A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recalculou a estratégia para o 2º turno: agora, o petista endurecerá o discurso contra Flávio Bolsonaro (PL). A comunicação se direcionará aos direitos e às políticas públicas que podem ser perdidos caso o senador seja eleito. A avaliação é que não dá para manter uma postura “boazinha” na reta final das eleições.
Nesta 3ª feira (6.out.2026), o presidente gravou, no QG da campanha em Brasília, os novos guias de televisão que serão exibidos a partir de 5ª feira (8.out). Depois, fez uma live em que falou sobre o fim da escala 6 X 1. Apesar de não citar Flávio nominalmente, mencionou o partido de seu adversário e questionou se terão “coragem” de votar ou não a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada de trabalho.
Alguns materiais da campanha já criticavam o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No início da propaganda eleitoral, por exemplo, o 1º material divulgado pelo PT foi um site intitulado “Flávio, o pior dos Bolsonaros”.
A diferença para a 2ª fase é confrontar mais diretamente Flávio e deixar em 2º plano o bolsonarismo. A estratégia é falar menos de CNPJ e mais de CPF: apresentar o adversário pelo nome, propostas e posições.
Além disso, a campanha deve apresentar um conjunto de políticas para reduzir o custo de vida, em vez de concentrar a comunicação em medidas isoladas, como o aumento do Bolsa Família.
Também há a expectativa de algumas mudanças na coordenação da campanha. A estratégia de comunicação do ministro da Secom (Secretaria de Comunicação) e responsável pela comunicação da campanha, Sidônio Palmeira, é alvo de críticas entre integrantes da campanha.
Aliados discutem uma parceria com o publicitário Otávio Antunes, responsável pelos programas eleitorais de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo –Haddad perdeu no 1º turno.
Antunes criou, em 2025, a campanha da “taxação BBB” –bilionários, bancos e bets–, que defendia a tributação dos mais ricos e a isenção para os mais pobres. É visto como bastante exitoso. A possibilidade em discussão é de uma parceria com a equipe atual, sem a substituição de Sidônio.
REFORÇO NA CAMPANHA
Nesta 3ª feira (6.out), o presidente do PT, Edinho Silva, disse a jornalistas que pensa em reforçar a campanha com nomes como Camilo Santana (PT-CE), Geraldo Alckmin (PSB), Rui Costa (PT-BA) e Jaques Wagner (PT-BA).
“Nós temos o Camilo, que fazia parte da coordenação, mas pediu afastamento para se dedicar à disputa no Ceará. Nós temos agora os nossos senadores eleitos, o Rui e o Jaques, que podem fazer parte de um grupo de coordenação. Eu tenho defendido que o vice-presidente Geraldo Alckmin também venha participar de forma mais efetiva da coordenação”, declarou Edinho após reunião da executiva nacional, realizada na sede da legenda em Brasília.
