O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará montar uma equipe econômica qualificada e fazer um bom governo para evitar problemas em seu 4º mandato. Segundo Kassab, o Congresso Nacional será mais crítico ao Executivo, o que aumentará a pressão sobre o presidente.
“Ele vai encontrar um Congresso bastante crítico. E, com essa adversidade, com essa nova situação, ele só tem uma saída: fazer um bom governo”, declarou nesta 3ª feira (27.out.2026), durante evento do Dominium Group.
Para Kassab, se Lula não corresponder às expectativas da sociedade, enfrentará simultaneamente a decepção da população e a hostilidade do Congresso. “Se ele não fizer um bom governo, ele vai ter problemas porque vai se associar à decepção da sociedade com o governo, e junto a uma hostilidade do Congresso Nacional”, disse.
O presidente do PSD afirmou que o petista precisará escolher nomes com conhecimento técnico para comandar os ministérios da Fazenda e do Planejamento. Segundo ele, o governo terá de promover cortes de gastos e aperfeiçoar o planejamento orçamentário, sem abandonar os compromissos sociais assumidos durante a campanha. “Ele precisa ter à frente do Ministério da Fazenda alguém que tenha conhecimento do que precisa ser feito. E à frente do Ministério do Planejamento, um profundo conhecedor dos gastos públicos”, declarou.
Kassab afirmou que será necessário conciliar o controle das contas públicas com a preservação dos programas sociais. Para ele, Lula deveria se inspirar em seu 1º mandato, quando, segundo o dirigente, conseguiu combinar iniciativas sociais com equilíbrio fiscal. “Ele constituiu uma equipe econômica que soube dar retaguarda aos seus projetos sociais, mantendo o equilíbrio fiscal, uma saúde importante para a economia”, afirmou.
Como exemplo, Kassab citou a escolha de Henrique Meirelles para comandar o Banco Central durante o 1º mandato de Lula, apesar de o economista estar ligado ao PSDB. Também mencionou a permanência de Antonio Palocci na equipe econômica e a manutenção de integrantes da equipe do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
“Ele chamou o Meirelles, lembra do Henrique Meirelles, que estava no PSDB, trouxe para o governo do PT”, disse Kassab, ao defender que o presidente escolha uma equipe capaz de dar sustentação à política econômica e aos projetos sociais.
OPORTUNIDADE
Apesar dos riscos, Kassab afirmou que Lula tem uma oportunidade inédita para consolidar seu legado. Segundo ele, a experiência acumulada nos mandatos anteriores pode ajudar o presidente a evitar erros e a governar sem priorizar os interesses eleitorais. “Na minha percepção, o Lula tem a melhor oportunidade da sua vida para fazer um bom governo. Ele chega com bastante experiência”, declarou.
Para Kassab, o presidente deve governar “de olho na sociedade brasileira”, e não nas próximas eleições. Se aproveitar a oportunidade, poderá deixar o país em condições favoráveis para o futuro. “Se ele souber aproveitar essa oportunidade, ele pode sair consagrado, o maior brasileiro que [foi] quatro vezes presidente da República, deixando a nossa economia preparada para um futuro que é muito promissor, diante das riquezas que o Brasil tem”, afirmou.
O dirigente, porém, fez uma ressalva: “Se ele não aproveitar essa oportunidade, ele vai se enterrar para o governo. Mas eu sou otimista”.
COMUNICAÇÃO DIGITAL
Kassab também defendeu que os políticos invistam mais em comunicação digital. Segundo ele, parte do sucesso do bolsonarismo está associada à atuação de comunicadores ligados ao movimento. “Hoje fica claro que parte do sucesso do bolsonarismo está atrelado à sua comunicação”, disse.
O presidente do PSD afirmou que a esquerda também passou a investir nesse campo e citou o crescimento de um comunicador ligado ao campo político de Lula, que, segundo ele, alcançou quase 10 milhões de seguidores em 3 semanas. “Mostra que a política precisa realmente se envolver agora com a comunicação digital. Cada vez mais os players da política vão precisar se envolver nos seus projetos com comunicação digital”, declarou.
Ao falar sobre a atuação do PSD no Congresso, Kassab defendeu que o partido apoie propostas que contribuam para o país, mas mantenha sua independência para fiscalizar o governo. Segundo ele, essa postura deve valer para todas as siglas, inclusive o PL. “A gente tem que estar preparado para fiscalizar, tem que estar preparado para apoiar projetos que estejam nesse sentido, atendam esses objetivos, porque dessa maneira vai estar contribuindo para o Brasil melhorar”, afirmou.
