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#Série l Superfrutas da Amazônia: pupunha, o fruto tradicional da Amazônia

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
#Série l Superfrutas da Amazônia: pupunha, o fruto tradicional da Amazônia

Ela está presente nas feiras, quintais e mesas amazônicas, mas você conhece uma das frutas mais tradicionais da região Norte? A pupunha, consumida principalmente cozida com sal e acompanhada de um cafézinho, é conhecida por seu sabor marcante, textura amanteigada e alto valor energético. É considerada uma superfruta amazônica devido suas propriedades nutricionais e pelo potencial de uso na indústria alimentícia.

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De acordo com o livro ‘Coleção Plantar- Pupunha‘, produzido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) – Amazônia Ocidental, a fruta é produzida pela pupunheira (Bactris gasipaes), uma palmeira adaptada ao clima quente e úmido da Amazônia. A fruta possui coloração que varia entre amarelo, laranja e vermelho, resultado da elevada presença de carotenoides, compostos antioxidantes associados à prevenção de doenças crônicas e à proteção da visão.

Segundo o estudo, os frutos da pupunheira são considerados alimentos energéticos e apresentam pequenas quantidades de proteínas, óleos, ferro e vitaminas do complexo B e vitamina C. Além disso, possuem altos níveis de fibras, amido e gordura boa, fatores que fazem da pupunha uma importante fonte nutricional. 

Uma fruta tradicional da Amazônia

Em muitas casas amazônicas, a pupunha é consumida no café da manhã ou no lanche da tarde, geralmente acompanhada de um café preto. De acordo com o estudo, após o cozimento, a polpa do fruto ganha uma textura macia e um sabor intenso, que lembra castanhas e raízes amazônicas. 

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pupunha com café
Foto: Fernando Sette

Além do consumo alimentar, a pupunha também possui importância econômica, já que o fruto também pode ser usado na produção de farinha, óleo e rações, enquanto a própria pupunheira é amplamente cultivada para extração do palmito.

Segundo a pesquisa, frutos maiores e mais oleosos são preferidos para o consumo direto, enquanto frutos mais secos e ricos em amido são destinados à fabricação da farinha. 

Uma fruta rica em carotenoides e vitaminas

De acordo com o artigo ‘Pupunha (Bactris gasipaes kunth): uma revisão’, o peso dos frutos pode variar bastante, podendo pesar de 20 até mais de 100 gramas, dependendo da composição da polpa, que pode ser mais seca, oleosa ou com muito amido.

O artigo também aponta que o fruto possui alto teor de carotenoides, especialmente β-caroteno, γ-caroteno e licopeno, pigmentos naturais responsáveis pelas cores alaranjadas e avermelhadas da polpa.

Foto: Divulgação

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Esses compostos possuem ação antioxidante e anti-inflamatória, associados à prevenção de doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e problemas ligados ao envelhecimento ocular, como a degeneração da parte central da retina. Além dos carotenoides, o estudo também destaca que a pupunha contém vitaminas importantes para o funcionamento do organismo, como vitamina C, vitaminas B1 e B2, niacina, vitamina A e tocoferóis, conhecidos como vitamina E. 

Além disso, a fruta possui alto teor energético, já que por ser rica em amido e gordura, fornece energia de forma significativa, o que a torna uma superfruta amazônica. 

Da cozinha regional à indústria alimentícia

Foto: Reprodução/Embrapa

Embora o cozimento seja a forma mais popular de consumo da pupunha, a farinha da fruta vem sendo utilizada na produção de biscoitos, pães, panetones e misturas alimentícias. O estudo aponta que a farinha de pupunha pode substituir em até 10% a farinha de trigo em receitas de panificação sem alterar a qualidade final dos produtos.

Além disso, a torta produzida a partir do processamento da pupunha apresenta alto valor nutritivo e pode substituir o milho em rações balanceadas para alimentação animal. O óleo extraído da polpa também chama a atenção pela presença de ácidos graxos não saturados, considerados benéficos para a saúde cardiovascular. 

Apesar do potencial econômico, o artigo destaca que o beneficiamento ainda enfrenta desafios, já que o alto teor de água da polpa torna o processo de secagem mais caro e trabalhoso. Além disso, o fruto cru contém substâncias que dificultam a digestão e provocam irritação na boca, tornando o cozimento indispensável antes do consumo.

Cultivo adaptado ao clima amazônico

De acordo com o livro ‘Coleção Plantar- Pupunha’, a pupunheira se desenvolve melhor em regiões de clima úmido, com temperaturas médias acima de 22°C e chuvas abundantes durante o ano inteiro. Além disso, a planta adapta-se bem às condições da Amazônia e pode crescer em diferentes tipos de solo, desde que sejam bem drenados e tenham fertilidade adequada.

Foto: Daniele Otto

Embora necessite de bastante água, a pupunheira não suporta terrenos encharcados. Segundo o estudo, em áreas de solo ácido e pobre em nutrientes, o cultivo ainda pode ser viável desde que sejam realizados processos de correção e adubação.

A produção da pupunha começa normalmente no terceiro ano após o plantio, começando a dar frutos a partir do sexto ano, em uma produtividade média, que pode alcançar cerca de 20 toneladas por hectare ao ano.

Pragas e desafios da produção

O estudo aponta que a pupunheira também enfrenta ameaças causadas por pragas e doenças. Entre os principais problemas está o ataque da chamada ‘abelha-de-cachorro’ ou arapuá, que destrói flores e botões florais durante a floração, o que compromete a produção.

Lagartas que enrolam os folíolos, subdivisões de uma folha, para se alimentar também estão entre os principais desafios do cultivo. Além disso, pássaros costumam atacar os frutos maduros, causando também perdas nas plantações.

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