⚡ Últimas

Ibovespa cai 9,88% em outubro; dólar turismo e comercial avançam 5%

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Ibovespa cai 9,88% em outubro; dólar turismo e comercial avançam 5%

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 9,88% em outubro e teve a maior desvalorização entre 13 indicadores financeiros. O dólar turismo (+5,47%) e o dólar comercial (+5,21%) lideraram as valorizações, segundo levantamento do Poder360 com dados até esta 6ª feira (30.out.2026).

A alta da moeda norte-americana expõe a desvalorização do real no mês por causa da reprecificação dos ativos brasileiros após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial.

Isso se deve ao fato de parte dos investidores esperar maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas sob Flávio, que havia ficado à frente no 1º turno.

O parâmetro do levantamento é o IPCA-15, calculado pelo IBGE. A prévia da inflação subiu 0,32% em outubro, 4,15% em 2026 e 4,62% em 12 meses.

Qualquer aplicação que rendeu mais de 0,32% no mês teve ganho real, ou seja, acima da inflação. A que rendeu menos perdeu poder de compra.

Oito dos 13 indicadores superaram o IPCA-15 em outubro. Quatro tiveram perda.

O dólar turismo superou o IPCA-15 em 5,15 p.p. no mês. A poupança, em 0,34 p.p.

Os BDRs são ativos negociados na B3 que representam ações de empresas sediadas no exterior. Subiram 0,93% em outubro, em período de alta do dólar.

RENDA FIXA LIDERA EM 12 MESES

O Tesouro Selic 2029 teve o maior rendimento nominal em 12 meses entre os indicadores, de 14,43%. Foi o único dos títulos públicos analisados com resultado positivo em todas as janelas.

Os demais títulos também superaram o IPCA-15 nas 3 janelas:

  • Tesouro IPCA 2029: +1,85% no mês, +10,62% no ano e +12,71% em 12 meses (8,09 p.p. acima da inflação);
  • Tesouro Prefixado 2029: +1,60% no mês, +7,40% no ano e +9,09% em 12 meses;
  • IGP-M: +1,66% no mês, +8,52% no ano e +11,77% em 12 meses;
  • BDRs: +0,93% no mês, +10,58% no ano e +11,68% em 12 meses;
  • poupança: +0,66% no mês, +6,85% no ano e +8,29% em 12 meses.

Considerando as 12 janelas de 12 meses dos indicadores (exceto o Risco Brasil), 7 superaram a inflação e 5 ficaram abaixo.

EFEITO LULA E “FLÁVIO DAY”

O cenário se deu pela reprecificação dos ativos brasileiros depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida ao Planalto.

Parte dos investidores esperava um maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas sob Flávio, que havia largado à frente no 1º turno.

Reprecificar significa que os investidores revisam os preços dos ativos ao mudar suas expectativas. No caso do Ibovespa, o resultado foi a maior queda do mês. No do dólar, a maior alta.

A expectativa provocou o chamado “Flávio Day”. No 1º pregão após a votação, em 5 de outubro, o Ibovespa subiu 7,70%, aos 206.911,89 pontos, enquanto o dólar caiu 4,12%, para R$ 5. Os juros futuros também haviam recuado.

O movimento demonstrou a aposta em uma mudança na condução da política econômica e em medidas de ajuste fiscal.

Com a vitória de Lula, parte dessa valorização foi revertida. Os investidores passaram a exigir um prêmio maior para manter recursos em ativos brasileiros, diante das incertezas sobre a trajetória das contas públicas.

AJUSTE FISCAL

O ajuste fiscal é importante para o mercado porque ajuda a conter o endividamento público e a reduzir a percepção de risco de calote ou deterioração das contas. Com maior confiança na sustentabilidade da dívida, os investidores tendem a exigir juros menores para financiar o governo.

Isso também pode reduzir os juros futuros, baratear o crédito para empresas e estimular investimentos.

O Risco Brasil encerrou outubro em 134,87 pontos. O indicador teve queda de 3,45 pontos em relação a setembro e de 3,80 pontos em 2026. O patamar, porém, ainda está acima de países emergentes como México (92,85), Peru (66,60) e Chile (57).

O indicador mede o prêmio de risco exigido por investidores estrangeiros para aplicar em títulos da dívida brasileira em comparação com papéis considerados mais seguros, como os dos Estados Unidos.

Ibovespa cai 9,88% em outubro; dólar turismo e comercial avançam 5% — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado