terrinha
Há um ano e meio na Escócia, Ester confessa que a saudade pela região amazônica é grande. E quando se trata de culinária e gastronomia local, a nostalgia aumenta ainda mais.
“Eu sinto saudade de tudo. Tucumã, um x-caboquinho e peixe igual ao nosso não existe no mundo. Já rodei o mundo e países famosos por gastronomia, mas nenhum se compara ao sabor que tem em solo amazonense. Sinto falta de estar mais próxima das minhas raízes, sotaques e costumes. Dar uma depressão ir aí e ter que ir embora, eu chorei muito no avião. E chorava toda vez que comia tucumã e tambaqui, parecia que estava em cativeiro e não comida há anos. Em três dias, matei toda minha saudade”, relembra Ester, que recentemente visitou o estado junto com o marido.
Na ocasião, ela frisa que o amado também ficou encantado pelas belezas naturais e culinária da região amazônica e reiterou o admiração proporcionada pelo estado em outras partes do mundo.

“Foi incrível poder vê-lo se conectar com cada aspecto do ambiente que construiu quem eu sou, me fez ver o mundo, Deus e a natureza com o olhar que tenho hoje. Não há comida mais saborosa, mais real, não há nascer e pôr-do-sol mais lindo, a exuberância das nossas matas e animais são extraordinários. Era impossível não perceber o quão grato ele estava de poder viver algo único, que só a Amazônia e somente o nosso povo pode proporcionar. Acho que nunca o vi tão feliz, me emociona pensar o quanto somos abençoados em poder chamar o Amazonas de casa. Ser amazonense desperta curiosidade e admiração nas pessoas”, recorda a jornalista.
Leia também: Conexão Amazonas-Haiti: manauara relata como a paixão pelo esporte une os países rivais na Copa do Mundo 2026
Brasil ou Escócia?
O confronto entre Brasil e Escócia praticamente define os classificados do grupo C para a próxima fase da Copa do Mundo. Enquanto que a vaga da Seleção Brasileira está praticamente encaminhada com uma vitória e um empate, os escoceses avançam com um empate ou até em caso de derrota, porém, dependeria de uma combinação de resultados.
Ester admite que torce pelo Brasil, mas que confia na classificação do país escocês.
“Eu vou torcer para que o Brasil passe em primeiro e Escócia em segundo, é um país gentil e acolhedor. As pessoas aqui têm um amor genuíno pelo esporte e já que meu marido nasceu aqui, seria incrível ver eles podendo desfrutar das vitórias e também pela classificação. Para mim, será 3 a 1 para o Brasil”, palpita.
O post Conexão Amazonas-Escócia: amazonense explica como o futebol reacende ligação histórica entre o estado e o país do Reino Unido apareceu primeiro em Portal Amazônia.

