Assim que tomar posse, o governador eleito do Amapá, Dr. Furlan (PSD), pretende procurar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a Petrobras para discutir a preparação do Estado como possível base logística da exploração de petróleo na Margem Equatorial.
Preparar a infraestrutura do Amapá para a movimentação logística e econômica que poderá acompanhar a atividade petrolífera é uma das prioridades do plano do futuro governo, disse Furlan em entrevista ao Poder360, a 1ª concedida pelo médico depois de vencer as eleições amapaenses no 1º turno, com 62,75% dos votos.
Assista a entrevista de Dr. Furlan ao Poder360 (18min):
https://www.youtube.com/watch?v=05gmxO6q8Dk
O petróleo descoberto pela Petrobras em agosto está a 175 quilômetros do Oiapoque, no litoral do Amapá, no extremo Norte do país. O material foi encontrado na porção brasileira da Margem Equatorial.
Embora a estatal ainda esteja analisando a viabilidade comercial da descoberta, já há confirmação de óleo em pelo menos 3 camadas do Poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas. Há expectativa de que a produção de petróleo no Amapá possa começar nos próximos 7 anos, caso os estudos confirmem a viabilidade da exploração e sejam obtidas as autorizações necessárias.
Tratada como um possível “novo pré-sal”, a Margem Equatorial tem potencial estimado em até 41 bilhões de barris. Segundo estimativa citada pela Firjan, a exploração desse potencial poderia contribuir para prolongar a produção brasileira de petróleo por pelo menos mais 1 século.
O governador eleito aposta na interlocução com o governo federal para viabilizar obras de infraestrutura. Na avaliação de Furlan, os projetos relacionados à Margem Equatorial também são de interesse do Palácio do Planalto.
Entre os objetivos da nova gestão estão a implantação de um distrito industrial, a conclusão da pavimentação da BR-156 e a modernização do Porto de Santana. As obras são consideradas estratégicas para atrair empresas e serviços ligados à possível exploração de óleo e gás na região.
“O Amapá é um Estado pequeno, que depende do governo federal. A partir do momento que nós temos um novo pré-sal, uma reserva [de petróleo] tão grande aqui, as obras do Amapá servirão ao Brasil”, disse Furlan ao Poder Entrevista.
O governador eleito também destacou projetos federais de infraestrutura que podem beneficiar o chamado Arco Norte, conjunto de corredores logísticos que abrange Estados como Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Maranhão. Os ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos projetam leilões de hidrovias e ferrovias na região de 2027 a 2030.
“A partir da tomada de posse, nós temos que ir ao governo federal e fazer com que esses projetos saiam do papel, porque a integração e a logística é fundamental nesse momento”, declarou.
Para financiar as obras, Furlan disse que buscará recursos do governo federal e, caso não haja verba disponível, poderá recorrer a empréstimos e operações de crédito junto a instituições como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
DIÁLOGO COM SETOR DE PETRÓLEO
Além do diálogo com o Planalto, o governo eleito pretende estabelecer interlocução com a Petrobras, responsável pelas atividades de pesquisa na região e por uma eventual exploração comercial, caso a viabilidade seja confirmada. Furlan quer colocar sua equipe à disposição da estatal para discutir as necessidades de infraestrutura e logística.
Nos próximos dias, o governador eleito também deverá receber no Amapá representantes do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), entidade representativa da indústria de petróleo e gás no Brasil, e da Transpetro, subsidiária da Petrobras que atua no transporte e armazenamento de petróleo, derivados e gás natural.
Em dezembro de 2025, o governo do Amapá assinou um memorando de entendimento com a Transpetro para avaliar a inclusão do Estado no planejamento logístico da Petrobras e estudar a viabilidade de instalar uma base de apoio na região. A estrutura poderia atender a futuras operações de petróleo e gás na Margem Equatorial.


