A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve provocar forte volatilidade nos mercados financeiros na segunda-feira (26.out.2026), com queda da Bolsa, alta do dólar e pressão sobre os juros futuros.
O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, afirmou que o mercado está frustrado com o resultado, já que a vitória de Lula não era o cenário-base dele.
De acordo com o especialista, apesar do pessimismo no curto prazo, o desempenho dos mercados dependerá das medidas adotadas a partir de 2027.
Sócio da GT Capital, Gabriel Pinheiro estima queda superior a 5% do Ibovespa na abertura e não descarta o acionamento até de um circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de perdas acentuadas.“Veremos a Bolsa sangrar como há muito tempo não se via”, afirmou.
O circuit breaker na B3 é acionado quando o índice Ibovespa atinge uma queda de 10% em relação ao fechamento do dia anterior.
O mercado vinha apostando na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que terminou o 1º turno à frente de Lula. Na sessão logo após este resultado, o Ibovespa subiu 7,7% e chegou a 209,6 mil pontos, enquanto o dólar recuou para cerca de R$ 5,00.
“Minha leitura é que a piora com Lula tende a ser mais intensa do que a melhora que viria com Flávio, justamente porque a vitória do senador já estava parcialmente no preço”, declarou Pinheiro.
O EWZ, fundo negociado na Bolsa de Nova York que acompanha ações brasileiras, recuava 17,97%, a US$ 34,94, às 21h52 deste domingo (25.out), no pós-mercado.
DÓLAR E JUROS
Pinheiro estima que o dólar possa abrir entre R$ 5,30 e R$ 5,50.Para os juros futuros, estima alta de 60 a 100 pontos-base nos vencimentos de médio e longo prazo.
Os setores mais sensíveis à reação negativa, segundo ele, são bancos, varejo e consumo. Sinais de compromisso fiscal, mudanças na equipe econômica e diálogo com o Congresso poderiam reduzir a pressão sobre os ativos brasileiros.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, também diz esperar volatilidade no câmbio e nos juros futuros, além de possível estresse no mercado de títulos públicos. O economista estima que o dólar permaneça próximo de R$ 5,40 em 2027 e avalia que a inflação mais persistente reduzirá o espaço para cortes da Selic.
AJUSTE FISCAL EM FOCO
Sung avalia que haverá ajuste fiscal, mas em ritmo mais moderado do que se daria em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
O economista projeta crescimento econômico de cerca de 1,3% com a continuidade do governo Lula. Sung lembra que, após a eleição de 2022, a aprovação do novo arcabouço fiscal contribuiu para melhorar o sentimento dos investidores e favoreceu a Bolsa.
“É preciso observar como as pautas econômicas vão avançar no médio prazo”, afirmou.
