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Lula: “Sem divergência, a democracia vai para o lixo”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta 6ª feira (16.out.2026) a convivência democrática entre os poderes, apesar de visões divergentes, e citou sua relação com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A fala é um aceno à governabilidade diante de um Congresso com maior presença de partidos de oposição e de direita a partir de 2027.

A declaração foi feita no Congresso Nacional durante a sessão solene de promulgação da PEC (proposta de emenda à Constituição) 221 de 2019, que reduz o teto da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e acaba com a escala 6 X 1.   

Em discurso, Lula chamou a democracia de convivência na adversidade. “As pessoas te provocam, as pessoas te xingam, as pessoas te ofendem. Mas você também tem o direito de ofender. Isso chama-se democracia. No final, você constrói aquilo que é possível construir sem precisar fazer nenhuma guerra. Fora da democracia, não tem saída. Não tem saída, é ditadura”, disse o presidente.

Ao dirigir-se a Motta e Alcolumbre, Lula afirmou que “futricas” sobre inimizades entre o Palácio do Planalto e o Legislativo são “bobagens”. “Quando a gente ganha as eleições, a gente tem que governar. E quando a gente vai governar, a gente governa com as instituições existentes, que não fui eu que criei. […] Então, eu quero meu companheiro Hugo Motta e meu companheiro Alcolumbre, deputado e senador, dizer uma coisa pra vocês: muitas vezes é ruim a nossa convivência por conta da divergência, mas sem ela seria muito pior”, declarou.

E completou: “Se eu não pudesse divergir de vocês e vocês não pudessem divergir comigo, se eu fosse autoritário e você fosse autoritário, a democracia tava sendo jogada no lixo”.

Na Câmara, bancadas alinhadas à direita somarão 276 cadeiras a partir de 2027. No Senado, serão 33 congressistas alinhados ao senador e opositor de Lula na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).   

ENTENDA O FIM DA 6 X 1

A proposta reduz a carga horária de 44 para 40 horas semanais, com limite diário de 8 horas e direito a 2 dias de descanso semanal remunerado (preferencialmente aos domingos), sem redução salarial. 

A medida entrará em vigor de forma gradual em 14 meses. Depois de 2 meses da publicação, em 16 de dezembro, o limite passa para 42 horas semanais. Em 1 ano, a jornada é reduzida para o teto final de 40 horas.

A norma pode ter flexibilização se houver acordo formal entre o sindicato da categoria e a empresa, desde que mantida a média mensal de repousos.

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