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Flávio repete Lula em 1989 e terá ato de campanha em dia de debate

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Flávio repete Lula em 1989 e terá ato de campanha em dia de debate

No dia em que participa de seu 1º debate presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá uma agenda movimentada. Marcado para domingo (18.out.2026), às 20h, o confronto será precedido por um ato de campanha na avenida Paulista, em São Paulo.

Flávio deve viajar à capital paulista no sábado (17.out). No domingo, participará da manifestação ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O ato terá início às 10h. 

O ato busca rivalizar com o realizado por apoiadores do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (11.out), que ocupou 7 quarteirões da avenida. Nos bastidores da campanha, há preocupação com a possibilidade de o público ser menor.

No dia anterior, Flávio estará em Vitória (ES) e Salvador (BA) para atos de campanha. 

O debate na Band será o 1º de Flávio como candidato à Presidência da República. Em 2016, quando concorreu à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSC e terminou em 4º lugar, o senador também participou de debates eleitorais.

Em um deles, Flávio passou mal depois de uma queda de pressão enquanto respondia a uma pergunta feita por um eleitor. Ele deixou o debate em seguida.

Nem Lula nem Flávio participaram de debates neste ano.

Comparações históricas

Uma agenda intensa no dia de um debate pode prejudicar o desempenho de um candidato. Episódios da história eleitoral brasileira e internacional ajudam a ilustrar os riscos de chegar ao confronto depois de uma rotina desgastante.

Os debates presidenciais na televisão ganharam projeção internacional em 1960, quando o democrata John F. Kennedy e o republicano Richard Nixon se enfrentaram na disputa pela Presidência dos Estados Unidos. 

A aparência cansada de Nixon diante das câmeras –ele estava acostumado a eventos no rádio– alimentou a interpretação de que sua imagem no debate contribuiu para a derrota eleitoral, embora a ideia de que esse único episódio tenha decidido a eleição seja uma simplificação histórica.

Em entrevista concedida em 23 de fevereiro de 1990, reunida no livro Sem medo de ser feliz: Cenas de campanha, de André Singer (leia a íntegra), Lula relatou a sequência de compromissos que antecedeu o debate final contra Fernando Collor, em dezembro de 1989. 

Depois de participar de um comício no Rio de Janeiro e retornar a São Paulo à meia-noite, foi a um jantar em São Bernardo do Campo. Chegou em casa às 2h30, acordou às 6h para viajar a Brasília e voltou às 16h. Na sequência, reuniu-se com assessores para preparar o debate, mas já estava perto do horário de ir à TV Bandeirantes.

Lula reconheceu que a campanha errou ao não dedicar mais tempo à preparação para o confronto. “A verdade é que a gente passou o tempo inteiro falando da importância do debate, mas acabamos por tratá-lo como se não tivesse importância alguma”, afirmou. Também lamentou não ter conseguido discutir com mais cuidado as perguntas que faria a Collor. 

“LULA – Eu acho que o debate aconteceu num momento muito delicado da campanha, também porque, depois do 1º debate, eu gerei muita expectativa em relação ao 2º. E tenho consciência que, neste último encontro, o Collor foi bem. A verdade é que a gente passou o tempo inteiro falando da importância do debate, mas acabamos por tratá-lo como se não tivesse importância alguma. Basta que vejamos a agenda: nós fomos a Minas Gerais dia 12, chegamos a São Paulo depois da meia-noite. A Miriam tinha feito a declaração na televisão, e os companheiros do PT acharam que eu deveria dar uma resposta junto com a Lurian. Eu fui para a TVT… 

ENTREVISTADOR – De madrugada… 

LULA – […] E lá ficamos até 3 horas. Cheguei em casa às 4h30. Às 10h30, eu estava na casa do Jacques Breyton, onde fiquei até 17h. Às 17h30, fui para o Rio de Janeiro, onde se realizaria o comício de encerramento da campanha. Estava de volta a São Paulo à meia-noite, e ainda fui para um jantar em São Bernardo. Às 2h30 cheguei em casa, levantei às 6h para ir a Brasília, onde estava agendado um encontro na CNBB2 . Retornei às 16h, e o Aloizio e outros companheiros me aguardavam para prepararmos o debate. Entretanto, já era quase o horário que eu deveria estar na Rede Bandeirantes, e não foi possível discutir com um pouco mais de carinho sequer quais seriam as perguntas que faríamos para nosso adversário. Outro erro que cometemos foi marcar o debate após o término do horário gratuito. No mínimo, nós deveríamos ter marcado o debate para a véspera, para que tivéssemos mais 1 ou 2 programas de rádio e TV”. 

Nesse debate, Collor se saiu melhor e acabou vencendo o 2º turno das eleições. 

Flávio e debate 

A estratégia de Flávio Bolsonaro para o debate com Lula na Band é evitar cair em provocações do presidente. Ao mesmo tempo, a orientação é não deixar alegações sem resposta e fazer críticas pontuais, sem se aprofundar em temas que possam criar controvérsia.

A meta traçada pela campanha não é necessariamente vencer o confronto, mas evitar uma derrota. Uma das preocupações do entorno do senador é que um debate excessivamente agressivo permita a Lula assumir o papel de vítima. A avaliação é que, se o embate subir demais de tom, o efeito pode ser contrário ao desejado e favorecer o presidente.

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