⚡ Últimas

Em debate, Flávio promete trem no Nordeste; Lula destaca BR-319 no Norte

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

Candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) usaram o debate da TV Globo para falar sobre projetos de infraestrutura que pretendem executar ou concluir no próximo mandato. 

Enquanto o petista focou nos avanços feitos no setor durante a sua gestão, o candidato do PL disse querer continuar algumas das políticas do atual governo, como a carteira de ferrovias, e trouxe uma proposta inédita: um trem de passageiros que ligaria 7 capitais do Nordeste. 

O projeto, que consta no plano de governo de Flávio, consiste na construção de uma ferrovia de 1.400 quilômetros, passando por Salvador (BA), Aracaju (SE), Maceió (AL), Recife (PE), João Pessoa (PB), Natal (RN) e Fortaleza (CE). O objetivo é incentivar o turismo na região. 

“E eu vou fazer uma grande ferrovia cortando todas as capitais do Nordeste, desde Salvador até lá em São Luís. Um trem que vai gerar muito turismo. Você que trabalha com turismo vai poder receber a sua gorjeta em dólar, em euro. É assim que eu vou garantir e levar prosperidade para o Nordeste”, disse Flávio durante o debate, realizado na 6ª feira (23.out.2026). 

A campanha do senador, no entanto, ainda não apresentou detalhes sobre o empreendimento, como um esboço de traçado, estudo prévio de viabilidade, orçamento ou origem dos recursos. 

No entanto, a coordenadora econômica de Flávio, Daniella Marques, já declarou que o projeto poderia ser viabilizado com capital de empresas ou concessões e parcerias público-privadas, sem nenhum tipo de aporte do Orçamento da União.

Ao tratar das suas propostas para infraestrutura, Flávio disse ainda querer “rasgar o país de ferrovias”, indicando continuidade à carteira de projetos para o setor lançada neste ano pelo governo Lula. Também prometeu concluir as obras da Transnordestina e “investir muito” na concessão de rodovias, “como fez”, segundo ele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

LULA DESTACA BR-319

Durante o debate, o presidente falou sobre os investimentos feitos pelo seu governo no setor de infraestrutura. Citou as obras da Transnordestina e os projetos da FICO (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) e da FIOL (Ferrovia de Integração Oeste-Leste). Embora tenha dito que “já está fazendo” as ferrovias, os empreendimentos devem ir a leilão só em 2027.

No setor de rodovias, Lula destacou a Nova Serra das Araras, na Via Dutra, entre o Rio de Janeiro e São Paulo. O petista disse que a obra é de “quase R$ 12 bilhões”, apesar de o investimento anunciado pelo governo em junho ter sido de R$ 1,5 bilhão.

O presidente também optou por destacar o asfaltamento da BR-319, na região Norte, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). O projeto é considerado um dos mais sensíveis do país por envolver disputas ambientais e judiciais que atrasam há anos a conclusão da obra. Lula visitou o empreendimento em maio. 

“Nós estamos fazendo uma rodovia muito importante, que ninguém teve coragem de fazer, que liga Porto Velho a Manaus, que é a BR-319”, disse o petista durante o debate. 

Na verdade, a obra da BR-319 foi iniciada no governo Costa e Silva (1967-1969) e inaugurada em 1972. O início do asfaltamento foi em 2001: 58 km saindo de Porto Velho e 100 km saindo de Manaus. A rodovia tem ao todo cerca de 885 km de extensão e é considerada a principal ligação terrestre de Manaus com o restante da malha rodoviária nacional. O principal gargalo está no chamado “trecho do meio”, entre os km 250 e 655, onde a estrada atravessa uma área preservada da floresta amazônica.

O asfaltamento desse pedaço da rodovia enfrenta maior resistência de ambientalistas, pesquisadores e órgãos de controle. É também nesse trecho que se concentram os principais problemas de trafegabilidade: durante o período de chuvas, a estrada fica lamacenta e veículos chegam a atolar. 

A obra enfrentou resistência do MMA (Ministério do Meio Ambiente), então chefiado por Marina Silva. A tensão ficou explícita ainda em 2023, quando o governo criou um grupo de trabalho para estudar a BR-319 no âmbito do Novo PAC sem incluir o Ibama nem o MMA. A área ambiental passou a cobrar que a pavimentação fosse acompanhada de medidas para conter desmatamento, grilagem, ocupação irregular e abertura de ramais ilegais no entorno da rodovia.

A partir do fim de 2024, Lula passou a assumir publicamente uma defesa mais explícita da obra, ainda que condicionada a salvaguardas ambientais. Em setembro daquele ano, disse que o governo iria “terminar” a rodovia com “responsabilidade”, durante a seca que reduziu a navegabilidade de rios amazônicos.  

O impasse só foi encerrado em julho de 2025, quando o presidente promoveu um acordo entre os ministérios dos Transportes e do Meio Ambiente. O resultado do pacto levou ao chamado “Plano 319”,  que cria um cronograma de ações de proteção ambiental e de desenvolvimento para os moradores do entorno, enquanto viabiliza o andamento das obras.

Em 2026, o governo passou a buscar instrumentos para acelerar o licenciamento e a execução da obra. Em 13 de abril, o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) publicou editais para melhorias no “trecho do meio”, entre os km 250,7 e 590,1.