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Indústria arremata todo o volume ofertado no 1º leilão de gás da União

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

Companhias de 8 indústrias de base arremataram todo o volume ofertado no 1º leilão de gás natural da União, promovido pela PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A) nesta 5ª feira (22.out.2026). 

O certame ofereceu diretamente aos consumidores industriais pela 1ª vez a parcela de gás natural da União proveniente dos contratos de partilha do pré-sal administrados pela PPSA. Essa 1ª disputa foi destinada exclusivamente a indústrias de base definidas como prioritárias pelo governo federal. 

Foram arrematados todos os 110 lotes, de 100.000 m³/dia cada, que totalizam 1,1 milhão de m³/dia oferecidos pela União. O leilão, dividido em 5 partes, foi direcionado aos setores de vidro, fertilizantes, cerâmica, siderúrgico, metalúrgico, mineração, químico e petroquímico. Das 36 empresas habilitadas pela PPSA, 23 arremataram lotes, taxa de participação que indica alto nível de interesse na disputa. 

Os resultados confirmaram projeção feita pelo Ministério de Minas e Energia, que estimou redução superior a 50% no preço da molécula para a indústria em relação aos valores praticados atualmente.

Os vencedores pagarão prêmios de US$ 1,82 a US$ 4 por MMBtu (milhão de BTU) pelo gás. Os preços contratuais para as vencedoras serão calculados com base em 115% do índice Henry Hub no mês anterior à entrega e na taxa de câmbio estabelecida no edital, mais o prêmio ofertado pelos compradores. Considerando as cotações atuais, o gás da União será acessado por valores de US$ 5,04 a US$ 7,22.

Atualmente, os grandes consumidores industriais do Brasil chegam a pagar de US$ 12 a US$ 15 por milhão de BTU. O MMBtu (Million British Thermal Units) é a principal unidade de medida de energia térmica usada no mercado global de gás natural.

O leilão foi o 1º teste para medir a disposição da indústria em competir diretamente pelo gás da União, principalmente em setores em que o insumo tem maior fatia no custo de produção. Também marca a estreia da PPSA como agente oficial de comercialização do gás da União, conforme aprovado pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética).

RESULTADOS

A 1ª disputa, destinada ao setor vidreiro, teve todos os 10 lotes arrematados a um preço de US$ 4 por MMBtu, ágio de US$ 2,20 em relação ao preço de partida de US$ 1,82. Saíram vencedoras AGC Vidros, Cebrace e Wheaton Brasil, 3 das maiores empresas da indústria vidreira do Brasil. 

No 2º leilão, o setor ceramista arrematou os 20 lotes disponíveis, a US$ 1,86 por MMBtu, ágio de US$ 0,06, ou 3,33%. Venceram 8 companhias, que dividirão o volume ofertado de 200 m³/dia. 

A 3ª etapa, reservada para as indústrias siderúrgica, metalúrgica e de mineração, teve como vencedoras Vale, Samarco, Ternium, Gerdau e CSN (Companhia Siderúrgica Nacional). As 5 companhias arremataram os 32 lotes oferecidos, a US$ 2,30 por MMBtu, ágio de 27,78%, ou US$ 0,50.

As indústrias química e petroquímica arremataram os 35 lotes reservados para a 4ª e maior etapa do leilão, com oferta de 350 mil m³/dia. Foram 5 vencedoras, incluindo Braskem, Evonik e Rhodia. O preço ficou em US$ 1,92 por MMBtu, com ágio de 6,67%, ou US$ 0,12.

A última etapa, destinada ao setor de fertilizantes nitrogenados, teve os 13 lotes arrematados por duas companhias. A Multitécnica e a Yara Fertilizantes asseguraram o volume destinado ao segmento pelo preço de partida –US$ 1,82 por MMBtu.

O leilão estabelecia ainda uma 6ª rodada, aberta para todas as indústrias, para disputa de eventuais lotes remanescentes. Como todo o volume foi arrematado, a etapa não foi realizada.

Os preços contratuais para as vencedoras serão calculados com base em 115% do índice Henry Hub e na taxa de câmbio indicada no edital, mais o prêmio ofertado pelos compradores, que parte de US$ 1,82 por milhão de BTU.

O valor de Henry Hub é o principal índice de precificação do gás natural na América do Norte e referência mundial para venda do insumo. Foi escolhido por ser o mais estável, segundo a PPSA.

O gás será entregue aos compradores na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, operado pela Petrobras no Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro. O fornecimento será de março a dezembro de 2027. Toda a contratação de transporte, distribuição e logística a partir deste ponto é de risco e custo do comprador. 

1º LEILÃO DE GÁS DA UNIÃO

O 1º leilão de gás da União da história marca a estreia da iniciativa do Ministério de Minas e Energia para disponibilizar o insumo ao mercado anualmente. As diretrizes para essa e as próximas disputas foram aprovadas em 30 de julho em resolução do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). 

A PPSA será responsável por organizar os leilões e atuará nos próximos anos como agente comercializador do gás da União. A medida estabelece a realização de certames de curto prazo, de 2026 a 2030, e de longo prazo, de 2030 em diante.

Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a ideia é que o gás da União possa ser acessado por diferentes setores da economia. A medida tem potencial para reduzir em mais de 50% o custo do gás natural da União para a indústria nacional, segundo o MME.

Estudos da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) indicam ainda redução dos custos do insumo para segmentos como a geração termelétrica e o transporte por GNV (gás natural veicular).

Até então, a parcela de gás natural pertencente à União era adquirida pela Petrobras por meio de contratos antigos e a preços reduzidos. Com o novo arranjo, o governo poderá direcionar esse gás diretamente ao mercado, atendendo setores industriais estratégicos que dependem do insumo, como as indústrias de fertilizantes e o polo químico. A expectativa é estimular a concorrência e reduzir os preços.

O impacto nos preços finais ao consumidor, no entanto, dependerá do acesso dos agentes às estruturas de escoamento e processamento do gás, outro impasse que divide Petrobras e representantes do setor e está diretamente relacionado à abertura do mercado.

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