O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino afirmou nesta 6ª feira (9.out.2026) que recebeu trechos de um relatório de segurança da Corte que reúne milhares de mensagens com ameaças de morte e agressões.
Em publicação no Instagram, Dino disse que as mensagens decorrem da repetição de mentiras e declarou que não mudará sua atuação profissional por causa das ameaças.
“Se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição”, escreveu o ministro.

Segundo o material exibido na publicação, Dino afirma que o X concentra o maior volume e a maior proporção de publicações hostis. Entre os exemplos apresentados estão mensagens com referências a fuzilamento, explosão e outras formas de violência.
Entre os exemplos listados no material de segurança do STF estão publicações com ameaças de fuzilamento contra Flávio Dino. Uma mensagem, publicada em 5 de outubro, afirma: “primeiro a ser fuzilado… Flávio Dino, por ter proibido o acesso às armas”.
O material também cita uma publicação de 6 de outubro com a frase “A gôrdola… já vai levar chumbo”. Outra, de 3 de outubro, menciona invadir o STF e faz referência à morte de Tiradentes, executado por enforcamento e esquartejamento. A mensagem afirma: “invadir o STF e fazer com morões, dino e zanin igual fizeram com tiradentes, cabecinha em praça pública”.
Na parte inferior do material, há ainda registros de mensagens que fazem referência a “levar chumbo” e afirmam que Dino “terá que pagar com sangue” por seu trabalho no período eleitoral e por ter travado ações parlamentares para ajudar Lula.
Dino afirmou que, em 37 anos como servidor público, nunca respondeu a um processo criminal. Também defendeu que pessoas que discordam de decisões judiciais recorram aos colegiados competentes, em vez de recorrer a ameaças ou incitar agressões.
“O ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência”, afirmou o ministro. Em seguida, declarou: “Se as pessoas não concordam com decisões judiciais, elas podem recorrer aos Colegiados competentes. Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões”.
Eis a íntegra da publicação:
“Recebi hoje trechos de um relatório de Segurança do STF mostrando milhares de mensagens no mesmo sentido: ameaças de assassinato e agressões diversas.
Em 37 anos como servidor público nunca respondi a um único processo criminal.
O ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência.
Se as pessoas não concordam com decisões judiciais, elas podem recorrer aos Colegiados competentes. Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões.
Em nada alterarei a minha atuação profissional, pois nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou.
Mas fica uma reflexão essencial: se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição.”

