O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) demonstrou preocupação e falou em “situação de risco” diante da mobilização de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas ruas e com o avanço do petista em pesquisas internas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A declaração foi feita em áudio divulgado na 4ª feira (14.out.2026) no canal de WhatsApp “Tropa do Flávio”, que reúne apoiadores do candidato.
Na gravação, Gayer afirma que a mobilização petista está influenciando as pesquisas internas de intenção de voto, conhecidas como tracking, e alerta os apoiadores de Flávio para não considerarem a disputa decidida. “Eles estão conseguindo, sim, mexer o ponteiro da eleição. Não está ganho”, declarou. O deputado pede “engajamento total” nos 12 dias restantes até o 2º turno e estabelece a meta de ampliar de 1,5 milhão para 2 milhões o número de integrantes do canal.
“Pessoal, boa noite. É o Gayer aqui falando. Tô gravando esse áudio porque nós estamos realmente numa situação de risco. Isso aqui é um áudio de alerta. A campanha de terrorismo eleitoral que o Lula e o PT estão fazendo de forma criminosa, aquele canal Exército do Lula, criado por aquele Rachadones, elas realmente estão conseguindo mobilizar a esquerda de uma maneira que a gente nunca viu. Os demônios do petismo saíram da catacumba do inferno e estão realmente conseguindo fazer um impacto nos trackings”, disse Gayer.
Ouça o áudio:
O deputado orienta os integrantes da “Tropa do Flávio” a compartilhar conteúdos em grupos de WhatsApp, publicar mensagens nos status e interagir com postagens de congressistas e influenciadores da direita.
“Não vá dormir, não vá deitar em berço esplêndido, não ache que nós já vencemos a eleição”, afirmou.
Gayer também afirma, sem apresentar provas, que a mobilização de apoiadores de Lula estaria sendo financiada pelo crime organizado. “Eles estão sendo financiados, na minha opinião, só pode ser pelo crime organizado, porque não tem cabimento”, declarou.
Em outro trecho, o deputado cita o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho e afirma, também sem apresentar provas, que as organizações estariam agindo em conjunto com adversários políticos.
Gayer compara ainda a disputa eleitoral a um exorcismo. “A gente tá exorcizando o Brasil e, nesse momento final do exorcismo, é quando o capeta fica mais agressivo. Eles não vão aceitar simplesmente perder porque eles sabem que vão ser presos, boa parte deles”, disse.
O Poder360 procurou a campanha de Lula para comentar as acusações de Gayer sobre um suposto financiamento pelo crime organizado, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
MOBILIZAÇÕES DE LULA
Depois de Flávio Bolsonaro terminar o 1º turno à frente de Lula, apoiadores do presidente intensificaram a mobilização nas ruas em favor de sua reeleição.
No domingo (11.out), mais de 70 cidades registraram atos em apoio a Lula, incluindo caminhadas e outras atividades de campanha. O número é do Comitê Popular de Luta, que reúne informações sobre ações de militância favoráveis ao petista.
De 6ª feira (9.out.2026), ao menos 24 capitais registraram atos de campanha, caminhadas e mutirões que buscam uma virada do petista.
Segundo o comitê petista, mais de 300 atividades estão programadas até a véspera do 2º turno, marcado para 25 de outubro.
PESQUISA PODERDATA
Flávio Bolsonaro terminou o 1º turno à frente, com 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões), contra 45,16% de Lula, que recebeu 53,9 milhões. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos. Uma eventual virada do petista no 2º turno seria inédita na história das eleições presidenciais brasileiras desde a redemocratização, em 1989. Até hoje, todos os candidatos eleitos no 2º turno haviam terminado a 1ª etapa da disputa na liderança.
Pesquisa PoderData/Aya divulgada na 3ª feira (13.out.2026) mostrou redução da vantagem numérica de Flávio Bolsonaro sobre Lula no 2º turno. O senador registrou 51% das intenções de voto válidas, ante 49% do presidente. Na rodada anterior, os percentuais eram de 53% e 47%, respectivamente.
A diferença caiu de 6 para 2 pontos percentuais, configurando empate técnico. O levantamento ouviu 3.000 eleitores de 10 a 12 de outubro, com margem de erro de 1,8 ponto percentual e registro no TSE sob o nº BR-01209/2026.



