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Com acervo de 20 mil itens, Arquivo do Museu Goeldi apresenta pesquisas em coleções documentais

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Com acervo de 20 mil itens, Arquivo do Museu Goeldi apresenta pesquisas em coleções documentais

Foto: Daniel Magno/ MPEG

Com um acervo de mais de 20 mil documentos, o Arquivo Guilherme de La Penha, mantido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), aderiu à 10ª Semana Nacional de Arquivos, entre 8 e 12 de junho. Para marcar a data, será realizada a mesa-redonda “Novos olhares sobre os arquivos: gênero, raça e etnia”, nesta terça-feira (9), das 9h às 12h, no Auditório Paulo Cavalcante, no Campus de Pesquisa do MPEG, em Belém (PA).

O evento se conecta com o tema proposto pelo Arquivo Nacional, “Arquivos, democracia e justiça social”, e traz temáticas atuais relacionadas a pesquisas em coleções documentais, como a mantida pelo Museu Goeldi.  

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O Arquivo Guilherme de La Penha integra a estrutura do Serviço de Arquivo e Memória (Searm), vinculado à Coordenação de Comunicação e Extensão (Cocex) e chefiado pela jornalista e doutora em museologia Lílian Bayma de Amorim. Ela será uma das participantes da mesa-redonda junto aos pesquisadores Nelson Sanjad, Márcio Couto Henrique, Iane Maria Batista, Cássia Moraes e Emílio Ribeiro, vinculados ao Museu Goeldi e à Universidade Federal do Pará (UFPA).

“A semana é um evento promovido pelo Arquivo Nacional, ao qual o Museu Goeldi aderiu, cadastrando como evento, este ano, a mesa-redonda. Nossa proposta é dar um enfoque maior na divulgação de pesquisas sobre esse olhar do arquivo como um lugar de pesquisa histórica relacionada a gênero, raça e etnia”, disse Lilian Bayma.

Não haverá inscrição prévia para o evento. O acesso é liberado a qualquer pessoa interessada, bastando que se identifique na portaria do Campus, apresentando documento de identificação.

Democratizando o acervo

Em relação à aderência da atividade e do cotidiano do Arquivo Guilherme de La Penha ao tema nacional, Lilian Bayma ressalta o caráter democrático do setor, que está acessível para consultas da população, sendo mantidos os cuidados necessários para a conservação do acervo. “Está aberto a estudantes de nível médio, universitários e demais pesquisadores que queiram fazer pesquisa na região amazônica. Nós temos um acervo enorme sobre trabalhos desenvolvidos na região e fazemos essa abertura para toda a sociedade”, disse.

Lilia Bayma consulta um dos 1420 negativos de vidro da coleção fotográfica. Foto: Daniel Magno/MPEG

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Nelson Sanjad, curador das coleções documentais históricas do Museu Goeldi, ressalta que a política de acesso da instituição também inclui a visibilidade a coleções pouco conhecidas:

“Temos, atualmente, uma política bem definida no sentido de adquirir, conservar e incentivar pesquisas em coleções documentais relacionadas a povos indígenas, populações tradicionais e mulheres. Estamos, por exemplo, organizando coleções especiais relacionadas a uma pioneira da ciência amazônica, Emília Snethlage, e a um dos poucos indígenas que deixaram um arquivo pessoal, o Sabino Munduruku”.

Na Brasiliana Fotográfica

Ainda em relação à democratização do arquivo do Museu Goeldi, Lilian lembra que parte do acervo fotográfico já está na Brasiliana Fotográfica, ao alcance de qualquer pessoa que tenha acesso à internet.

A instituição de pesquisa foi a 15ª a aderir à plataforma, no final do ano passado, sendo a primeira da Amazônia a manter acervo nesse ambiente digital. No início deste ano, foi lançado um álbum sobre a cidade de Belém (em comemoração ao aniversário da cidade).

Logo depois, foi divulgada, dentro da série “Feministas, graças a Deus”, o álbum sobre Emília Snethlage, ex-diretora do Museu Goeldi, acompanhado do artigo Uma alemã que amava a Amazônia, do historiador Nelson Sanjad. 

