O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta 6ª feira (6.nov.2026) a cobertura da imprensa sobre o governo. Disse que os veículos de comunicação preferem divulgar notícias negativas a destacar os resultados da administração federal. Segundo ele, jornalistas evitam reconhecer ações positivas para não serem vistos como “chapa branca”.
“Nós temos uma imprensa que talvez seja correto, não tô fazendo juízo de valor, que ela prefere criticar do que elogiar”, declarou durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética, no Ministério de Minas e Energia.
Lula disse que a imprensa deveria dar mais espaço às ações do governo e afirmou que os veículos se concentram em notícias negativas. “A gente olha muita futrica e muita notícia ruim, coisa boa não se olha”, afirmou. O presidente também questionou a cobertura sobre a situação fiscal do país. Disse que o governo recebeu as contas públicas com déficit de 2,8% e encaminha o Orçamento com superávit. Não especificou a qual indicador fiscal se referia.
Ainda afirmou que o governo mantém a responsabilidade fiscal, mas não pretende transferir o custo do ajuste para a população de baixa renda. Também comparou a dívida brasileira à de países como Estados Unidos, França, Japão e Itália. Segundo ele, o endividamento dessas economias em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) é maior que o brasileiro. O presidente criticou a imprensa por não destacar essa diferença.
CRÍTICAS À GLOBO
Durante o discurso, Lula também questionou uma campanha exibida na televisão que afirma que 7 milhões de crianças passam fome no Brasil.
O presidente mencionou o apoio da Rede Globo à iniciativa e pediu que a entidade responsável pela divulgação seja investigada. “Eu quero que você investigue pra saber quem é essa entidade que a Globo tá apoiando. Quem é que tá contando essa mentira?”, declarou.
Lula contestou o número apresentado pela campanha e citou a merenda escolar e os programas federais de combate à fome para questionar a informação. O presidente não identificou a campanha durante o discurso. A descrição, porém, corresponde a uma iniciativa do Pacto Contra a Fome, lançada em setembro de 2026 em parceria com a agência Africa Creative. A campanha usa o número de 7 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar grave e pergunta: “Você sabe o que vai comer hoje? 7 milhões de brasileiros não”.
A iniciativa foi divulgada na televisão e em outros meios. Lula, porém, não citou o nome da organização nem apresentou dados para contestar o número durante a reunião.
Os dados mais recentes do IBGE sobre o tema são da PNAD Contínua de 2025. Segundo a pesquisa, o número de pessoas em situação de fome caiu para 6,48 milhões em 2024, redução de 23,5% em relação aos 8,47 milhões registrados em 2023.
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