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Flávio diz que aliados duvidam da eleição, mas temem represálias

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que seus aliados também desconfiam do resultado das eleições presidenciais de 2026, mas evitam questioná-lo publicamente por medo de represálias. A declaração foi dada em entrevista ao jornalista Glenn Greenwald, divulgada nesta 6ª feira (6.nov.2026), nos Estados Unidos.

“Eu tenho a certeza que, no fundo, no fundo, todos desconfiam do resultado da eleição, mas têm medo de falar”, disse. Flávio não apresentou provas de fraude nem evidências de que seus aliados compartilhem dessa suspeita.

A declaração contrasta com as manifestações públicas de integrantes do PL e de políticos próximos ao senador, que reconheceram a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2º turno, realizado em 25 de outubro. O petista foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio.

ALIADOS RECONHECERAM RESULTADO

Em 26 de outubro, um dia depois da votação, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu o resultado das urnas. A manifestação foi enquanto Flávio anunciava medidas judiciais contra a campanha petista e questionava a legitimidade da eleição.

Na 3ª feira (27.out), o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, confirmou ter recebido uma mensagem do aliado dizendo que precisava “dar um tempo”. Marinho disse que não mantinha contato com ele desde então e indicou que o senador poderia continuar liderando a oposição mesmo fora do Brasil.

O distanciamento ficou mais evidente em 28 de outubro, quando Flávio divulgou uma carta em que se apresentava inicialmente como “verdadeiro presidente eleito”. Uma versão posterior substituiu a expressão por “líder do Brasil”. O documento provocou reações entre aliados, que defenderam o reconhecimento do resultado eleitoral e a reorganização da oposição.

Na entrevista a Greenwald, Flávio foi questionado sobre as críticas de aliados, incluindo Marinho, Valdemar e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Afirmou acreditar que eles não expressam publicamente suas verdadeiras opiniões.

“Acho que as pessoas nesse momento não falam exatamente o que elas pensam”, declarou. Segundo o senador, os aliados temeriam sofrer processos judiciais caso manifestassem dúvidas sobre a eleição.

SEM PROVAS DE FRAUDE

Flávio voltou a questionar a votação e a prorrogação do horário eleitoral determinada pelo Supremo Tribunal Federal. Ao ser confrontado por Greenwald sobre provas da alegada fraude, respondeu: “Não tenho”.

O senador disse que não pretende contestar judicialmente a contagem dos votos. A estratégia, segundo ele, será apresentar acusações de suposto abuso de poder político e econômico contra a campanha de Lula.

A vitória do petista foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral, e não foram apresentadas evidências que sustentem as acusações de manipulação do resultado.

Flávio está nos Estados Unidos desde 28 de outubro, depois de deixar o Brasil sem cumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes para entregar seus passaportes. Afirma que permanecerá no exterior enquanto considerar que corre risco de perseguição judicial.

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