O presidente norte-americano Donald Trump (Partido Republicano) afirmou em entrevista à Fox News, nesta 3ª feira (3.nov.2026), que os Estados Unidos vão encerrar a ajuda militar a Israel até o fim de 2026. A medida antecipa o encerramento do acordo de assistência vigente, que estabelece o repasse de cerca de US$ 3,8 bilhões anuais até 2028 em verbas e equipamentos militares.
Segundo Trump, a iniciativa partiu do próprio primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu (Likud, direita). Trump concordou e disse aos jornalistas que Israel, por ser um país muito próspero, “não precisa mais disso”.
O republicano ressaltou, porém, que o fim da ajuda financeira não impede Israel de continuar comprando armamentos norte-americanos.
ACORDO EUA X ISRAEL
O apoio militar dos EUA a Israel baseia-se em um acordo bilateral de longo prazo assinado em 2016, durante a gestão do ex-presidente Barack Obama (Partido Democrata). Trata-se de um Memorando de Entendimento com validade de 10 anos, cobrindo o período de 2018 a 2028.
Ao todo, o compromisso garante a Israel o repasse de US$ 38 bilhões ao longo de uma década, o que equivale a uma média de US$ 3,8 bilhões anuais e representa a maior promessa de assistência militar contínua da história norte-americana.
Projetado para dar estabilidade a Israel e previsibilidade à indústria bélica americana, o acordo divide os recursos anuais em duas frentes: US$ 3,3 bilhões para o Financiamento Militar Estrangeiro (compra de armas e caças F-35 nos EUA) e US$ 500 milhões para o desenvolvimento conjunto de sistemas de defesa antiaérea.
Para garantir o financiamento decenal, Israel aceitou restrições: a obrigação progressiva de gastar 100% dos recursos em fornecedores americanos –encerrando as compras da sua própria indústria de defesa– e o compromisso de não solicitar verbas extras ao Congresso dos EUA, exceto em emergências extremas de conflito.
ELEIÇÕES DECISIVAS
A notícia veio em um momento decisivo para ambos os países. Os EUA passaram nesta 3ª feira (3.nov) pelas eleições de meio de mandato, as chamadas midterms, nas quais estão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 assentos do Senado.
Nenhuma cadeira foi oficialmente projetada ou conquistada por democratas ou republicanos até o momento, mas o controle do Congresso definirá se Trump terá um Legislativo favorável para aprovar o orçamento e direcionar a política externa ou se enfrentará uma oposição fortalecida nos próximos 2 anos.
Em Israel, o cenário depois das eleições para o Parlamento (Knesset) já apresenta contornos claros de fragmentação depois da conclusão da apuração preliminar de votos. O partido Likud, presidido por Benjamin Netanyahu, lidera com a projeção de 27 assentos, seguido pelo partido Yashar, com 21 assentos.
Como nenhuma legenda atinge individualmente o mínimo necessário de 61 cadeiras para governar, Netanyahu depende de negociações com partidos aliados da direita e de setores religiosos, como o Shas (6 assentos), o United Torah Judaism (7 assentos) e o Otzma Yehudit (7 assentos), para tentar consolidar um bloco majoritário. Caso as articulações falhem por causa do avanço de partidos opositores e blocos árabes, o país poderá enfrentar novos impasses institucionais.
