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Fonteles, Camilo e Moretti sobem na bolsa de apostas do Lula 4

Radar Olhar Aguçado(há 44 minutos)
Fonteles, Camilo e Moretti sobem na bolsa de apostas do Lula 4

Nada está confirmado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os ministros do 4º mandato. Nenhum interlocutor do petista confirma que ele tenha citado o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para a Fazenda, por exemplo. O que circula em Brasília é algo que sempre surge na formação de um governo. O presidente escuta sugestões. 

Três nomes ganharam força nas últimas semanas. Fonteles aparece para a Fazenda e o senador Camilo Santana (PT-CE), para a Casa Civil. O 3º é o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, hoje um dos prediletos de Lula. Outro nome que voltou a circular para a Fazenda é o de Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco.

Trabuco foi convidado em 2014 por Dilma Rousseff (PT) para assumir a Fazenda no início do 2º mandato, em 2015, mas recusou e sugeriu Joaquim Levy, então executivo do Bradesco. Levy assumiu a pasta e adotou um programa de ajuste fiscal apontado como um dos fatores do desgaste político de Dilma, que sofreu impeachment em 2016.

O presidente só deve começar a definir a equipe depois que voltar das viagens à Turquia e às Filipinas, em 16 de novembro. A intenção é fechar a nova Esplanada até 20 de dezembro.

QUEM PODE VOLTAR

Parte dos nomes cotados é de aliados que deixaram o governo em abril para disputar eleições e não venceram. É o caso de Fernando Haddad (PT), derrotado em São Paulo, e de Renan Filho, que disputou o governo de Alagoas. Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), Gleisi Hoffmann (PT) e Carlos Fávaro (PSD) concorreram ao Senado.

Não há, até agora, sinal de que Lula pretenda preencher ministérios com nomes da sociedade civil. A composição deve acomodar aliados derrotados e ampliar o espaço do Centrão. No MDB, PSD, União Brasil, PP e Republicanos, a indicação de cargos deverá ficar restrita a congressistas fiéis ao governo.

O único aceno à sociedade civil foi na live de 22 de outubro com o deputado André Janones (Rede-MG). Lula disse que poderia criar uma secretaria, e não um ministério, para discutir finanças populares. Ele sugeriu a atuação da influenciadora Nath Finanças. O presidente, porém, tratou a proposta como possibilidade, ao dizer que “talvez” queira criar a estrutura.

O PREDILETO

Moretti é o nome que mais subiu na conta do presidente. Ele assumiu o Planejamento em abril, no lugar de Simone Tebet, que deixou o governo para disputar o Senado. Antes, era secretário especial de Análise Governamental da Casa Civil.

No Planalto, há quem diga que Moretti já controlava o planejamento do governo durante a gestão de Tebet, a partir da Casa Civil.

Próximo do ministro da Secom (Secretaria de Comunicação), Sidônio Palmeira, Moretti chegou ao Planejamento por ser um quadro de confiança do presidente. Interlocutores dizem que ele encontra espaço no Orçamento para as medidas que Lula quer tocar, em vez de barrar os gastos.

Foi Moretti que convenceu Lula de que seria possível reajustar o Bolsa Família, zerar dívidas de MEIs e oferecer ônibus de graça nos fins de semana. As 3 medidas foram anunciadas antes do 2º turno das eleições. 

O próprio presidente já o descreveu como um “mágico” do Orçamento, capaz de encontrar dinheiro quando o governo precisa. “Esse moço é mágico para aparecer dinheiro. Quando a Miriam está chorando que não tem dinheiro, quando o companheiro Dario está dizendo ‘olha o arcabouço fiscal, não posso, não tem mais dinheiro’, chama o Bruno Moretti”, declarou o presidente durante o lançamento do Move 2, em 26 de abril.

Na 3ª feira (20.out.2026), Moretti disse que as medidas anunciadas por Lula na campanha exigem só R$ 20 bilhões em remanejamento e não ameaçam a meta de superávit de 2027.

Na 5ª feira (5.nov), Moretti esteve com Lula em reunião com Aloizio Mercadante, Guido Mantega e outros economistas. Alckmin, Haddad e Durigan também participaram.

FAZENDA

Hoje, quem comanda o ministério é Dario Durigan, que assumiu após Haddad sair para disputar o governo de São Paulo. Eis os cotados: 

  • Rafael Fonteles (PT), 41 anos. Matemático, mestre pelo Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e ex-secretário da Fazenda do Piauí, foi eleito governador em 2022 aos 37 anos. Teve 70,90% dos votos no 1º turno da reeleição. Disse que nunca tratou do assunto com Lula;
  • Geraldo Alckmin (PSB), 73 anos. Vice-presidente reeleito e ex-governador de São Paulo. É visto como um nome que agradaria ao mercado;
  • Bruno Moretti. Economista de carreira no Planejamento desde 2004. Tem mestrado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e doutorado em Sociologia pela UnB (Universidade de Brasília). Presidiu o conselho da Petrobras;
  • Dario Durigan, 42 anos. Assumiu a Fazenda em março, após a saída de Haddad. Foi o número 2 do ex-ministro como secretário-executivo. Disse que Fonteles é “um excelente nome” e que a equipe ainda não foi tratada;
  • Luiz Carlos Trabuco Cappi, 75 anos. Presidente do Conselho de Administração do Bradesco, voltou a ser citado para a Fazenda. Foi convidado por Dilma Rousseff para assumir o ministério em 2015, mas recusou.

