O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que o Escudo das Américas, iniciativa do governo de Donald Trump (Partido Republicano) para a região, coloca o Brasil em um “cerco” e se baseia em um argumento falso sobre o combate ao crime organizado.
Ao comentar as relações entre Brasil e Estados Unidos durante os governos de George W. Bush (2001-2009) e Barack Obama (2009-2017), Amorim disse que “havia um certo respeito”. Segundo ele, embora possa ter havido algum grau de interferência naquele período, “não houve uma intervenção ameaçadora”, como a que o Brasil enfrenta atualmente.
“Agora sim nós sofremos uma ameaça, porque, veja bem, essa questão do Escudo das Américas põe o Brasil em um cerco com base em um argumento falso, que é tratar a questão do crime organizado como se fosse terrorismo internacional”, afirmou Amorim em entrevista aos jornalistas Eleonora e Rodolfo Lucena, da Tutaméia TV, no YouTube.
Amorim classificou a iniciativa norte-americana como um “esquema de dominação absoluta” e afirmou que “o problema deles é a China”.
Assista ao trecho (2min):
ESCUDO, PCC E CV
O Escudo das Américas é uma coalizão criada para, segundo o governo Trump, combater o narcotráfico e o crime organizado no hemisfério.
Em setembro, os 15 países que integram a iniciativa anunciaram ação conjunta contra 24 organizações classificadas pelo grupo como “narcoterroristas transnacionais”, entre elas as facções brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho).
Além dos EUA, fazem parte do Escudo das Américas os seguintes países: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
FLÁVIO PRÓ-ESCUDO
Na 4ª feira (7.out), o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, disse que, se eleito, vai incluir o Brasil no Escudo das Américas.
“Vou, com muita vontade e com muita honra, querer fazer parte do Escudo das Américas para cooperar com a Colômbia e com todos os demais países que se unirem para combater essas facções narcoterroristas”, disse durante live com o presidente colombiano, Abelardo de la Espriella (Defensores de la Patria, direita).
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