Inpa e Shell Brasil lançam Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (Cibrad). Foto: Kaylane Golvim/Inpa
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
O problema “terras degradadas” na Amazônia é muito grave e atravessa décadas sem solução. Como recuperar imensas vastidões (cerca de 15 milhões de hectares) e torná-las produtivas? Quais os métodos, as medidas de políticas públicas necessárias para enfrentar e solucionar o imbróglio? Para pesquisadores da Embrapa, em estudos liderados por Alfredo Homma, o principal fator seria “gerar renda com a recuperação de áreas que não deveriam ter sido desmatadas, iniciativa que os países desenvolvidos levaram a efeito, alguns com a floresta já completamente desaparecida”.
Reverter o déficit da cobertura florestal da Amazônia é possível com a ampliação da oferta de tecnologia agrícola, da assistência técnica, da melhoria do capital social e do escoamento da produção, entre outras iniciativas. A reiterada ideia de uma “floresta em pé” como a solução para a Amazônia apresenta dificuldades na sua materialização, dadas a baixa produtividade dos recursos extrativos, a sua dispersão e a falta de economia de escala entre outros bloqueios, assinala Homma.
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Finalmente, uma notícia promissora, encorajadora. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e a Shell Brasil anunciaram na quinta-feira, 9, o lançamento do Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (Cibrad), voltado ao desenvolvimento de soluções que ampliem a recuperação de áreas degradadas na região. Com investimento inicial de R$ 18,7 milhões da Shell Brasil, via cláusula de PD & I da ANP, o objetivo é acelerar o desenvolvimento de tecnologias sobre soluções baseadas na natureza.
Sediado no Inpa, em Manaus, o Cibrad integrará pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação, conectando governo, comunidade científica, empresas e startups. A proposta é fortalecer cadeias produtivas de espécies nativas, conservar recursos genéticos e estimular novos negócios ligados à restauração florestal e ao mercado de carbono. A iniciativa também prevê a modernização da infraestrutura de pesquisa do Inpa.
De acordo com o secretário da Subsecretaria para a Amazônia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Dorival dos Santos, o Cibrad é um marco para a ciência brasileira e o futuro da Amazônia. “Tenho plena confiança de que o Centro se tornará uma referência internacional em biotecnologia aplicada à restauração florestal e à economia de baixo carbono. Mais do que um centro de pesquisa, o Cibrad nasce como um espaço de convergência entre ciência, inovação e compromisso com o futuro da Amazônia. Proteger a floresta, restaurar seus ecossistemas e gerar conhecimento a partir dela é investir diretamente no futuro do Brasil e do planeta”, destaca.
“A criação do Cibrad reforça como a inovação aberta é essencial para avançarmos em soluções concretas para desafios complexos, como a recuperação de áreas degradadas na Amazônia”, afirma Alexandre Breda, gerente de Tecnologia e Inovação da Shell Brasil. O Cibrad reúne um consórcio de projetos que abrangem instituições de pesquisa dos nove estados da Amazônia Legal. Entre as iniciativas estão o NanoRad’s 2.0, que aplica abordagens bio e nanotecnológicas para acelerar plantios florestais, e o Amazon GeneBank, dedicado ao apoio a programas de melhoramento genético e à conservação de sementes e microrganismos da Amazônia Legal, ressalta.
Para o diretor geral do INPA, Henrique Pereira, em nota divulgada à imprensa pela Assessoria de Comunicação Social do Instituto, “com o Cibrad, estamos dando um passo além: sistematizar a pesquisa associada a plantios florestais com um objetivo maior, que é estruturar cadeias produtivas baseadas em espécies nativas. Isso envolve avançar em uma silvicultura de alta performance e conectar esse conhecimento a agendas estratégicas, como o mercado de carbono. Esse alinhamento é fundamental para o que esperamos construir nas próximas décadas na Amazônia”, ressalta.
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Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
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