Três empresas com empreendimentos de data centers venceram uma disputa pelo acesso a 228 MW (megawatts) no sistema de transmissão em São Paulo, disponibilizados pelo governo federal por meio de um processo competitivo encerrado na 3ª feira (6.out.2026).
A capacidade será alocada para os projetos Pahlavan One, Pahlavan Three e Digital DC Brasil. Os 2 primeiros pertencem à Pahlavan Ventures One, que desenvolve e gerencia um projeto de data center integrado ao Complexo Pahlavan, localizado no município de Paulínia (SP). A empresa é controlada pela CloudHQ, uma desenvolvedora global de infraestrutura de data centers de hiperescala.
Já a Digital DC Brasil Ltda, que opera comercialmente no Brasil sob a marca NextStream, atende grandes empresas, provedores de serviços de nuvem, operadoras de telecomunicações e grandes geradores de conteúdo. A companhia atua no setor de infraestrutura digital e serviços de colocation, com 11 data centers distribuídos em 5 países da América Latina.
Os empreendimentos arremataram 100% da capacidade disponibilizada em São Paulo no 1º processo competitivo realizado pela Pnast (Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão).
O certame disponibilizou 228 MW de margem de escoamento em 4 pontos de conexão localizados no Estado e teve participação de 7 empreendimentos, que somaram 451 MW de demanda habilitada.
A vitória das empresas de data centers vem em um momento em que o setor elétrico demonstra preocupação com a capacidade do sistema de transmissão brasileiro diante da alta demanda energética desse tipo de empreendimento.
Representantes do setor afirmam que o ritmo de expansão do sistema brasileiro de transmissão pode ser um gargalo para o estabelecimento de mais data centers no país.
Executivos defendem acelerar investimentos em transmissão e mais leilões para esse tipo de infraestrutura, sobretudo depois da implementação do Redata, o regime especial de tributação para data centers recém-aprovado pelo Congresso e sancionado pelo Executivo, que deve atrair cada vez mais empreendimentos para o Brasil.
PNAST
O MME (Ministério de Minas e Energia) e o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) realizaram nesta 4ª feira (7.out.2026) a cerimônia de encerramento da 1ª Temporada de Acesso de 2026 da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão.
O evento marca a conclusão do 1º ciclo da política, que criou um novo modelo de entrada de geradores e grandes consumidores na rede básica de transmissão de energia.
A medida cria regras padronizadas para pedidos de conexão e estabelece as chamadas Temporadas de Acesso, janelas periódicas nas quais o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) avaliará, de forma conjunta, todos os requerimentos. O sistema foi implementado em decreto baixado pelo governo em dezembro de 2025.
O novo modelo substitui o regime de “fila aberta”, em que projetos podiam solicitar conexão a qualquer momento. Esse formato resultava em filas longas, ocupadas por empreendimentos ainda imaturos ou com caráter especulativo, o que dificultava o planejamento da expansão da transmissão.
Com a Pnast, os pedidos passam a ser analisados todos de uma vez a cada temporada, considerando a capacidade disponível da rede e critérios técnicos de viabilidade.
Ao todo, foram registrados 367 cadastramentos de empreendimentos de geração e consumo, que somaram mais de 20 GW em solicitações de acesso distribuídas por 64 barramentos do SIN (Sistema Interligado Nacional).
Considerando o período de transição e a 1ª Temporada, o ONS analisou mais de 43 GW em solicitações de acesso à Rede Básica, dos quais aproximadamente 30,7 GW foram viabilizados ou habilitados. A partir de 2027, a política contará com duas Temporadas de Acesso por ano.
