Parque Mosaico. Foto: Mosaico Urbanismo
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Levantamento do MapBiomas, rede global e multi-institucional, formada por universidades, ONGs e empresas de tecnologia com o fim de monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra nos territórios e seus
impactos, mostra que Manaus tornou-se a cidade brasileira com maior crescimento de áreas de favelas. Para o doutorando em geografia Fredson Bernardino, da Ufam, em entrevista publicada em A Crítica, o dado é um exemplo de como a capital do Amazonas se expandiu – e ainda se expande – “empurrando os mais pobres para os limites da cidade, ou para áreas onde ninguém gostaria de viver”.
De um lado, faz referência à construção do bairro Viver Melhor, etapas 1 e 2, localizado no bairro Lago Azul, zona Norte da cidade, e do Parque Mosaico, empreendimento do grupo Dahilton Pontes Cabral (DPC), que exerce a liderança do mercado amazonense nesse segmento, que, associado à Mosaico Urbanismo, com clarividência e arroubo investiu na ideia de implantar o primeiro bairro urbanisticamente planejado da cidade.
Cidades planejadas são núcleos urbanos construídos a partir de um projeto pré-definido, com crescimento
controlado e zoneamento específico, diferindo das “cidades espontâneas” que crescem sem planejamento. São
projetadas por engenheiros, arquitetos, urbanistas e sociólogos para atender a fins administrativos, sociais ou
econômicos, com ruas, infraestrutura de saneamento e áreas públicas configuradas antes da construção.
No Brasil alguns exemplos são notáveis:
- Brasília, DF (1960);
- Goiânia, GO (1937);
- Belo Horizonte, MG (1897);
- Palmas, TO (1990);
- Curitiba, PR (a partir de 1960, referência mundial em planejamento urbano e transporte público);
- Boa Vista, RR (1943);
- Teresina, PI (1851);
- Maringá, PR (1947)
No mundo destacam-se:
- Singapura: Considerada modelo de alta urbanização e alta tecnologia;
- Camberra (Austrália): Projetada com foco na integração entre áreas urbanas e vegetação natural;
- Washington D.C. (EUA): Capital federal projetada no final do século XVIII;
- Dubai e Abu Dhabi (Emirados Árabes): Cidades modernas planejadas no deserto com foco em infraestrutura de ponta e Shenzhen;
- China (belíssima e futurística cidade-jardim de 17 milhões de habitantes).
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Parque Mosaico
O Parque Mosaico, localizado na zona Centro-Oeste de Manaus, de acordo com sumário executivo assinado
pelos gestores da DPC Dahilton Filho, Dalton e Daniel Cabral, e pelo CEO da Mosaico Urbanismo, José
Henrique Lana, foi concebido como um bairro planejado de uso misto, integrando funções residenciais,
comerciais e de serviços, com forte potencial de consolidação como novo polo urbano.

Os números do empreendimento são notáveis. Projeto de longo prazo, já conta com 60% de sua infraestrutura executada e, aproximadamente, 28% das moradias construídas. Primeiro bairro cem por cento planejado, ocupa área total de 2.500.000 m², sendo 730 mil m² de áreas verdes, construção de 25 mil unidades residenciais para uma população estimada de 100 mil habitantes. O empreendimento já dispõe de equipamentos comerciais entregues, como supermercado, o INDT (instituto de tecnologia), academia de musculação, postos de gasolina, centros comerciais, padarias, farmácias, etc.
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Alguns equipamentos públicos já estão em operação: sede do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (IMPLURB) e uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O Parque Mosaico conta ainda com uma Associação de Moradores, que, espécie de “subprefeitura”, com recursos arrecadados de comerciantes e habitantes, realiza a manutenção do paisagismo, contratação de empresa de segurança 24 horas, além da cobrança junto ao poder público das diversas demandas do bairro.
Conta, ainda, com um viveiro de plantas nativas da região para a revitalização das áreas do bairro e diversos projetos ESG. O Parque Mosaico, efetivamente, pode ser considerado o paradigma da cidade que o ser humano deseja viver, modelo para a Manaus do futuro, se é que um dia teremos uma gestão pública suficientemente arrojada, ousada e comprometida e capaz de realizar obras desse porte. No padrão Juscelino Kubitschek, em Brasília, ou de Lee Kuan Yew, que, ainda nos anos 1950, construiu a Singapura moderna e rica de hoje.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
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