A polícia da Índia deteve mais de 2.000 pessoas em Nova Déli durante protestos contra o governo no sábado (10.out.2026), segundo a Reuters. Também houve detenções em Mumbai. As manifestações continuaram neste domingo (11.out).
Os atos foram liderados pelo Partido das Baratas, movimento criado por jovens que exige uma investigação independente sobre a Comissão Eleitoral do país.
Os manifestantes dizem que o órgão de age por interesses políticos e pedem a saída de seu chefe, Gyanesh Kumar. O protesto foi motivado pela revisão de cadastros eleitorais iniciada em 2025, que levou à exclusão de cerca de 130 milhões de registros de eleitores.
Partidos de oposição afirmam que registros válidos foram anulados e que a medida favoreceu o BJP (Bharatiya Janata Party), partido do primeiro-ministro Narendra Modi, no poder há 12 anos.
A Comissão Eleitoral nega irregularidades. Em nota oficial, o governo afirma que a revisão busca atualizar os cadastros e retirar registros duplicados ou de pessoas que morreram ou mudaram de endereço.
O governo mobilizou milhares de agentes de segurança, fechou estações de metrô e instalou barricadas em ruas da capital para tentar impedir as manifestações. Sem conseguir se concentrar nos locais previstos, os manifestantes se espalharam por Nova Déli.
Líderes foram detidos no aeroporto
O fundador do Partido das Baratas e outros 2 líderes do movimento foram detidos ao desembarcar no aeroporto de Nova Déli no sábado (10.out.2026), segundo a organização. Um vídeo divulgado pelo grupo mostra Abhijeet Dipke sendo escoltado para fora de um avião. Durante a abordagem, ele afirmou que não tinha medo e que estava preparado para ser preso.
Os 3 líderes foram libertados neste domingo (11.out) por determinação judicial, segundo a AP.
O Partido das Baratas surgiu em maio de 2026, depois de o chefe da Suprema Corte, Surya Kant, comparar jovens desempregados a baratas. Em junho, o movimento organizou protestos em várias regiões da Índia contra fraudes no exame de ingresso em faculdades de Medicina e cobrou mudanças no sistema educacional.
A pressão levou à renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, em julho.
