A semana dos candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi de adaptação das campanhas ao 2º turno, marcado para 25 de outubro.
Líder da votação de 4 de outubro, Flávio concentrou os esforços em formalizar apoios e mostrar união em torno de seu nome. Lula, por sua vez, passou os dias tentando reorganizar uma campanha que, segundo aliados, chegou à 2ª etapa desorganizada depois de apostar que venceria ainda no 1º turno.
Na 3ª feira (6.out), o senador reuniu-se com integrantes do Republicanos para discutir um apoio formal. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, participou do encontro, em Brasília, e passou a ter atuação mais ativa na campanha.
No mesmo dia, Flávio viajou a Goiânia, onde recebeu o apoio de Ronaldo Caiado (PSD), 5º colocado na disputa. Tarcísio estava novamente ao seu lado.
O PT começou a semana tentando o mesmo caminho e não conseguiu. Também na 3ª feira (6.out) o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que o partido buscava apoio de lideranças do Republicanos e do PSD. Segundo ele, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, indicou que a sigla ficará neutra, mas deu liberdade aos petistas para procurarem dirigentes regionais.

Na manhã de 4ª feira (7.out), o candidato do PL recebeu mais apoios. Depois de reunião no quartel-general da campanha, em Brasília, foi formalizado que o Republicanos e o Progressistas estarão com o senador no 2º turno. Estiveram presentes o vice-presidente do União, ACM Neto (União Brasil-BA), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS).
Em entrevista a jornalistas, Flávio precisou se explicar sobre ter dito, em Goiânia, que iria “mudar a Constituição” para “redemocratizar o país”. Disse que sua intenção é, via PEC (Proposta de Emenda à Constituição) e com a nova bancada favorável do Congresso a partir de 2027, reformar o Judiciário, reduzir a maioridade penal e acabar com a reeleição. Foi uma resposta às críticas de governistas.
Mais tarde, também no QG de campanha de Flávio, o partido Novo anunciou apoio ao candidato do PL.

O clima era outro no lado petista.
Na 4ª feira (7.out), em reunião com jovens congressistas do partido, Lula disse a Edinho que esta foi a campanha menos organizada de que participou desde 1989. A fala não deveria ter sido de conhecimento público, mas o PT iniciou a transmissão e a interrompeu durante o discurso.
Desde aquele dia, petistas procuram culpados pela crise, e 3 nomes concentram as críticas: a primeira-dama, Janja da Silva, o ministro da Secom, Sidônio Palmeira, e o próprio Edinho.
Também na 4ª feira (7.out), o presidente publicou o 1º vídeo em formato selfie da campanha. Os 10 primeiros somam quase 66 milhões de visualizações no Instagram. Lula resistia à ideia e havia insistido em uma campanha centrada no legado, uma estratégia que olhou para o retrovisor, conforme análise do Poder360.

Na 5ª feira (8.out), Flávio recebeu o apoio do Podemos e reuniu os governadores eleitos no 1º turno. Disse que “não tem eleição ganha” e pediu esforço na busca por votos de indecisos.
No mesmo dia, somou o apoio de um ex-concorrente à Presidência, Augusto Cury (Avante), com quem assinou um termo de compromisso público.
Também na 5ª feira, Lula abriu o QG, no Lago Sul, em Brasília, pela 1ª vez em 54 dias de campanha. O movimento faz parte da estratégia de reaproximação do petista com o eleitor e a imprensa.
Depois de encontrar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que o deputado vai ajudar na eleição, embora o partido dele tenha oficializado apoio a Flávio no dia anterior.
Assista (14min21s):
Na 6ª feira (9.out), a nova linha ficou clara. A coordenação da campanha de Lula conversou com jornalistas no QG, no Lago Sul, e afirmou que repetiria sempre este modelo mais próximo da imprensa.
Na ocasião, a campanha detalhou a decisão de disputar o Centrão não pelas cúpulas. Com PP, União Brasil e Republicanos fechados com Flávio, o comitê busca governadores, prefeitos e parlamentares dessas siglas dispostos a apoiar o presidente ou a ficar neutros.
O porta-voz Camilo Santana (PT-CE) disse que “muitos parlamentares” já estão com o petista e citou o governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), e o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil).
No mesmo dia, o presidente foi a Ceilândia, no Distrito Federal, ao lado de Leandro Grass (PT), candidato ao governo local no 2º turno.
Na TV
Os programas eleitorais de TV dos 2 candidatos estrearam na 6ª feira. Flávio abriu a propaganda por ter recebido mais votos no 1º turno. No programa, o senador negou que vá acabar com programas sociais e disse que manterá o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e o Farmácia Popular. Exibiu trechos dos discursos de apoio de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Também prometeu acabar com a reeleição, baixar os preços nos supermercados e reduzir o endividamento.
Já o petista citou propostas como zerar o imposto de renda para a cesta básica e acabar com a escala 6 X 1. Os próximos programas terão tom mais duro e mirarão Flávio, e não o bolsonarismo. A comunicação ficará a cargo do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que defende uma linguagem mais simples e próxima do eleitor.
Viagens pelo país
Neste fim de semana, Flávio começa oficialmente as viagens da campanha do 2º turno. No sábado (10.out), estará no Rio de Janeiro e, no domingo (11.out), vai para São Paulo. No feriado de Nossa Senhora Aparecida, fica em Brasília.
Lula também retoma os voos neste fim de semana. No sábado (10.out), vai a Natal, onde caminha com Cadu Xavier (PT), candidato ao governo do Rio Grande do Norte.
Depois, devem vir comícios no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e em São Paulo. O plano da campanha é concentrar as viagens no Norte, no Nordeste e no Sudeste. O ex-ministro Rui Costa (PT) assumiu funções na organização da agenda.
O Nordeste deve ser a prioridade no 2º turno. A campanha acredita que a região é onde Lula pode crescer mais e recuperar votos. No 1º turno, Lula teve 21,49 milhões de votos na região (63,77% dos válidos), quase 300 mil a menos que em 2022. Flávio obteve 10,4 milhões, 1,6 milhão a mais que Jair Bolsonaro naquele ano. A meta do comitê é chegar a 70% dos votos válidos, o que exige recuperar cerca de 2,2 milhões de votos.


