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Terras raras: Amapá mapeia minerais estratégicos e atrai atenção de gigantes globais

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Terras raras: Amapá mapeia minerais estratégicos e atrai atenção de gigantes globais

Foto: Divulgação/Rede Amazônica AP

As terras raras estão nos hospitais, nos carros do futuro e até nos mísseis de última geração. Os minerais são o combustível da tecnologia moderna e são essenciais para manutenção do mundo digital. No meio da maior floresta tropical do planeta, uma descoberta coloca o estado do Amapá no centro do tabuleiro estratégico global. 

Os municípios de Calçoene, Ferreira Gomes, Mazagão, Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio e Vitória do Jari apresentam potencial para existência de três elementos predominantes da tabela periódica. Os dados oficiais foram compilados na plataforma Atlas Raro.

Leia também: Brasil tem cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras; veja onde estão na Amazônia

Mesmo em fase de testes, o monitoramento acendeu o radar de gigantes globais, como Alemanha, Bélgica, China, Estados Unidos e Japão. “E também de outros países que buscam dominar a tecnologia para, a partir do aperfeiçoamento, desenvolver equipamentos e tecnologias”, ressalta o fundador da plataforma Atlas Raro, Pedro Prestes.

Na prática, os minerais são a chave para transição energética global. São indispensáveis para a produção de baterias de carros elétricos, os geradores de energia eólica, bem como a fabricação de celulares, telas de notebook, televisão e drones. São a espinha dorsal da indústria aeroespacial.

“As terras raras são um conjunto de minerais formados a partir dos 15 elementos químicos da tabela periódica. Garantem a soberania nacional em termos de defesa. Mísseis, sistemas de radar e lasers utilizam terras raras na composição”, explica o doutor em Ciências Exatas e Tecnológicas, Franciolli Araújo.

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Arte - Terras Raras Alexandre Oliveira Rede Amazônica ap
Arte: Alexandre Oliveira/Rede Amazônica AP

Potencial das terras raras

De acordo com o professor da Universidade de Relações Exteriores da China, Marcus Vinicius de Freitas, o país asiático domina o setor: detém cerca de 70% das reservas, refina 90% das terras raras do planeta e usa o mineral como moeda de negociação internacional. É uma liderança que os Estados Unidos tentam quebrar a todo custo. Com fortes indícios da presença dos elementos, o Amapá se torna um alvo estratégico nesta guerra comercial.

“O Brasil foi abençoado com grande quantidade de minérios de terras raras. Isso proporciona ao país uma oportunidade de tratar estrategicamente, e não como commodity, este bem que é necessário para o desenvolvimento da indústria tecnológica global. Eu acredito que muita gente vai bater na nossa porta, querendo comprar terra, minerar e deixar o problema ambiental para o Brasil. É um problema que precisa de regulamentação, mas não precisa ter uma regulamentação que impeça efetivamente a exploração”, enfatiza.

Mas o tamanho da oportunidade é proporcional ao tamanho da responsabilidade. O Amapá é o estado mais preservado do Brasil. Diante de tanta riqueza na superfície, a possibilidade de extrair o que está no subsolo levanta o mais sensível debate. Como minerar sem destruir o ambiente?

“Se aprovada a atividade exploradora no Amapá, que seja com a garantia de proteção ambiental, não contaminação das águas e solos da região, e o respeito sociocultural e econômico das comunidades tradicionais, particularmente das áreas em que se encontram as jazidas”, disse o economista Arthur Oscar Guimarães.

Para que o ganho econômico não se torne desastre ambiental, Arthur Oscar Guimarães garante que o caminho passa por fiscalização, contratos prévios bem esclarecidos e capacitação local. Uma resposta que é desenhada nas salas de aula.

O Instituto Federal do Amapá (Ifap) criou o curso de Engenharia de Minas, com foco na redução de impactos ambientais. A finalidade é criar uma barreira técnica para que a riqueza gere desenvolvimento à população e não apenas a evasão de divisas.

“Valeria muito a pena que o Brasil e a liderança política e governamental tivesse a possibilidade de buscar em outras partes do mundo, no caso a China, as melhores práticas empreendidas, importar a tecnologia, aprender como se faz para que os minerais sejam explorados de maneira estratégica e possam servir de fato para que a região dê um pulo importante no desenvolvimento”, finaliza Marcus Vinicius de Freitas.

Foto: Divulgação/Rede Amazônica AP

Com um dos tesouros mais cobiçados do século XXI, o Amapá está diante de uma encruzilhada histórica. A direção do estado depende da sabedoria das autoridades para equilibrar os olhos atentos do mercado internacional com a proteção do maior patrimônio: a vida que pulsa sobre a terra.

*Por Luiz Felype Santos, da Rede Amazônica AP 

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