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Paradeiro de Flávio é problema da direita, avalia governo Lula

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)

O governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou sabendo da ida de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos. O Planalto avalia que a viagem, com o passaporte cancelado, não deve impedir uma relação pragmática com Washington. A leitura é que o senador, derrotado no domingo (25.out.2026), abandona os eleitores que lhe deram 56.104.268 votos.

O entendimento é que o episódio terá mais repercussão entre os eleitores do senador, o PL (Partido Liberal) e a direita brasileira do que nas relações diplomáticas. Uma das avaliações no governo é que o Departamento de Estado dos EUA deverá receber Flávio de alguma forma, ainda que se limite a uma sinalização positiva ao senador.

O governo vê uma disputa aberta dentro da administração americana. De um lado estão os ideológicos, como Marco Rubio, que ainda buscam desestabilizar o Brasil, na visão do Planalto. Do outro, os que defendem lidar com o país e procurar convergências.

O Planalto reconhece que a presença da família Bolsonaro nos EUA deteriora a relação. Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Allan dos Santos e Alexandre Ramagem já estão lá.

Se a Justiça brasileira pedir a extradição, o Executivo é obrigado a encaminhá-la, sem margem para recusa. O pedido deve ser encaminhado pelos canais diplomáticos. Até a publicação desta reportagem, porém, não havia solicitação de extradição, já que o paradeiro de Flávio ainda não era conhecido.

ENTENDA O CASO

Na 2ª feira (26.out), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que Flávio entregasse os passaportes e proibiu sua saída do Brasil. A decisão foi anunciada pelo próprio senador.

Na 3ª feira (27.out), depois de Flávio não entregar os documentos dentro do prazo, a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático. A investigação também apurava a possibilidade de o senador ter deixado o país por meio da Argentina antes de seguir para os Estados Unidos.

A saída foi noticiada com base em relatos de aliados, embora houvesse informações divergentes sobre a confirmação formal do deslocamento.

Outros integrantes da família Bolsonaro deixaram o Brasil. Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, está nos Estados Unidos desde 2025. Ele foi condenado a 4 anos de prisão por articular sanções contra autoridades brasileiras e o tarifaço americano, e tem mandado de prisão em aberto no Brasil.

O pai, Jair Bolsonaro (PL), também já buscou abrigo fora. Em dezembro de 2022, viajou para a Flórida antes da posse de Lula. Em fevereiro de 2024, depois de a PF apreender seu passaporte na operação sobre a trama golpista, passou duas noites na Embaixada da Hungria, em Brasília. Foi condenado depois no processo, por tentativa de golpe de Estado.


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