Osinfor destacou o trabalho realizado pela comunidade Coriteni Tarso na gestão sustentável das florestas e afirmou que esse trabalho pode servir de modelo. Foto: Reprodução/Agência Andina
A Agência de Supervisão dos Recursos Florestais e da Vida Selvagem (Osinfor) no Peru destacou o trabalho realizado pela comunidade Ashaninka Coriteni Tarso na gestão sustentável das florestas, tornando-se seu melhor aliado para avançar, e afirmou que esse trabalho pode servir de modelo para a Selva Central.
📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp
A entidade não apenas destacou o trabalho da comunidade, mas também dedicou uma crônica a ela detalhando o importante trabalho que realizam. Cercada pelas montanhas exuberantes da selva de Junín, onde o canto dos pássaros se mistura com o poderoso som do rio Tambo, a comunidade nativa de Coriteni Tarso, em Satipo, aprendeu a transformar seu destino. O que antes era incerteza agora é um exemplo: um povo Ashaninka que está emergindo como referência na gestão legal e sustentável das florestas.
Há 10 anos, entre trilhas de lama e árvores gigantes, a comunidade começou suas atividades madeireiras com mais dúvidas do que certezas. Nessa estrada, cometeram algumas infrações que afetaram suas florestas. A selva era generosa, mas também vulnerável.
Leia também: Conheça o povo Ashaninka, os anfitriões dos indígenas Kayapó

“No começo, não sabíamos como realizar a vigilância correta dos nossos recursos, os empresários nos enganaram sobre o volume da nossa madeira”, recorda Brandon Mahuanca Ramírez, um jovem Ashaninka membro do comitê de vigilância, enquanto segura folhas de coca entre os dedos e observa o vasto horizonte das montanhas de sua floresta com uma mistura de orgulho e memória.
A floresta, que sempre foi seu lar, começou a se tornar um território de risco. A falta de conhecimento técnico não apenas afetou sua renda, mas também levou a que recebessem duas sanções que hoje fazem parte de sua história como uma experiência de aprendizado que conseguiram reverter.
O medo não era apenas econômico, mas também cultural e ambiental. A comunidade entendia que, se continuassem assim, poderiam perder muito mais do que dinheiro: controle direto de seus recursos, seu território e sua identidade. Cada árvore mal usada também representava uma ameaça ao equilíbrio que protegiam por gerações.
Leia também: Amizade e cooperação: intercâmbio cultural entre os indígenas Kayapó e os Ashaninka
Aprendendo a conservar a floresta

Diante dessa ameaça silenciosa, a comunidade Ashaninka tomou uma decisão transcendental: aprender. Assim, em 2017, iniciou uma mudança de atitude e adotou novas práticas para a gestão sustentável de suas florestas.
Esse processo foi acompanhado pela Agência de Supervisão dos Recursos Florestais e de Vida Selvagem (OSINFOR), que, por meio da Mochila Florestal, promoveu o fortalecimento de capacidades com uma abordagem intercultural.
Os dias de aprendizado eram realizados na floresta da comunidade. Entre homens e mulheres Asháninka, aprenderam a cortar a madeira em cubos, registrar em cadernos de campo e, acima de tudo, a importância de extrair seus recursos legalmente. “Estou muito feliz com o apoio da OSINFOR. Com o treinamento deles, aprendemos nosso papel principal e, acima de tudo, não devemos nos deixar enganar”, diz o chefe da comunidade, Nelbyn Izaguirres Camaiteri.
Com novas ferramentas em mãos, a comunidade assumiu o controle direto da gestão de seu território florestal. Brandon, agora com GPS e um caderno de campo, viaja quilômetros sob o sol e a chuva.
“Graças às oficinas que aprendi a colocar cubos, preencher cadernos de campo, agora monitoro a extração da madeira da minha floresta”, diz ele com grande determinação.
A organização também foi fortalecida. Eles decidiram trabalhar com um regente florestal para garantir a rastreabilidade da madeira e proteger as árvores com sementes. “Realizamos o inventário e rastreamos o processo legal de extração, sempre protegendo as árvores sementes”, explica Brayan Dolores Camargo, engenheiro florestal que tecnicamente acompanha a comunidade.
Graças a esse esforço, a comunidade não apenas foi fortalecida internamente, mas também conseguiu se consolidar formalizando seus acordos e negociando em termos mais justos com empresas externas que aproveitam seus recursos madeireiros.
Saiba mais: Descubra três roteiros de turismo de experiência e natureza na Amazônia peruana

Resultados do Modelo Ashaninka
Os resultados não demoraram a se tornar visíveis. Nos anos de 2017, 2019, 2024 e 2026, a comunidade passou com sucesso nas supervisões florestais. No último ano, obteve um certificado de cumprimento das obrigações, reconhecimento do esforço para implementar boas práticas no uso sustentável de seus recursos florestais. Mas as mudanças não estão vistas apenas em documentos.
Hoje, a comunidade tem uma qualidade de vida melhor: estradas que facilitam o comércio, acesso à internet, infraestrutura comunitária e novas oportunidades em piscicultura e agricultura, de modo que sua floresta ainda está de pé e, com ela, seu futuro próspero. “Os verdadeiros Asháninka conservam suas florestas, porque na floresta há vida e sustento”, diz Brandon, com orgulho.
A experiência da comunidade transcende suas próprias fronteiras e é projetada como uma mensagem viva para outros povos da selva peruana. “Deixe outras comunidades aprenderem, que sejam treinadas”, convida o jovem líder Asháninka com convicção.
Assim, essa comunidade demonstra que o uso sustentável é uma prática que exige compromisso e profundo respeito pela natureza. Porque em cada árvore que permanece de pé e em cada decisão tomada com responsabilidade, vence uma verdade simples, mas poderosa: cuidar da floresta é, de fato, tarefa de todos.
*Com informações da Agência Andina
O post Comunidade Ashaninka se destaca pela gestão florestal sustentável na Amazônia peruana apareceu primeiro em Portal Amazônia.

