Coordenador do projeto, Diogo Hungria, participa do lançamento. Foto: Reprodução/Centro de Cultura e Formação Kanindé
A Kanindé lançou, no dia 22 de maio, o projeto ‘IA para Monitoramento da Biodiversidade: Detecção de Impactos em Florestas da Amazônia’, iniciativa que une inteligência artificial, ciência e monitoramento ambiental para fortalecer a proteção da Amazônia e antecipar ameaças aos territórios florestais.
O lançamento ocorreu durante o II Festival de Cultura, Identidade e Educação Ambiental Amefricanidade, realizado no campus Calama do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), em Porto Velho.
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Apresentado por Diogo Hungria, coordenador da iniciativa, o projeto propõe uma nova abordagem para o monitoramento da biodiversidade e da degradação ambiental, utilizando tecnologias avançadas para detectar impactos antes que se consolidem em grandes áreas de desmatamento.
“A floresta muda em silêncio. Com IA, podemos escutar antes que o dano vire perda”, afirma Diogo Hungria.
O que é o projeto?
Ao contrário do que se pode imaginar, o projeto não busca criar uma nova inteligência artificial do zero. Seu diferencial está na integração estratégica de modelos e tecnologias de deep learning já existentes, adaptados ao monitoramento ambiental de forma mais precisa, acessível e eficiente.
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A iniciativa utiliza um sistema híbrido capaz de combinar dados de radar (Synthetic Aperture Radar – SAR) e imagens multiespectrais de satélites, como Planet e Sentinel, além de empregar o índice próprio MOVI (Multi-source Optimized Vegetation Index). A metodologia permite processar informações complexas e identificar alterações ambientais mesmo em áreas encobertas por nuvens ou submetidas a processos graduais de degradação.
Como o projeto contribui para a proteção ambiental?
Enquanto métodos tradicionais de monitoramento costumam identificar o desmatamento apenas quando grandes clareiras já foram abertas, o projeto funciona como um sistema de alerta precoce, permitindo a identificação de sinais de degradação antes que a destruição avance em larga escala. A tecnologia possibilita detectar perdas parciais e graduais da vegetação, conhecidas como degradação seletiva, processo que frequentemente antecede o desmatamento e compromete a integridade da floresta de forma silenciosa e progressiva.
Além disso, ao contribuir para a redução da degradação florestal, a iniciativa auxilia no enfrentamento das mudanças climáticas, evitando a liberação de grandes volumes de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera e fortalecendo estratégias de conservação e justiça climática. O projeto também busca transformar a lógica da proteção ambiental ao priorizar ações preventivas em vez de apenas reativas, tornando mais ágil a fiscalização e reduzindo custos operacionais.
Outro diferencial é o protagonismo local: o sistema será validado de forma participativa junto aos povos da floresta, utilizando uma plataforma de código aberto, replicável e alinhada às diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O projeto é executado pela Kanindé, com financiamento do Instituto Clima e Sociedade (iCS), e conta com parceria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) e do Meu Pé de Árvore.
*Com informações do Centro de Cultura e Formação Kanindé
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