⚡ Últimas

Principal ETF do Brasil em NY, EWZ despenca 18% com reeleição de Lula

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O EWZ, fundo negociado na Bolsa de Nova York que acompanha ações brasileiras, recuava 17,97%, a US$ 34,94, às 21h52 deste domingo (25.out.2026), no pós-mercado, depois da confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O pós-mercado é o período de negociação de ativos realizado depois do encerramento do pregão regular das Bolsas norte-americanas. As oscilações nesse intervalo podem dar indicações sobre a reação dos investidores antes da abertura do mercado no dia seguinte, mas não determinam o desempenho do pregão regular.

O EWZ é um ETF (Exchange Traded Fund), fundo negociado em Bolsa que reúne ações de diferentes empresas. É o principal fundo de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos e acompanha o índice MSCI Brazil, composto por papéis de companhias brasileiras de médio e grande porte.

O desempenho do EWZ dá uma indicação da reação dos investidores às ações brasileiras antes da abertura da B3 nesta 2ª feira (26.out). Os setores financeiro, de energia e de materiais estão entre os de maior participação na carteira do fundo.

ADRs CAEM

Entre as empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos, os ADRs (recibos de ações) da Petrobras e do Itaú também registravam perdas expressivas.

Por voltas das 21h15, os ADRs da Petrobras negociados sob o código PBR, que representam ações ordinárias (PETR3), caíam 11,96%, a US$ 23,15. Os papéis PBR-A, associados às ações preferenciais (PETR4), recuavam 10,33%, a US$ 21,10.

Os ADRs são recibos negociados no mercado norte-americano que representam ações de empresas de outros países. O mecanismo permite que investidores dos Estados Unidos negociem papéis de companhias brasileiras sem precisar comprar as ações diretamente na Bolsa brasileira.

Os recibos da Vale (VALE) registravam baixa de 4,19%. Já os do Itaú (ITUB) recuavam 13,65%.

FRUSTRAÇÃO DO MERCADO

A vitória de Lula contrariou as expectativas de parte do mercado financeiro, que considerava a possibilidade de mudança de governo e de adoção de uma agenda econômica menos expansionista por Flávio Bolsonaro (PL). Essa perspectiva havia contribuído para a valorização da Bolsa depois do primeiro turno.

Com a reeleição de Lula, os investidores podem rever suas posições ao longo da semana, provocando maior volatilidade no câmbio e nos juros futuros. Os preços dos títulos públicos também podem sofrer pressão diante da mudança nas expectativas do mercado.

Gabriel Pinheiro, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, avalia que a Bolsa brasileira deve abrir em forte queda na 2ª feira (26.out.2026). Segundo ele, o mercado vinha precificando a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL), depois de o senador terminar o 1º turno à frente do petista. “Acredito em queda forte na Bolsa amanhã e em um pregão muito volátil”, afirmou.

Pinheiro estima que o Ibovespa possa recuar de 5% a 9% na abertura, para a faixa de 185 mil a 195 mil pontos. Em um cenário mais negativo, o índice poderia testar os 170 mil pontos nas semanas seguintes, segundo o especialista, que não descarta a possibilidade de acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de quedas acentuadas. “O mercado passou o mês de outubro comprando a tese de alternância de poder. Uma reeleição de Lula obriga o mercado a desfazer boa parte desse movimento”, declarou.

Para o especialista, a intensidade da reação dependerá dos sinais do governo sobre a política fiscal, da composição da equipe econômica e da relação com o Congresso Nacional. Ele avalia que bancos, varejo e empresas de consumo podem ficar entre os setores mais pressionados, por terem se beneficiado da expectativa de queda dos juros. “O mercado vai cobrar prêmio até enxergar um plano fiscal crível, compromisso e responsabilidade para o presidente Lula e sua equipe”, disse.

REELEIÇÃO DE LULA

Lula venceu Flávio Bolsonaro e garantiu um 4º mandato na Presidência da República. O resultado representou uma virada em relação ao primeiro turno, quando o senador havia terminado à frente do petista.

A votação foi marcada por problemas no transporte público, que levaram ao adiamento do encerramento das urnas para 19h.