CASA CIVIL

Atualmente comandada pela ministra Miriam Belchior, que assumiu depois da saída de Rui Costa. Os possíveis nomes para um 4º mandato são:

  • Camilo Santana (PT-CE), 58 anos. Senador e ex-ministro da Educação. Ex-governador do Ceará. Ganhou força pela proximidade com Lula e pelo papel no 2º turno da campanha;
  • Fernando Haddad (PT), 63 anos. Ex-ministro da Fazenda e ex-prefeito de São Paulo. É de confiança do presidente, que quer tê-lo de volta, embora o mau desempenho eleitoral possa levá-lo a outra pasta. Haddad também é cotado para a Educação.

RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

O ministro é José Guimarães, que foi nomeado após a desincompatibilização de Gleisi para concorrer ao Senado. Eis os cotados:

  • João Paulo Cunha (PT), 68 anos. Ex-presidente da Câmara (2003–2005), foi apontado como “sonho de consumo” do Congresso para a pasta. Foi eleito deputado federal por São Paulo com 108.965 votos, em candidatura lançada a pedido de Lula. Foi condenado no mensalão. Não há convite formal conhecido;
  • Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), 44 anos.  Formado em pedagogia pela Unicap (Universidade Católica de Pernambuco). Foi vereador do Recife (2005 a 2007), secretário estadual de Turismo (2007 a 2009), deputado estadual (2007 a 2019), deputado federal (2019 a 2026) por Pernambuco e ministro de Portos e Aeroportos (2023 a 2026). É um nome para aproximar o Centrão do governo;
  • José Guimarães (PT-CE), 69 anos: ex-deputado estadual e deputado federal no 5º mandato consecutivo. Foi vice-presidente nacional do PT e líder do governo na Câmara antes de assumir o ministério. 

DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Comandado por Wellington Dias. Um nome circula para assumir este ministério:

  • Gleisi Hoffmann (PT), 61 anos. Deputada federal e ex-ministra da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), ficou em 4º no Senado pelo Paraná, com 13,35%. Lula pode indicá-la para a pasta como compensação por ter disputado a eleição a pedido dele. 

DEFESA

O ministro é José Múcio, que já sinalizou que não continuará no cargo, apesar de ter bom trânsito com os militares e ter auxiliado na transição do governo Jair Bolsonaro (PL). 

  • Cinara Wagner Fredo. Secretária-geral da pasta, é formada em Direito e tem especialização em Defesa pela Escola Superior de Guerra. Foi indicada pelo próprio Múcio.

Lula busca um substituto civil. Jaques Wagner (PT-BA), Nelson Jobim e Celso Amorim apoiam um nome alternativo. Também é citada a presidente do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha.

SEGURANÇA PÚBLICA

Lula anunciou que criará o Ministério da Segurança Pública, a partir do desmembramento da pasta da Justiça. Entre os cotados para comandar a nova estrutura estão:

  • Lincoln Gakiya, 59 anos. Promotor do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), atua no combate ao crime organizado e disse que aceitaria o convite. Soube da possibilidade pela imprensa;
  • Chico Lucas, 41 anos. Secretário nacional de Segurança Pública, é a alternativa caso Gakiya não aceite.
  • Camilo Santana e Rui Costa (PT-BA), 63 anos. O ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil passou a ser citado.

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Comandado por Luciana Santos. 

  • João Campos (PSB-PE), 32 anos. Foi prefeito do Recife e é presidente do PSB. Caso seja indicado, passará a comandar um ministério que foi comandado pelo seu pai, Eduardo Campos, no 1º mandato de Lula.

MEIO AMBIENTE

Atualmente sob o comando de João Paulo Capobianco, que foi secretário-executivo do ministério.

  • Marina Silva (Rede-SP), 68 anos. Ambientalista e historiadora, Marina foi vereadora por Rio Branco (AC), deputada estadual e senadora pelo Acre. Foi ministra do Meio Ambiente durante os 3 mandatos de Lula. É uma das aliadas que ficou sem cargo público após deixar o governo para se candidatar ao Senado por São Paulo. 

PORTOS E AEROPORTOS

O ministro é Tomé França, que assumiu após Silvio Costa Filho deixar o governo para se candidatar. 

  • Eduardo Paes (PSD-RJ), 56 anos. Ex-prefeito do Rio, foi candidato ao governo do Estado e palanque de Lula. Deve ser o indicado do PSD, que se alia a Lula, para compor a Esplanada. 

SECOM

  • Sidônio Palmeira, 68 anos. Engenheiro e publicitário, assumiu a Secom em janeiro de 2025, no lugar de Paulo Pimenta. Virou alvo de “fogo amigo” de petistas na campanha. Tem dito a interlocutores que não pretende ficar em 2027. Se ele ficará é uma incógnita.

QUEM DEVE FICAR

A maior parte das indefinições está nas trocas de comando, mas alguns ministros são cotados para permanecer no governo. Entre eles estão Alexandre Padilha (Saúde), André de Paula (Agricultura e Pecuária), Guilherme Boulos (Secretaria Geral), Paulo Pereira (Empreendedorismo), Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).

Luiz Marinho e Bruno Moretti também devem continuar na Esplanada, mas podem mudar de pasta. Moretti é cotado para a Fazenda, embora possa permanecer no Planejamento e Orçamento. Marinho pode seguir no Trabalho ou assumir a Previdência Social.

RECORDE DE MINISTÉRIOS

Lula pode começar o 4º mandato com 40 ministérios, o maior número da Nova República. A Esplanada tem 38 pastas. A criação do Ministério da Segurança Pública levaria o total a 39, igualando o recorde de Dilma Rousseff, registrado no 2º mandato.

Lula também cogita criar o Ministério do Idoso, o que elevaria o total a 40. Uma estrutura dedicada à Comunicação Digital está em estudo, mas a tendência é que fique subordinada à Secom, sem representar necessariamente a criação de outro ministério.

Leia nesta reportagem do Poder360 mais detalhes sobre a possível ampliação da Esplanada e o recorde de ministérios.


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