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“Vitória na eleição não foi do PT”, diz José Dirceu

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

José Dirceu (PT), derrotado na disputa por uma vaga de deputado federal por São Paulo, afirmou que “a renovação do PT é urgente” e que a correlação de forças que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), expressa nas ruas, deve ser refletida na composição do governo.

“A vitória na eleição não foi do PT. Temos que tirar consequências disso, não pode só falar. Temos que fazer quase uma reconstrução do PT. E dialogar com Psol, Rede, PDT e PSB para construir uma força mais orgânica”, declarou o ex-ministro da Casa Civil em entrevista a Sérgio Roxo, do jornal O Globo, publicada nesta 3ª feira (3.nov.2026).

Segundo Dirceu, “houve uma revolução pacífica e democrática pelo voto no Brasil. A sociedade clamou para que Lula fizesse um governo que retratasse as forças que o elegeram na composição”.

O ex-deputado disse que Lula “tem uma oportunidade histórica de chamar o país a um pacto político. O Brasil precisa de reformas, que precisam ser pactuadas: tributária, financeira, política e do Judiciário. Ele tem autoridade para liderar isso”.

Sobre a renovação do Partido dos Trabalhadores, Dirceu avaliou que o Nordeste terá representação maior. Disse que, embora a legenda só renove seu quadro dirigente em 2029, haverá um congresso e uma discussão de estatuto para repensar a nova realidade do partido. “Temos de democratizar mais o PT, melhorar a formação política e a atuação nas redes. A renovação no PT é urgente”, declarou.

Sobre o futuro do partido, defendeu diálogo com outras forças de esquerda e a aproximação com jovens que votaram em Flávio Bolsonaro (PL) e com evangélicos. “Temos de compreender melhor os setores da sociedade, sobretudo a juventude, insatisfeitos com a esquerda. Precisamos superar essa questão que o PT é antievangélico. Não podemos ter preconceito de que os evangélicos são bolsonaristas”, disse.

O ex-ministro falou sobre a sucessão de Lula, que completou 81 anos na semana passada. Para Dirceu, quem ocupar o lugar do presidente como líder terá “de provar isso governando ou liderando. Alguém vai se destacar”.

Ele declarou: “O [Fernando] Haddad se destacou como ministro da Fazenda e da Educação e ganhou espaço. Perdeu a eleição, mas isso não quer dizer nada. O Lula perdeu 3 e se elegeu 4 vezes presidente”

Dirceu afirmou que os próximos líderes “vão ter de surgir na construção do país, do próprio PT e da luta democrática”. Ele declarou que “a direita já tem nomes enfileirados”.

Questionado sobre o ajuste fiscal, Dirceu disse que o problema da dívida pública deve ser enfrentado com a redução dos juros. “Não podem pedir para o governo fazer um ajuste que vai contra os interesses da maioria que votou a favor do Lula. Uma das razões da mobilização foi o medo de perder a vinculação do salário mínimo, a aposentadoria, a saúde, a educação. Não nos peçam para fazer aquilo que o eleitorado não aprovou”, declarou.

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