Foto: Marcelo Casimiro Cavalcante/Rebipp
O Dia Mundial das Abelhas, celebrado em 20 de maio, é uma forma de lembrar a importância das abelhas para a conservação. O programa Viva Maria, da Rádio Agência Nacional, recebeu João do Mel, transformando sua poesia e testemunho em um alerta sobre os impactos do uso de agrotóxicos sobre os polinizadores na Amazônia.
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João do Mel vive em uma área cercada por lavouras de soja e relata mudanças ambientais observadas ao longo das últimas duas décadas. Segundo ele, a produção de mel caiu drasticamente após a expansão agrícola em Belterra, no Pará.
“Há 20 anos, uma abelha produzia de seis a sete quilos de mel. Hoje não produz meio quilo. O veneno atinge o pasto baixo e o pasto alto. Vem pelo vento e pela chuva”, afirma.
Além dos agrotóxicos utilizados nas plantações, o desmatamento e as queimadas são fatores que também contribuem para a perda de habitat das abelhas e de outros polinizadores.
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Falta de abelhas pode gerar desequilíbrio ambiental
João do Mel também alertou para o desequilíbrio ambiental causado pela redução das populações de abelhas. Segundo ele, pesquisadores já apontam que a extinção desses insetos comprometeria diretamente a sobrevivência humana.
“Se as abelhas forem extintas de cima da terra, o ser humano também vai, vai haver um desequilíbrio muito cruel. Porque você sabe o que é o ecossistema. Uma coisa equilibra a outra. Então, a abelha, eu a comparo com o sal, ela dá o tempero na natureza e ninguém vê”, disse no programa Viva Maria.
João do Mel destaca a importância das abelhas com e sem ferrão, além dos polinizadores solitários, para a manutenção da biodiversidade e da produção agrícola. Segundo ele, muitas espécies desempenham funções específicas na polinização de flores e culturas alimentares.
“O mel da abelha sem ferrão tem mais umidade do que o mel da abelha melífera. O mel da abelha sem ferrão chega de 27% a 28% de umidade. E o mel da abelha com ferrão chega de 16% a 17%. Então, o mel da abelha sem ferrão há possibilidade mais de estragar, a fermentar, do que o mel da abelha melífera”, explicou.
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O criador afirma que chegou a manter mais de mil caixas de abelhas e que parte da produção era reservada para alimentar as colmeias durante o período de inverno. João critica a falta de fiscalização sobre o uso de agrotóxicos e relaciona o problema ao aumento de doenças entre os moradores de Belterra:
“Sempre falava que o índice de câncer em Belterra aumentou 50%. Quando eu era pequeno não existia esse negócio de virose. Hoje os hospitais estão cheios”.
Outros moradores de Belterra denunciam os impactos da pulverização de venenos e da devastação ambiental, como Lucival do Pimentel, conhecido como ‘seu Lúcio’, e José Batista Ferreira, chamado de ‘Pastor Natalino’.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil
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