O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou, nesta 2ª feira (19.out.2026), que as medidas sociais anunciadas na reta final da campanha eleitoral representem risco às contas públicas. Ele também questionou a autonomia do Banco Central, atribuindo ao sistema financeiro a pressão constante por responsabilidade fiscal.
Durante sabatina no SBT News, Lula rebateu as críticas de que iniciativas como o reajuste do Bolsa Família e o perdão de dívidas de MEIs (microempreendedores individuais) criariam um rombo impagável para o próximo ano.
“Tudo o que está sendo aprovado está nas possibilidades fiscais do orçamento. Não tem nada, nós estamos entregando o orçamento com superavit primário. Eu não sei de onde você tira essa ideia de que é uma bomba que vai estourar. Não é bomba que vai estourar”, disse o presidente.
Para sustentar o argumento, Lula recorreu ao desempenho de seus mandatos anteriores. Segundo ele, o governo herdou um deficit de 2,8% e está projetando encerrar o ciclo atual com superavit primário de 0,1%, o que, na avaliação do petista, atesta a seriedade fiscal da gestão.
“Uma demonstração de que eu não preciso aprender responsabilidade com a Faria Lima. Responsabilidade eu tenho porque eu sei, como pai de família, trabalhador de fábrica que recebe salário, que a gente não pode gastar o que a gente não tem”, declarou.
O presidente afirmou ainda ter sido o único líder do G20 a registrar superavit primário em todos os anos de seus primeiros 8 anos de mandato (2003-2010), e que manteve o ex-presidente do BC Henrique Meirelles por todo esse período sem nenhuma troca, ao contrário do que teria feito Fernando Henrique Cardoso, que, segundo Lula, substituiu 4 presidentes da autarquia.
Banco Central independente
Na sequência, Lula voltou às críticas à autonomia do BC, aprovada durante o governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL). Para o presidente, a independência da instituição retira do chefe do Executivo a capacidade de discutir política monetária.
“Quando você indica o Banco Central independente, você não pode fazer nada porque é o Banco Central que faz. Você não pode ser presidente da República e não poder discutir a política monetária porque o Banco Central é independente. Quem discute? O sistema financeiro”, afirmou.
Lula completou a crítica afirmando que o mercado financeiro exerce pressão constante sobre o governo, levantando alertas de rombo fiscal no início de cada ano para, segundo ele, encobrir os pagamentos que a União realiza ao setor.
“Começa janeiro falando em deficit fiscal e termina falando em deficit fiscal, só não fala do que o governo paga pra eles todo ano”, disse.