Consulta presencial

Quem desejar pesquisar no acervo do Arquivo Guilherme de La Penha deve solicitar o agendamento da visita direto no Searm, por meio do e-mail arquivo@museu-goeldi.br. A pessoa deve dar informações básicas sobre o que deseja pesquisar, como tema, período, tipo de documentação.

O Searm faz uma busca no acervo e, caso exista o material solicitado, faz o agendamento da consulta presencial. De acordo com a chefe do setor, Lilian Bayma, há um esforço para digitalizar documentos, de maneira a torná-los mais acessíveis e também para garantir a preservação do acervo. “Em casos específicos, como quando a solicitação é de pesquisadores do exterior, digitalizamos o documento e enviamos”, disse. 

Um dos 1420 negativos em vidro que integra o acervo do Arquivo Guilherme de La Penha. Foto: Daniel Magno/MPEG

Fragmentos de uma memória de quase 160 anos

Pela capacidade de reunir diferentes materiais e temas, o acervo tem sido fonte para diversas pesquisas científicas, jornalísticas e educativas. O acervo de mais de 20 mil itens – entre documentos institucionais, cartas e imagens reproduzidas em papel, fototipias, diapositivos (slides), contatos e fotos digitais, em negativos de vidro e flexíveis – guarda fragmentos de uma história de quase 160 anos do Museu Goeldi, criado em 1866. Além disso, o acervo extrapola o caráter institucional, reunindo uma memória do processo de institucionalização da ciência na Amazônia, suas cidades, paisagens e habitantes. 

O servidor técnico Pablo Borges, formado em administração com especialização na área arquivística, é uma das pessoas que trabalham no arquivo. Ele explica que o Arquivo Guilherme de La Penha exerce a função de um arquivo central dentro da instituição, responsável pela implementação da gestão documental no MPEG (arquivos corrente e intermediário – documentos institucionais em uso), além de guardar o arquivo permanente (a coleção histórica).

Mas nem sempre foi assim. Pablo Borges lembra que o arquivo, durante os primeiros anos da instituição, era um local de apoio à administração que fazia a guarda dos documentos administrativos. A documentação tem sido guardada desde os anos 1890, mas só veio a receber um tratamento arquivístico na década de 1980. Foi nesse momento que, segundo o técnico, o então diretor Guilherme de La Penha começa a estruturar o espaço como uma unidade de documentação que passa a, além de dar um apoio à administração, servir como apoio à pesquisa científica.

Além de servidores capacitados no campo arquivístico, o setor ganha um novo status, passando a ser um departamento no organograma da instituição e não mais apenas uma sala que guarda documentos administrativos (arquivo corrente). Pela quantidade de registros históricos mantidos durante décadas, nota-se que havia um trabalho de documentar a memória da instituição. No entanto, a preocupação com a preservação dessa memória nos moldes atuais se manifestou a partir da gestão de Guilherme de La Penha e, por isso, o arquivo recebeu o seu nome.

No caso da coleção fotográfica, Pablo informa que ela ganhou destaque com a chegada de Emílio Goeldi ao museu.  “Algumas fotografias foram tiradas pelo próprio Goeldi, outras por Jacques Huber. Em 1897, Goeldi contrata um profissional da área, o fotógrafo alemão Ernst Lohse. Então, a partir daí, há vários registros fotográficos, tanto do entorno da cidade, quanto das atividades que eram desenvolvidas no Museu. Hoje, parte desses registros estão salvaguardados aqui no arquivo, e compõe a coleção fotográfica”, disse.

De acordo com o servidor do Arquivo, a coleção fotográfica inclui 1.420 negativos em vidro, que era a tecnologia usada entre final do século XIX e meados do século XX. Eles tratam de diversos temas.

“Nós temos registros da cidade de Belém, registros das coleções científicas, do Parque Zoobotânico, em diversas ocasiões, entre outros. Hoje o Arquivo Guilherme de La Penha, é um dos serviços do Museu Goeldi que salvaguarda uma das coleções científicas da instituição, que são as coleções históricas documentais. Além da gestão de toda a documentação institucional, nós temos o compromisso de preservar essa documentação e de trabalhar na divulgação desse acervo”, ressaltou.

*Com informações do Museu Paraense Emilio Goeldi

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