O senador Flávio Bolsonaro (PL) negou ter acionado os governos da Argentina, dos Estados Unidos e de Israel para organizar sua fuga do Brasil depois da derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao jornalista Glenn Greenwald, gravada na 5ª feira (5.nov.2026), em Miami, disse que não procurou autoridades estrangeiras e se recusou a revelar quem o ajudou na viagem.
Flávio deixou o Brasil depois de receber uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para entregar seus passaportes e não sair do país. Segundo o senador, a decisão de viajar foi tomada com a mulher, Fernanda, em 26 de outubro, depois de uma visita ao pai, Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar.
O congressista saiu do Brasil em 27 de outubro e chegou a Miami no dia seguinte, depois de passar pela Argentina e pelo Equador. A viagem ocorreu sem o cumprimento da determinação judicial.
Questionado por Greenwald sobre possíveis contatos com representantes dos governos estrangeiros, Flávio respondeu: “Não falei com ninguém”. Também evitou esclarecer quem financiou o deslocamento e se recebeu ajuda de terceiros. Alegou que a divulgação dessas informações poderia expor outras pessoas a investigações.
A negativa contrasta com informações publicadas pelo The New York Times e pelo The Wall Street Journal, segundo as quais o jato utilizado pelo senador teria sido providenciado por Jason Miller, ligado ao governo de Donald Trump. O jornal argentino Clarín também relatou a presença de Santiago Caputo, assessor do presidente Javier Milei, em Puerto Iguazú durante a passagem de Flávio pela região.
Na 4ª feira (4.nov), em entrevista ao The New York Times, publicada na 5ª feira (5.nov), Flávio já havia negado a participação de governos estrangeiros. Disse que organizou a viagem por conta própria e que levaria os detalhes de sua saída do Brasil “para o túmulo”. O jornal norte-americano informou que Trump autorizou pessoalmente sua entrada nos EUA, segundo autoridades ouvidas pela reportagem.
PERSEGUIÇÃO E FRAUDE ELEITORAL
Na conversa com Greenwald, Flávio voltou a sustentar que deixou o Brasil por temer uma prisão. Logo no início da entrevista, afirmou que o jornalista também teria sofrido perseguição do Estado por exercer sua profissão e disse sentir-se confortável para falar com alguém que, em sua avaliação, passou por situação semelhante.
Greenwald foi alvo de uma denúncia do Ministério Público Federal em 2020, depois da publicação das reportagens da Vaza Jato, que revelaram mensagens entre integrantes da Operação Lava Jato. A denúncia foi rejeitada pela Justiça. O episódio não comprova a alegação de Flávio de que ambos sejam vítimas de perseguição política.
O senador também voltou a questionar, sem apresentar provas, a vitória de Lula. Ao ser confrontado por Greenwald sobre a ausência de evidências de fraude, reconheceu: “Não tenho”. Disse que sua estratégia jurídica no Brasil será contestar supostos abusos de poder político e econômico da campanha petista, e não pedir a anulação da votação.
Lula foi reeleito em 25 de outubro com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio, uma diferença superior a 4,4 milhões de votos. O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou as acusações de irregularidades na apuração.
Flávio afirmou ainda que não procurou integrantes do governo norte-americano desde sua chegada e que pretende avaliar sua situação migratória. Disse que ainda não decidiu onde viverá com a família e que pretende se sustentar com reservas financeiras provenientes de suas atividades como advogado e empresário.
O congressista declarou que continuará exercendo o mandato de senador remotamente, quando permitido, e que não pretende voltar ao Brasil enquanto considerar que corre o risco de ser preso. Também afirmou que Jair Bolsonaro será seu candidato à Presidência em 2030 caso recupere a elegibilidade.
