Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Por Olímpio Guarany
No Dia Mundial do Meio Ambiente, discursos sobre preservação, mudanças climáticas e sustentabilidade ocupam espaço nos meios de comunicação, nas redes sociais e nos fóruns internacionais. Todos importantes. Mas talvez exista uma pergunta que mereça mais atenção:
Quem protege a Amazônia?
Ao longo dos últimos anos, a floresta passou a ser vista como peça estratégica para o equilíbrio climático do planeta. Governos, empresas, universidades e organizações ambientais voltaram seus olhos para a maior floresta tropical do mundo. No entanto, muitas vezes esquecemos de olhar para aqueles que vivem dentro dela.
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Como amazônida, jornalista, economista e alguém que navegou por dois anos os rios da Amazônia, desde a foz do Amazonas até o rio Napo, na Amazônia equatoriana, aprendi uma lição simples: a floresta não se preserva sozinha.
Ela é protegida por pessoas.
São indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores e agricultores familiares que convivem diariamente com os rios, as matas e a biodiversidade. São eles que conhecem os ciclos da natureza, os períodos da pesca, os tempos da floresta e os limites que precisam ser respeitados para garantir que os recursos continuem existindo para as próximas gerações.
Isso não significa idealizar ou romantizar a vida na floresta. Essas populações enfrentam desafios enormes relacionados ao acesso à saúde, educação, transporte, comunicação e oportunidades econômicas. Ainda assim, continuam desempenhando um papel fundamental na conservação de um patrimônio que pertence ao Brasil e interessa ao mundo inteiro.

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Durante minha travessia pela Amazônia, encontrei inúmeras comunidades onde o conhecimento sobre o ambiente não estava nos livros, mas na prática cotidiana. Homens e mulheres capazes de identificar mudanças nos rios, prever comportamentos da natureza e manejar recursos florestais de forma sustentável muito antes de o termo sustentabilidade se tornar conhecido globalmente.
Por isso, quando falamos em meio ambiente, não podemos limitar o debate apenas às árvores, aos rios ou à biodiversidade. Precisamos falar também de pessoas.
A Amazônia precisa de conservação, mas precisa igualmente de inclusão. Precisa de proteção ambiental, mas também de desenvolvimento. Precisa manter a floresta em pé, mas garantir dignidade para quem vive nela.
Essa talvez seja uma das maiores lições amazônicas para o século XXI: não existe contradição entre preservar e gerar oportunidades quando os povos da floresta são reconhecidos como protagonistas.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, vale lembrar que proteger a Amazônia não é apenas uma questão ecológica. É também uma questão humana.
Porque não haverá floresta em pé sem povos da floresta de pé.
Sobre o autor
Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). A expedição deu origem ao livro ‘A Nova Conquista da Amazônia’. Atualmente é apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.
*O conteúdo é responsabilidade do colunista
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